Morre Dona Mide ícone do fandango e guardiã da cultura do Litoral Paranaense

🕓 Última atualização em: 02/06/2026 às 18:58

A cultura popular paranaense está de luto. Cremildes Ferreira Bahr, conhecida carinhosamente como Dona Mide ou Mestra Mide, faleceu nesta terça-feira (2) aos 88 anos. Ela foi uma figura proeminente e dedicada ao estudo e preservação do fandango caiçara, uma tradição cultural intrinsecamente ligada ao litoral do Paraná.

Dona Mide não foi apenas uma artista, mas também uma incansável estudiosa. Sua paixão pela cultura a levou a ser reconhecida com o título de Doutora Honoris Causa pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR), um testemunho de sua vasta contribuição.

O presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marino Galvão Júnior, expressou o profundo pesar da instituição. Ele ressaltou a dedicação de Dona Mide à preservação das tradições e à difusão da cultura popular, um legado que ela construiu ao longo de décadas.

A Trajetória de Difusão e Memória

Fundada em 1988, o grupo Meu Paraná, sob a liderança de Dona Mide, tornou-se um vetor fundamental para a expansão do fandango paranaense. Por meio de apresentações e intercâmbios, ela levou essa expressão artística a diversas regiões do Brasil, além de cruzar fronteiras e conquistar reconhecimento internacional.

Sua influência se estendeu para além do fandango. Dona Mide foi uma presença constante e vibrante em outros cenários culturais de Curitiba, como os carnavais da cidade, as tradicionais rodas de choro e os grupos de samba, enriquecendo o panorama musical e folclórico da capital.

A memória artística de Dona Mide está entrelaçada à de sua família. Ela era irmã do renomado compositor Lápis (Palminor Rodrigues Ferreira), mas construiu uma trajetória autônoma e de grande impacto, solidificando sua identidade como guardiã da música e das memórias paranaenses.

O Legado da Mestra Mide

O trabalho de Dona Mide transcendeu a mera execução artística. Ela se dedicou a documentar, ensinar e valorizar as raízes do fandango, garantindo que essa manifestação cultural não se perdesse com o tempo. Sua paixão contagiante inspirou gerações de artistas e pesquisadores.

Sua partida representa uma perda inestimável para o patrimônio cultural do Paraná. Contudo, o legado de Dona Mide, materializado em suas gravações, ensinamentos e na preservação viva do fandango, continuará a ecoar, inspirando e educando sobre a riqueza da cultura popular brasileira.

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