Um animal silvestre, especificamente uma capivara, foi resgatado em estado de vulnerabilidade nesta sexta-feira (17) no Parque Tingui, em Curitiba. A intervenção foi realizada por uma equipe especializada do Centro de Apoio à Fauna Silvestre (Cafs), vinculado à Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A operação de captura demandou mais de uma hora para ser concluída, evidenciando a complexidade do manejo de fauna em ambientes urbanos.
O incidente mobilizou profissionais dedicados à conservação da vida selvagem na capital paranaense. O acionamento para o resgate ocorreu através do número 156, canal oficial da prefeitura para atendimento à população. É relevante notar que uma tentativa anterior de captura já havia sido realizada na semana anterior, porém, o animal conseguiu evadir-se adentrando a água.
Segundo relatos da médica-veterinária Oneida Lacerda, que liderou o Serviço de Monitoramento de Animais Selvagens, a capivara apresentava um ferimento resultante de uma disputa territorial. Essa dinâmica, comum entre animais da mesma espécie, especialmente em ambientes com densidade populacional elevada, culminou na agressão.
A capivara ferida recebeu os cuidados iniciais e está prevista para ser encaminhada ao Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná. O objetivo é que o animal receba o tratamento médico necessário para sua recuperação total. Após a reabilitação, a expectativa é que ela seja reintroduzida no mesmo ambiente do qual foi resgatada, o Parque Tingui, garantindo a continuidade de seu ciclo natural.
Manejo de Fauna e a Dinâmica Populacional das Capivaras
A presença de capivaras em parques urbanos como o Tingui é um fenômeno observado há muitos anos. Conforme explica Edson Evaristo, diretor de Pesquisa e Conservação da Fauna, esses animais são silvestres e nativos, protegidos por lei, e historicamente habitam cursos d’água, mesmo aqueles que hoje se encontram inseridos em contextos urbanos.
A dinâmica populacional da espécie prevê a expulsão de indivíduos do grupo social, especialmente machos jovens que atingem a maturidade sexual. Esse processo natural é fundamental para a expansão da espécie para novas áreas e para a manutenção de uma densidade populacional equilibrada nos parques, evitando a superpopulação.
Essa característica de dispersão e disputa territorial é um dos fatores que contribuem para a ausência histórica do agente causador da febre maculosa nas capivaras de Curitiba, um ponto de atenção em saúde pública. Os ferimentos decorrentes dessas disputas, embora comuns, são frequentemente superficiais.
É importante ressaltar que as equipes de monitoramento realizam acompanhamento periódico desses animais. Contudo, a captura só é efetuada quando há uma necessidade real e, crucialmente, quando as condições técnicas são favoráveis, minimizando riscos. Essa cautela visa evitar o estresse excessivo ao animal.
O Papel da Comunidade na Proteção da Fauna
Diante da identificação de animais selvagens em situação de risco ou apresentando sinais de ferimento, a orientação para a população é clara e direta. A comunicação deve ser feita através da Central 156 da Prefeitura de Curitiba, um canal que centraliza os pedidos de ajuda e direciona as equipes competentes.
Embora as capivaras apresentem um comportamento geralmente pacífico e convivam em proximidade com os humanos, é fundamental lembrar que se tratam de animais selvagens. O manejo desses animais requer expertise e, em muitas situações, intervenções podem gerar mais estresse e riscos do que benefícios imediatos.
A prevenção de mortes por miopatia de captura, uma condição comum em animais silvestres submetidos a contenção e estresse, é um dos motivos para que os resgates sejam criteriosos. As cicatrizes de brigas, em grande parte, são superficiais e se resolvem naturalmente, dispensando a necessidade de intervenção humana.
A participação da comunidade, através de denúncias e do respeito aos protocolos estabelecidos, é essencial para garantir a segurança dos animais e a eficiência das ações de conservação. A colaboração é uma via de mão dupla, beneficiando tanto a fauna quanto a saúde pública.






