Morador de Curitiba recomeça a vida aos 64 anos após vencer dependência química

🕓 Última atualização em: 06/05/2026 às 14:52

Aos 64 anos, Benedito Djalma Oliveira de Souza reescreve sua história em Curitiba, recuperando a dignidade após duas décadas de dependência química e vida nas ruas. Livre das substâncias há cerca de um ano, ele demonstra um notável processo de reinserção social, apoiado por serviços municipais que o auxiliam em sua jornada de recuperação e busca por estabilidade.

Atualmente, Benedito reside temporariamente em uma unidade de acolhimento gerida pela Fundação de Ação Social (FAS) e frequenta o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Boqueirão. Este acompanhamento contínuo é crucial para a manutenção de sua sobriedade e para o desenvolvimento de novas habilidades.

Sua trajetória é um testemunho da importância de programas de apoio psicossocial e de políticas públicas eficazes no tratamento da dependência química, que muitas vezes marginaliza indivíduos e os afasta da sociedade.

A força motriz por trás de sua transformação é uma profunda percepção da insustentabilidade de seu estilo de vida anterior. “O que me impulsionou a mudar foi a percepção de que aquela vida era exaustiva e prejudicial à minha saúde. Graças a Deus, consegui, e continuo conseguindo. Cada dia que amanhece é uma vitória”, compartilha Benedito, evidenciando a resiliência e a esperança que o guiam.

Originário do litoral paulista, sua vida adulta foi marcada por uma relativa estabilidade em São Paulo, onde construiu família, atuou como segurança e chegou a possuir um comércio. Benedito também cultivava a paixão pela música, integrando um grupo musical. Contudo, uma reviravolta pessoal o levou a Curitiba, onde, infelizmente, mergulhou na dependência química, sobrevivendo da coleta e venda de materiais recicláveis.

O Papel Fundamental do Acolhimento Especializado

A virada de chave para a mudança e reinserção social de Benedito ocorreu após uma interação significativa com uma profissional da FAS. Este encontro, marcado por um convite direto à reflexão sobre sua condição, foi o catalisador para que ele aceitasse o apoio oferecido.

Encaminhado ao CAPS Boqueirão, Benedito encontrou no psicólogo Gilberto José Golvêa Filho uma referência profissional essencial. O CAPS oferece um ambiente terapêutico multidisciplinar, onde pacientes como Benedito recebem tratamento individualizado, incluindo consultas psiquiátricas, terapias em grupo e palestras educativas.

Segundo Golvêa, a observação da evolução de pacientes em situações de extrema vulnerabilidade é um dos aspectos mais gratificantes de seu trabalho. “A complexidade e a gravidade dos casos nos permitem acompanhar de perto pessoas que se encontram em condições vulneráveis, muitas vezes isoladas. Participar do processo de conquista de novos objetivos, da retomada de sonhos, da construção de relacionamentos e da vivência plena da vida, é algo extremamente significativo”, afirma o psicólogo.

O Plano Terapêutico Individual (PTI) de Benedito é um componente central em seu tratamento, garantindo que suas necessidades específicas sejam atendidas de forma contínua e ajustada ao seu progresso.

Esta abordagem integrada, que combina suporte psicossocial, tratamento médico e capacitação profissional, é um modelo promissor para lidar com questões complexas de saúde pública, como a dependência química e a vulnerabilidade social.

Caminhos para a Autonomia e Reintegração Plena

Atualmente, Benedito está empenhado em sua formação educacional e profissional. Ele cursa o ensino médio noturno e concluiu recentemente cursos profissionalizantes em panificação e cuidador de idosos, oferecidos pelo Sebrae. Estas qualificações representam passos importantes na sua busca por autonomia e independência financeira.

A escolha pela área de cuidado de idosos reflete uma vocação e um desejo genuíno de contribuir para a sociedade. “Gosto de cuidar, de auxiliar, de dar banho em idosos, pois considero essa uma profissão muito bonita. Ela se encaixa em mim e gosto de fazer o que me traz satisfação. Sinto-me feliz ao exercer essa função”, declara. Seu engajamento é tal que, mesmo enquanto busca uma colocação formal, ele auxilia os demais residentes da unidade de acolhimento e idosos, demonstrando solidariedade e senso de responsabilidade.

O foco da equipe que o acompanha permanece na desafiadora etapa de reabilitação e inserção no mercado de trabalho. A conquista de um emprego formal é vista como o ápice de sua jornada de recuperação, permitindo-lhe reconstruir sua vida e reintegrar-se plenamente à sociedade. O desejo de ter sua própria moradia é um objetivo que, somado à estabilidade profissional, consolidaria sua nova vida.

A história de Benedito ressalta a importância de políticas públicas que ofereçam não apenas o tratamento para dependência química, mas também o suporte necessário para a reinserção social e profissional, promovendo a dignidade e a capacidade de recomeço de cada indivíduo.

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