O Paraná testemunhou um aumento significativo no número de domicílios particulares permanentes em 2025, totalizando 4,52 milhões de unidades. Este representa um acréscimo de 185 mil novas residências em comparação com o ano anterior. Paralelamente, a pesquisa revela uma diminuição no número médio de moradores por domicílio, caindo para 2,6 pessoas em 2025, um patamar inferior aos 3,0 registrados em 2016. Estes dados, oriundos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do IBGE, consolidam informações de aproximadamente 168 mil domicílios investigados ao longo dos quatro trimestres de 2025.
A configuração dos lares paranaenses também aponta para uma mudança demográfica. A proporção de domicílios compostos por uma ou duas pessoas apresentou crescimento expressivo. Em contrapartida, residências com três ou mais moradores sofreram retração na última década. Essa transição sugere uma reorganização no modo como as famílias se estruturam e ocupam o espaço residencial no estado.
A análise dos arranjos domiciliares destaca a predominância da estrutura nuclear, presente em 69,0% das residências. Este modelo inclui casais com ou sem filhos, bem como arranjos monoparentais. O Paraná se posiciona como o segundo estado brasileiro com maior incidência deste tipo de arranjo, superado apenas por Santa Catarina. A crescente prevalência de domicílios unipessoais, habitados por uma única pessoa, é outro dado relevante, atingindo 18,7% do total no estado.
Em 2025, a população masculina em domicílios unipessoais ultrapassou a feminina, representando 20,6% do total de homens, um salto considerável em relação a 2012, quando esse índice era de 7,9%. Essa evolução sublinha transformações nas dinâmicas sociais e familiares, com implicações para políticas de habitação e assistência.
Transformações na estrutura etária e demanda por políticas públicas
Um dos aspectos mais marcantes revelados pela PNAD Contínua é o acentuado envelhecimento populacional no Paraná. Entre 2012 e 2025, a população com 60 anos ou mais cresceu 55,42%, somando 1,98 milhão de pessoas. Em contraste, o contingente de jovens, na faixa de 0 a 24 anos, registrou uma queda de 7,83% no mesmo período.
Esse descompasso etário é um indicativo claro da necessidade de direcionar esforços para atender às demandas de uma população que envelhece. O Paraná, já reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como Estado Amigo da Pessoa Idosa, precisa intensificar suas políticas voltadas para este segmento. A redução nas faixas etárias mais jovens, por sua vez, sinaliza desafios para o futuro mercado de trabalho e a reprodução social.
A pesquisa também aponta que todas as faixas etárias até 24 anos apresentaram decréscimo, com destaque para o grupo de 15 a 19 anos, que sofreu a maior queda proporcional (-19,2%). Enquanto isso, a população a partir dos 25 anos demonstrou crescimento contínuo, especialmente nos grupos mais idosos, como os de 60 a 64 anos e 70 a 74 anos, que tiveram avanços significativos de 58,5% e 78,5%, respectivamente.
No que tange aos tipos de domicílio, a casa continua sendo a forma de moradia predominante no Paraná, representando 83,5% das unidades. Contudo, o crescimento em termos proporcionais dos apartamentos é notável. Entre 2016 e 2025, o número de apartamentos aumentou 79,2%, enquanto as casas cresceram 11,9%. Essa expansão no setor de condomínios residenciais dialoga com a urbanização e as novas dinâmicas de moradia nas cidades.
Condição de propriedade e cenário econômico-social
A análise da condição de ocupação dos domicílios no Paraná revela que 54,8% das residências são próprias e já quitadas, enquanto 10,6% são próprias, mas ainda em processo de financiamento. A modalidade de aluguel abrange 25,1% das unidades domiciliares, e os imóveis cedidos representam 9,0%.
Observa-se um aumento expressivo no número de domicílios próprios em fase de pagamento, com elevação de 10,1%, e nos domicílios alugados, com crescimento de 9,9% entre 2024 e 2025. A categoria “Outra condição de ocupação”, que inclui situações como invasões, apresentou a maior variação percentual, aumentando 41,4% e passando de 9 mil para 25 mil unidades.
Essa dinâmica na ocupação dos imóveis pode ser um reflexo das condições econômicas do período, influenciando diretamente as escolhas residenciais das famílias. A expansão de domicílios em financiamento e aluguel, aliada ao aumento em “outras condições de ocupação”, sugere desafios relacionados ao acesso à moradia e à segurança da posse.
A PNAD Contínua também aborda a posse de bens. O Paraná se destaca com 68,3% de domicílios possuindo carro, figurando em segundo lugar no ranking nacional, atrás de Santa Catarina. A maioria das residências (89,6%) está localizada em áreas urbanas. A pesquisa ainda aponta uma redução significativa no número de domicílios sem documento que comprove a propriedade, passando de 8,7% em 2019 para 5,7% em 2025.






