A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, esteve no litoral do Paraná para participar de eventos voltados ao fortalecimento de políticas públicas para mulheres e ao combate à violência de gênero. As agendas ocorreram em Curitiba e Matinhos, com foco em ações de prevenção, acolhimento e articulação entre os setores governamental e a sociedade civil.
A visita institucional destacou a necessidade de um olhar aprofundado sobre os índices de violência que afetam a região. O Paraná tem registrado números alarmantes, como dezenas de feminicídios e tentativas anuais, evidenciando a urgência de estratégias mais eficazes.
A importância da coleta de dados e diagnósticos precisos foi ressaltada como pilar fundamental para a formulação de políticas públicas eficientes. Sem informação consolidada, as ações correm o risco de serem descontextualizadas e ineficazes.
A articulação entre o governo federal, estadual, municípios e a sociedade civil organizada surge como um dos principais caminhos para a consolidação de medidas de proteção e combate a todas as formas de violência contra a mulher.
Descentralização e Fortalecimento Institucional
Em Matinhos, o evento principal foi o Encontro de Gestoras de Políticas Públicas para as Mulheres. A atividade reuniu representantes de conselhos de direitos e gestoras públicas de sete municípios litorâneos.
O objetivo central foi promover a descentralização das ações de proteção e o fortalecimento da organização social e institucional na região. A diretora da UFPR Litoral, Vanessa Andreoli, enfatizou a necessidade de consolidar políticas públicas e erradicar a violência.
A discussão abordou a criação de uma unidade de acolhimento de longa permanência para mulheres em situação de violência no litoral. A iniciativa visa oferecer um espaço seguro e de apoio, com a colaboração de diferentes esferas de governo e entidades civis.
A atualização do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, com base em propostas de conferências municipais e estaduais, foi mencionada como um esforço para abranger as diversas realidades e necessidades do país.
A representante do Estado no enfrentamento às violências, Carla Konieczniak Aguiar, destacou a importância dos diagnósticos e da articulação dos conselhos municipais para viabilizar a implantação de novos equipamentos de proteção.
Participação Social e Desafios Locais
O Fórum dos Conselhos de Direitos das Mulheres e Coletivos de Mulheres do Litoral Paranaense representou um espaço crucial para o debate. O encontro fortaleceu a participação social e a articulação intermunicipal no combate à violência de gênero.
A conselheira Matsuko Mori Barbosa listou demandas comuns aos municípios, como a implantação de casas abrigo, o fortalecimento da rede de proteção com equipes multidisciplinares e a criação de serviços com fluxogramas definidos.
Manu Aguiar, representando coletivos de mulheres, ressaltou a importância de uma abordagem interseccional. A atenção especial a grupos mais vulneráveis, como mulheres negras, com deficiência, mães solo, de comunidades tradicionais e rurais, foi apontada como essencial para garantir equidade.
A ministra Lopes enfatizou a necessidade de acompanhar o funcionamento dos conselhos municipais em diversas áreas – saúde, educação, assistência social, direitos das mulheres, entre outros. Ela destacou que esses espaços são vitais para que as políticas públicas sejam efetivas e para garantir que a população seja ouvida.






