Uma criança com autismo não verbal, de apenas cinco anos, está desaparecida há mais de 24 horas em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. João Gabriel sumiu na manhã de domingo, 26 de julho, em uma chácara onde a família reside. A mobilização para encontrá-lo envolve centenas de profissionais e recursos tecnológicos avançados.
O garoto desapareceu por volta das 9h, ao informar à mãe que iria ao banheiro, localizado na área externa da propriedade. Este trajeto, que ele costumava fazer sozinho, tornou-se o ponto de partida de uma angústia familiar e de uma ampla operação de busca.
A solicitação aos bombeiros foi registrada às 12h16, após a família procurar o menino por aproximadamente duas horas. O trabalho de resgate foi imediatamente iniciado, com foco inicial em um raio de 300 metros da residência.
A complexidade da área de desaparecimento exige um esforço concentrado. A região é caracterizada por vegetação densa, áreas de mata fechada e a presença de diversos tanques e açudes, o que dificulta a localização.
Um dos pontos de atenção nas buscas foram os nove tanques de água existentes na propriedade. Equipes especializadas utilizaram tecnologia de sonar para vasculhar o fundo desses reservatórios, mas não obtiveram sucesso na localização do garoto, o que leva a um possível descarte da hipótese de afogamento.
A complexa operação de busca e as investigações paralelas
A operação de busca por João Gabriel é extensa e conta com mais de 100 participantes. Militares do Corpo de Bombeiros, voluntários, e equipes da Polícia Civil (TIGRE), Polícia Militar e Guarda Municipal estão empenhados na tarefa.
A tecnologia tem sido uma aliada fundamental. Drones equipados com câmeras termais sobrevoam a área, auxiliando na identificação de possíveis focos de calor. Além disso, mergulhadores técnicos realizam buscas em corpos d’água, e cães farejadores buscam por qualquer vestígio do menino.
A presença de aeronaves como o Arcanjo 01, do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, e o Falcão 08, da Polícia Militar do Paraná, demonstra a magnitude e a urgência da operação. Dez viaturas também estão envolvidas no suporte logístico e no transporte das equipes.
Paralelamente aos esforços de busca, o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) abriu um inquérito para apurar as circunstâncias do desaparecimento. Houve a apreensão dos celulares dos pais e a realização de depoimentos separados.
Os pais admitiram ter participado de uma festa na noite anterior ao desaparecimento, onde houve consumo de bebida alcoólica. Essa informação adiciona uma nova camada à investigação, buscando entender todos os fatores que podem ter contribuído para a situação.
O impacto do autismo não verbal na situação e o papel da comunidade
A condição de João Gabriel, ser autista não verbal, adiciona um elemento crucial ao desafio das buscas. A ausência da fala funcional para comunicação pode dificultar sua capacidade de pedir ajuda ou interagir com desconhecidos, caso tenha se afastado da área de busca.
A compreensão do comportamento e das necessidades de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é vital neste momento. Familiarizar as equipes de resgate com as particularidades do autismo não verbal pode otimizar as estratégias de localização, focando em abordagens que respeitem suas sensibilidades e padrões de comportamento.
A mobilização comunitária em casos de desaparecimento, especialmente de crianças, é um fator de grande relevância. O envolvimento de voluntários, a divulgação ativa nas redes sociais e a colaboração entre diferentes órgãos públicos amplificam as chances de um desfecho positivo.
A esperança de encontrar João Gabriel vivo reside na persistência das buscas e na articulação de todas as frentes de atuação. A sociedade civil e as autoridades públicas unem forças em prol de um único objetivo: trazer o menino de volta para sua família em segurança.






