Um projeto inovador está transformando memórias ancestrais de comunidades quilombolas do Paraná em espetáculos teatrais e contos infantis. A iniciativa, viabilizada pela Lei de Incentivo à Cultura e com patrocínio da Via Araucária, busca preservar e disseminar o patrimônio cultural e histórico das comunidades Remanescentes Quilombolas do Feixo, Vila Esperança de Mariental e Restinga, localizadas na Lapa, Região Metropolitana de Curitiba.
O foco principal é dar voz a narrativas que, por vezes, não encontram espaço em registros formais, mas que são vivas na memória dos mais velhos e nas tradições cotidianas. A metodologia envolve a escuta atenta dos membros mais antigos dessas comunidades, que compartilham suas experiências, costumes e lembranças.
Esses relatos são, então, adaptados para uma linguagem acessível ao público infantil, transformando-se em contos e peças teatrais. O objetivo é criar uma ponte entre as gerações, permitindo que crianças e jovens conheçam e valorizem a história e a cultura de onde vieram.
A empresa Encantar Ensino e Cultura é a responsável pela execução do projeto. A organização destaca a importância de resgatar e fortalecer a identidade cultural e a ancestralidade dos quilombolas, utilizando a arte como ferramenta educativa e de conexão.
A relevância desta iniciativa reside na sua capacidade de promover o reconhecimento e a valorização das comunidades quilombolas. Ao transformar memórias em arte, o projeto garante que o legado cultural seja transmitido e perpetuado para as futuras gerações.
O ciclo da memória: da escuta ao retorno
Após a fase de coleta de depoimentos, as histórias são cuidadosamente adaptadas para formatos lúdicos e educativos. As narrativas coletadas ganham vida em espetáculos teatrais encenados gratuitamente em escolas da região, promovendo um encontro intergeracional rico em aprendizado.
A fundadora da Encantar Ensino e Cultura, Roseli Bassi, enfatiza que a paixão pelo ensino é o motor do projeto. Acreditam que cada história possui o poder de inspirar e conectar pessoas, motivando o trabalho dedicado a apresentá-las de forma criativa e envolvente.
Um diferencial marcante é o envolvimento ativo das crianças após as apresentações. Elas são convidadas a expressar suas percepções por meio de desenhos, retratando os momentos e personagens que mais as impactaram.
Essas criações visuais servem como base para o desenvolvimento de uma apostila especial. Este material será entregue aos próprios contadores de histórias, promovendo um ciclo completo de valorização, onde a memória retorna à sua origem, enriquecida pelo olhar e pela interpretação de uma nova geração.
Essa abordagem garante que as histórias não apenas sejam contadas, mas também revisitadas e reinterpretadas, fortalecendo o vínculo entre o passado, o presente e o futuro das comunidades quilombolas.
Um legado que ecoa para além das comunidades
A programação do projeto prevê uma série de apresentações em escolas da Lapa, como a Escola Municipal do Campo Martim Afonso de Souza e a Escola Municipal Campo Martim Hammerschmidt, abrangendo diversas localidades. A disseminação do conteúdo também visa alcançar um público mais amplo.
Em novembro, como parte das comemorações do Mês da Consciência Negra, está agendada uma apresentação especial em Curitiba. Este evento tem o objetivo de expandir o alcance da iniciativa, levando as histórias quilombolas para um público diversificado na capital.
Esta iniciativa representa mais do que a simples oferta de atividades culturais. É um compromisso com a preservação da memória, o fortalecimento da identidade e a promoção da educação antirracista. Ao dar palco e voz a essas narrativas, o projeto contribui ativamente para a construção de uma sociedade mais justa e consciente da sua diversidade histórica.






