Prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) se reunirão em Curitiba nesta terça-feira (16) para debater a elaboração de diretrizes e ações de prevenção e resposta a desastres climáticos extremos. O encontro, marcado pela confirmação da chegada do El Niño em aproximadamente quinze dias, visa antecipar e mitigar os impactos de eventos climáticos severos na região.
A análise recente, que confirmou oficialmente a formação do fenômeno, já aponta para reflexos observados no Oceano Pacífico equatorial. Meteorologistas do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) preveem que o estado deve sentir as mudanças a partir de julho, com estimativas de chuvas acima da média mensal até o final do ano.
A possibilidade de um El Niño muito forte, com 63% de chance entre novembro e janeiro, eleva a preocupação. Há projeções que classificam o evento de 2026 entre os mais intensos já registrados desde 1950. Essa perspectiva reforça a urgência das ações coordenadas.
O encontro, presidido pelo prefeito Eduardo Pimentel, tem como objetivo principal a formulação do Plano Estratégico de Enfrentamento ao El Niño 2026/2027. Nove prefeitos da RMC, juntamente com representantes de órgãos chave do comitê gestor especial, participarão para definir a estratégia de prevenção e resposta.
O tema central do debate será “El Niño 2026/2027 – Impactos Climáticos e Prontidão Estratégica”. Após uma apresentação do coordenador da Defesa Civil, inspetor Nelson Ribeiro, serão discutidas as responsabilidades de cada órgão nas frentes preventivas, operacionais e de comunicação. O foco é garantir a resiliência de Curitiba e sua área metropolitana.
Histórico de Eventos Extremos na Região
A necessidade de um plano robusto se fundamenta em experiências recentes. No início de 2026, a região já presenciou a ocorrência de tornados, um deles em São José dos Pinhais, na RMC, no dia 10 de janeiro. Este evento causou danos significativos a cerca de 300 residências e deixou duas pessoas feridas.
O tornado em São José dos Pinhais, classificado pelo Simepar como F2 com ventos de até 180 km/h, foi atribuído a uma combinação de fatores geográficos e climáticos. Análises sugerem que sua origem pode ter sido na área rural de Piraquara.
Especialistas apontam que a localização geográfica do Sul do Brasil o torna uma área propícia para a ocorrência de ventos extremos, como ciclones, furacões e tornados, configurando o segundo maior corredor mundial para esses fenômenos, atrás apenas do centro dos Estados Unidos.
Um estudo recente do Ministério Público de Contas (MPC) em conjunto com o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) mapeou um expressivo número de desastres no Paraná ao longo de uma década. Foram contabilizadas 5.923 ocorrências, afetando 4,5 milhões de pessoas e gerando prejuízos na ordem de R$ 32 bilhões.
A Região Metropolitana de Curitiba figura entre as mais atingidas pelo estado. Os desastres mais frequentes, como tempestades, vendavais, enxurradas e granizo, foram responsáveis por R$ 25 bilhões em perdas no período analisado, evidenciando a vulnerabilidade da região a esses eventos.
Próximos Passos e Preparação Estratégica
A reunião desta terça-feira representa um passo crucial na formalização de uma estratégia integrada. A definição de ações claras e a alocação de recursos serão determinantes para a capacidade de resposta da RMC diante das previsões de intensificação dos eventos climáticos extremos.
A colaboração entre os municípios e os órgãos estaduais, juntamente com a disseminação de informações precisas à população, são pilares fundamentais para a construção de uma defesa civil mais efetiva e para a mitigação dos impactos socioeconômicos e ambientais decorrentes do fenômeno El Niño.






