O Arcebispo Emérito de Curitiba, Dom Pedro Fedalto, faleceu no último sábado (26), aos 100 anos de idade. A notícia foi confirmada por familiares e pela Cúria Metropolitana da cidade, que emitiu uma nota de pesar e anunciou a programação de celebrações em sua memória. A partida do religioso, que completou um século de vida em 11 de agosto, marca o fim de uma era para a Igreja Católica no Paraná, onde ele atuou intensamente por décadas.
Dom Pedro Fedalto foi uma figura de notável longevidade e de grande impacto na estrutura da Igreja na região. Sua dedicação ao ministério pastoral resultou na criação de 74 novas paróquias e na ordenação de um número equivalente de padres diocesanos, expandindo o alcance da evangelização e o atendimento às comunidades católicas.
Nascido em 11 de agosto de 1926, filho de imigrantes italianos, sua trajetória religiosa começou cedo. Aos 14 anos, ingressou no Seminário Menor São José, em Curitiba, dando os primeiros passos em sua vocação. Os estudos prosseguiram com a graduação em Filosofia e Teologia no Seminário Central da Imaculada Conceição, em São Paulo.
A ordenação sacerdotal ocorreu em 6 de dezembro de 1953, na Catedral Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, sob a imposição das mãos de Dom Manuel da Silveira D’Elboux, então Arcebispo Metropolitano. Sua primeira missa solene foi celebrada dias depois na Colônia Antônio Rebouças, local de seu nascimento, um momento significativo em sua formação.
Ao longo de sua carreira eclesiástica, Dom Pedro Fedalto desempenhou diversas funções importantes. Foi Secretário Pessoal do Arcebispo, residindo na Casa Arquiepiscopal, e posteriormente Chanceler da Cúria. Nesse período, contribuiu para a memória histórica da arquidiocese com a publicação de sua primeira obra, “A Arquidiocese de Curitiba na Sua História”, em 1956.
Um legado de atuação pastoral e evangelização
A atuação de Dom Pedro Fedalto transcendeu a administração eclesial, alcançando diretamente a vida das comunidades. Sua visão estratégica para o crescimento da Igreja Católica no Paraná se materializou na fundação de dezenas de novas paróquias, um esforço que demandou planejamento, recursos e liderança para atender a uma população em expansão e a novas demandas espirituais.
A ordenação de 74 padres diocesanos é outro marco de seu episcopado, evidenciando um compromisso em formar e capacitar novos líderes religiosos. Essa ação garante a continuidade do trabalho pastoral e a renovação do clero, fortalecendo a presença da Igreja em diferentes âmbitos da sociedade e em áreas remotas.
Dom Fedalto também ocupou cargos como reitor e diretor espiritual do Seminário Rainha dos Apóstolos, além de atuar como capelão de congregações religiosas e vigário geral. Sua participação na organização do Congresso Eucarístico Nacional de 1960 demonstra sua capacidade de articulação em eventos de grande porte e relevância nacional.
Sua voz frequentemente se fez ouvir nas discussões que envolviam a cidade e o estado, posicionando-o como uma liderança influente em debates sociais e religiosos. A longevidade de seu ministério permitiu que ele acompanhasse e influenciasse transformações sociais e eclesiásticas ao longo de muitas décadas.
A Igreja Católica em Luto e a Esperança na Ressurreição
O falecimento de Dom Pedro Fedalto gera um sentimento de profundo pesar na comunidade católica paranaense. A Cúria Metropolitana de Curitiba expressou suas condolências, destacando a importância de sua longa vida e do ministério episcopal dedicado à Igreja e ao povo de Deus. Os sinos das paróquias ecoaram como um sinal de luto e de comunhão.
Em reconhecimento à sua trajetória, todas as Santas Missas celebradas neste fim de semana foram oferecidas em sufrágio por sua alma. A esperança na Ressurreição e a oração pelo descanso eterno de Dom Pedro Fedalto unem fiéis, familiares e o clero neste momento de despedida. A missa de corpo presente, marcada para segunda-feira (28), seguida do sepultamento na Catedral Basílica, será um momento de oração coletiva e de agradecimento pelo legado deixado.
A memória de Dom Pedro Fedalto será preservada não apenas pelos atos concretos de sua gestão eclesiástica, mas também pela influência que exerceu como voz ativa e guia espiritual. O consolo para os enlutados reside na fé na misericórdia divina e na certeza de que sua dedicação ao serviço será acolhida no reino celestial.






