Um significativo investimento de R$ 619 milhões, equivalente a € 100 milhões, foi viabilizado por meio de um acordo entre a prefeitura de Curitiba e o banco de desenvolvimento alemão KfW Bankengruppe. A conclusão das negociações para a formatação do contrato ocorreu recentemente, abrindo caminho para a implementação de um ambicioso programa voltado à sustentabilidade urbana.
Os fundos serão direcionados ao programa Curitiba Carbono Neutro, com o objetivo de promover estratégias eficazes de mitigação das mudanças climáticas. A iniciativa foca especificamente em duas áreas cruciais: o transporte coletivo e o uso de energia renovável.
Parte substancial do investimento será destinada à aquisição de uma nova frota de ônibus elétricos. Estes veículos serão integrados às linhas do BRT Leste/Oeste e ao sistema Interbairros II, marcando um passo importante na descarbonização do transporte público.
Adicionalmente, o projeto contempla a construção de até dois postos de recarga de alta capacidade para os coletivos elétricos. Essa infraestrutura é fundamental para garantir a operação contínua e eficiente da nova frota.
A sustentabilidade energética também é um pilar central do programa. Serão instalados painéis fotovoltaicos em 27 equipamentos públicos municipais, aproveitando a energia solar para suprir parte da demanda energética da cidade.
Complementando as ações de energia limpa, está prevista a construção da segunda fase da Pirâmide Solar de Curitiba. Este projeto visa expandir a capacidade de geração de energia solar da cidade, consolidando-a como referência em energias renováveis.
O acordo com o KfW não se limita ao financiamento principal. Prevê-se ainda € 25 milhões em contrapartidas por parte do município de Curitiba. Além disso, o banco alemão destinará uma doação de € 1,5 milhão para ações complementares.
Esses recursos adicionais serão aplicados em pesquisas e estudos inovadores. O objetivo é aprimorar continuamente o desempenho das iniciativas implementadas dentro do escopo do programa Curitiba Carbono Neutro, garantindo sua eficácia a longo prazo.
A negociação contou com a participação ativa de diversos órgãos municipais, incluindo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), a Procuradoria-Geral do Município (PGM), a Secretaria Municipal de Finanças, a Unidade Técnica Administrativa de Gerenciamento (Utag) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Houve também interação com equipes do governo federal, especificamente da Secretaria de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do Ministério do Planejamento e Orçamento (SEAID), da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Estes órgãos atuam como garantidores do financiamento, assegurando a conformidade e a segurança jurídica da operação.
Aprovacão e próximos passos
O processo para a oficialização do acordo exige uma etapa adicional de análise e aprovação. O contrato final precisa ser submetido e avaliado pelo Senado Federal. Esta validação parlamentar é um requisito legal para a autorização da assinatura do acordo.
Ana Zornig Jayme, presidente do Ippuc, destacou a importância desta etapa: “Concluímos a negociação do contrato e agora seguimos para a próxima fase, que é a análise pelo Senado Federal, necessária para autorizar a assinatura. É mais um avanço importante para viabilizar a operação.” A expectativa é que a assinatura formal ocorra até o final de 2026.
A introdução dos ônibus elétricos faz parte de um planejamento maior para a renovação da frota do transporte coletivo. Essa renovação está intrinsecamente ligada à nova concessão do sistema de transporte público, prevista para ocorrer na Bolsa de Valores de São Paulo ainda neste ano.
A autorização para buscar o financiamento junto ao KfW já havia sido concedida pela Câmara Municipal de Curitiba. Isso ocorreu mediante a aprovação da Lei Ordinária 16.543/2025, em junho do ano passado, demonstrando o apoio legislativo ao projeto de mobilidade sustentável.
Impactos e perspectivas futuras
A implementação do programa Curitiba Carbono Neutro representa um marco na política pública de sustentabilidade da cidade. A transição para uma frota de transporte público predominantemente elétrica não apenas reduz a emissão de gases de efeito estufa, mas também contribui para a melhoria da qualidade do ar nas áreas urbanas.
A integração de fontes de energia renovável, como a solar, por meio da expansão da Pirâmide Solar e da instalação de painéis em prédios públicos, fortalece a autonomia energética do município e diminui a dependência de fontes não renováveis. Essa estratégia alinha Curitiba às metas globais de descarbonização e combate ao aquecimento global.
O sucesso desta iniciativa pode servir de modelo para outras metrópoles brasileiras que buscam soluções inovadoras para seus desafios de mobilidade e sustentabilidade. A colaboração com instituições financeiras internacionais, como o KfW, demonstra a capacidade de Curitiba em atrair investimentos e expertise para projetos de grande porte e impacto social e ambiental.
A continuidade das pesquisas e estudos financiados com os recursos adicionais garantirá que as políticas implementadas sejam adaptáveis e eficientes frente às dinâmicas urbanas e climáticas em constante mudança. A visão de longo prazo é fundamental para a consolidação de um futuro mais sustentável para todos os cidadãos.






