Uma nova iniciativa legislativa na Câmara Municipal de Curitiba visa combater a cobrança ilegal e o assédio associados à atividade de “flanelinhas” em vias públicas. O projeto de lei, apresentado pelo vereador Renan Ceschin (Pode), propõe a criação de um canal oficial, com plataforma digital e aplicativo móvel, dedicado ao recebimento de denúncias sobre práticas abusivas de pessoas que, sem autorização, exigem pagamento para estacionar veículos em espaços públicos. A proposta busca oferecer um mecanismo institucional para coibir constrangimentos e extorsões, que afetam diretamente a tranquilidade e a segurança dos cidadãos.
A iniciativa surge como resposta a relatos de intimidação e ameaças, especialmente em áreas de grande circulação, como proximidades de parques, eventos esportivos e culturais. O texto legal defende que o direito de estacionar em via pública, um serviço essencial e acessível a todos, não deve ser condicionado a pagamentos indevidos ou à submissão a abordagens coercitivas. A existência desse canal oficial visa a centralizar as queixas e permitir uma ação mais efetiva do poder público.
Um dos pontos centrais da justificativa apresentada é o impacto desproporcional dessas práticas sobre o público feminino. Segundo o vereador autor do projeto, há relatos frequentes de mulheres que se sentem coagidas e amedrontadas diante de cobranças abusivas, optando por pagar valores não estipulados por receio de represálias. A proposta, portanto, posiciona o “Disque anti-flanelinha” como um instrumento de proteção e empoderamento para garantir que essas cidadãs tenham um meio seguro para reportar tais ocorrências, sem se sentirem desamparadas.
A regulamentação do novo serviço ficará a cargo do Poder Executivo municipal, que deverá estabelecer os procedimentos operacionais. Isso inclui a definição dos canais de atendimento, os fluxos de encaminhamento das denúncias e a articulação com os órgãos responsáveis pela fiscalização e aplicação das medidas cabíveis. A plataforma digital e o aplicativo prometem garantir acessibilidade e praticidade, permitindo que as denúncias possam ser feitas de forma identificada ou anônima, com a devida garantia de sigilo.
Essa centralização de informações é vista como fundamental para otimizar a atuação do poder público. Ao reunir dados sobre as ocorrências, torna-se possível identificar padrões geográficos e temporais, direcionando de forma mais precisa as ações de segurança urbana e fiscalização. O objetivo é criar um ambiente urbano mais seguro e ordenado, onde o exercício de direitos básicos, como o uso do espaço público para estacionamento, seja livre de qualquer tipo de coação.
O projeto de lei, que tramita na Câmara Municipal, aguarda os trâmites técnicos e a apreciação pelas comissões temáticas antes de seguir para votação. A expectativa é que, uma vez aprovado e regulamentado, o “Disque anti-flanelinha” se torne uma ferramenta eficaz no combate a práticas que geram insegurança e lesam o direito de ir e vir dos munícipes.
Abordagem da Lei e Regulamentação Municipal
A proposta legislativa não se limita a apenas criar um canal de denúncias, mas também estabelece a necessidade de uma regulamentação detalhada por parte da Prefeitura. Este passo é crucial para garantir que o sistema funcione de maneira eficiente e que as denúncias recebidas sejam devidamente processadas e investigadas. A definição de fluxos claros para o encaminhamento das queixas é essencial para que o cidadão veja seu relato se converter em ação concreta.
A interface digital, acessível por meio de site oficial e aplicativo móvel, visa a democratizar o acesso ao serviço, permitindo que um número maior de pessoas possa reportar irregularidades de forma rápida e segura. A garantia de anonimato nas denúncias é um componente importante, pois incentiva a participação de cidadãos que poderiam se sentir receosos em se identificar, potencializando a coleta de informações relevantes para a fiscalização.
A atuação conjunta entre a legislação municipal e a implementação prática pelo Executivo é fundamental para que a iniciativa atinja seus objetivos. A fiscalização e a aplicação de sanções conforme a legislação vigente são partes integrantes do processo, garantindo que as ações dos “flanelinhas” que extrapolam os limites legais sejam devidamente reprimidas, inibindo comportamentos abusivos e garantindo a ordem pública em Curitiba.
Impacto Social e Direitos Fundamentais
A iniciativa vai além de uma simples questão de ordem pública, tocando em aspectos importantes relacionados aos direitos fundamentais do cidadão. O direito de circular livremente, de utilizar o espaço público sem constrangimento e de não ser extorquido são garantias que devem ser asseguradas a todos. Ao coibir a ação de “flanelinhas” que exercem cobranças ilegais, o projeto visa a restabelecer a normalidade e a segurança em áreas de uso comum.
A percepção de insegurança gerada por abordagens agressivas ou intimidadoras pode desencorajar o uso de espaços públicos, afetando a vida social e o lazer dos munícipes. Portanto, a criação de um mecanismo eficaz para denúncias e a consequente atuação dos órgãos de segurança e fiscalização são elementos essenciais para a construção de uma cidade mais acolhedora e segura para todos. A proteção, especialmente de grupos mais vulneráveis, como as mulheres, é um pilar central dessa proposta.
A valorização da cidadania ativa, incentivada pela possibilidade de denúncia, contribui para uma relação mais transparente e participativa entre o poder público e a população. Ao oferecer ferramentas para que os cidadãos possam reportar irregularidades, o município demonstra compromisso com a saúde pública e o bem-estar de seus habitantes, combatendo práticas que geram estresse e insegurança.






