Um ato público em memória das vítimas de feminicídio no Paraná está agendado para a próxima quinta-feira (1º), em Curitiba. A iniciativa, intitulada “Caminhada pela Vida das Mulheres Paranaenses”, visa destacar a urgência de medidas eficazes para combater a violência de gênero no estado. Familiares de vítimas notórias, como Odara Victor Moreira e Rachel Genofre, confirmaram presença no evento.
A mobilização contará com a participação simbólica de 55 mulheres, que caminharão em silêncio. Cada participante ostentará uma cruz, representando as 55 vidas perdidas para o feminicídio no Paraná apenas no primeiro semestre de 2026. O silêncio proposital da caminhada reforça a mensagem sobre a gravidade da perda e a necessidade de ações concretas.
A concentração está marcada para o Centro Cívico, em frente à Prefeitura de Curitiba. O ato tem como objetivo sensibilizar a sociedade e as autoridades sobre a escalada da violência contra as mulheres e a necessidade de aprimoramento das políticas públicas existentes.
Ao término da manifestação, será protocolada uma carta-compromisso direcionada ao Governo do Paraná. Este documento apresentará uma série de reivindicações, incluindo o fortalecimento da rede de proteção às mulheres, a implementação efetiva de políticas públicas de prevenção e combate à violência, a alocação de recursos financeiros adequados e a garantia de fiscalização rigorosa das ações propostas.
Homenagens e Luta por Justiça
Para além da contagem dos 55 feminicídios registrados nos primeiros seis meses deste ano, a caminhada prestará uma homenagem especial a Odara Victor Moreira. Militante feminista e antirracista, Odara era trabalhadora da APP-Sindicato e foi brutalmente assassinada pelo ex-companheiro em dezembro de 2025, em Curitiba. Sua história emblemática ressalta a brutalidade e a recorrência da violência doméstica.
Outra figura central na homenagem é Rachel Genofre, vítima de feminicídio e violência sexual em Curitiba quando tinha apenas 9 anos. O corpo da menina foi encontrado na Rodoferroviária da capital. O caso permaneceu sem solução por quase uma década, até que a Polícia Civil conseguiu elucidar o crime em 2019. A memória de Rachel evoca a vulnerabilidade de crianças e adolescentes e a importância da investigação célere e eficaz.
A Importância de Políticas Públicas Robustas
A realização de atos como a “Caminhada pela Vida das Mulheres Paranaenses” é fundamental para manter a questão do feminicídio na agenda pública. A sociedade civil organizada, por meio de manifestações e proposições, desempenha um papel crucial na cobrança por políticas públicas mais eficientes e no aprimoramento dos mecanismos de proteção às mulheres em situação de risco.
A articulação entre o poder público, a sociedade civil e os órgãos de segurança é essencial para reverter o cenário de violência. Investir em programas de conscientização, apoio psicológico e jurídico às vítimas, treinamento de profissionais e fortalecimento da rede de proteção são passos indispensáveis para garantir que mais vidas não sejam ceifadas pela violência de gênero. A busca por justiça e a prevenção devem ser prioridades absolutas.





