Cidade do Litoral do Paraná simula evacuação em caso de inundação

🕓 Última atualização em: 23/05/2026 às 16:43

Um simulado de evacuação foi realizado no bairro Jagatá, em Antonina (PR), região de mangue e considerada de alta vulnerabilidade a inundações. A iniciativa, que envolveu 23 residências e cerca de 53 moradores, testou a capacidade de resposta das autoridades e a preparação da comunidade para eventos climáticos extremos. O exercício contou com a participação de aproximadamente 50 profissionais, incluindo equipes da Defesa Civil estadual e municipal, Corpo de Bombeiros, voluntários da Rede Estadual de Emergência de Radioamadores (REER) e representantes de secretarias locais.

A ação visa preparar o Paraná para os impactos do fenômeno El Niño, que pode intensificar chuvas e aumentar o risco de desastres naturais como inundações e deslizamentos. A Defesa Civil Estadual tem focado em munícípios com alto índice de risco, buscando aprimorar os planos de contingência e a atuação integrada entre os órgãos de resposta.

A escolha do bairro Jagatá não foi aleatória. Uma avaliação recente revelou poucas informações sobre a dinâmica de risco local, onde a proximidade com a baía e a natureza do terreno tornam a população suscetível a inundações durante períodos de chuvas intensas e marés altas. Situações anteriores já deixaram moradores ilhados, evidenciando a urgência de ações preventivas.

O exercício começou com o acionamento das equipes, simulando a necessidade de resgate de uma pessoa com dificuldade de locomoção, com o suporte de uma ambulância. A operação permitiu calcular o tempo de deslocamento e acesso ao local, além de familiarizar os profissionais com as particularidades do terreno. O objetivo foi garantir uma resposta mais efetiva em casos reais de emergência.

Após serem instruídos a se dirigir a um ponto de encontro pré-determinado na rua principal, os moradores foram transportados em ônibus para um abrigo seguro na Escola Municipal Gil Feres. No local, além de serem cadastrados, receberam orientações essenciais sobre como identificar sinais de perigo iminente e adotar medidas de segurança antes que uma situação se agrave.

Avaliação e Aprimoramento de Protocolos

O capitão Dhieyson Budernik, coordenador do 6º Núcleo de Atuação Regional da Defesa Civil Estadual, destacou a importância do simulado para testar a capacidade de acesso à comunidade em eventos de alagamento. A experiência prática permitiu uma compreensão aprofundada do plano de contingência e da colaboração entre as secretarias municipais.

Sidnei Train, secretário municipal da Defesa Civil, reforçou que o levantamento recente identificou a vulnerabilidade específica do bairro Jagatá. A prioridade foi dada a este local devido ao histórico de situações de risco, que exigem a preparação intensiva dos moradores para futuras ocorrências. A iniciativa busca não apenas a preparação, mas também a capacitação da comunidade.

O tenente Alexandre de Moraes, comandante do Corpo de Bombeiros de Antonina, enfatizou que o simulado foi crucial para medir o tempo de resposta das equipes e o conhecimento do terreno. Essa familiaridade é um fator determinante para uma atuação mais eficiente e segura em cenários de desastre.

Carlos Alberto, morador do bairro há seis anos e originário de Curitiba, expressou gratidão pelas orientações recebidas. Ele já presenciou alagamentos, deslizamentos e temporais com destelhamento de casas. Agora, com o conhecimento adquirido, ele se sente mais preparado para auxiliar em resgates, orientar outros moradores e contribuir para a segurança coletiva.

Memória e Prevenção: O Legado de 2011

Antonina carrega as cicatrizes do desastre conhecido como “Águas de Março” em 2011, um dos maiores eventos climáticos do Litoral paranaense. Na ocasião, um volume concentrado de chuvas provocou inundações, alagamentos e deslizamentos devastadores.

A tragédia de 2011 impactou diretamente 1.281 residências, das quais 287 precisaram ser evacuadas. O número de desabrigados chegou a 1.160, enquanto 8.172 pessoas foram desalojadas. A infraestrutura básica, como o abastecimento de água e energia elétrica, também sofreu severos danos, demonstrando a fragilidade da região frente a eventos extremos.

A memória desse evento serve como um poderoso motivador para as atuais ações de prevenção e preparação. A Defesa Civil e os órgãos de segurança pública reconhecem que a resiliência comunitária é um pilar fundamental na mitigação dos impactos de desastres naturais.

Portanto, iniciativas como o simulado em Jagatá não são meros exercícios, mas sim investimentos estratégicos na segurança e no bem-estar da população. A integração entre o poder público e a comunidade é essencial para construir um futuro mais seguro e preparado para os desafios climáticos.

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