O Paraná registra uma expressiva queda nos casos de incêndio em áreas de vegetação neste início de inverno, alcançando os menores índices desde 2018. Os dados, divulgados pelo Corpo de Bombeiros, indicam uma redução próxima de 50% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esta diminuição é atribuída, em grande parte, às condições meteorológicas favoráveis, com previsão de um inverno mais chuvoso.
Entre 21 de junho e 8 de julho, foram contabilizados 106 focos de incêndio em vegetação no estado. No ano passado, o mesmo intervalo registrou 211 ocorrências. Essa redução significativa coloca 2024 em um patamar historicamente baixo, contrastando com anos como 2018 e 2023, que apresentaram números consideravelmente mais elevados de queimadas.
A média diária de incêndios neste período caiu para cerca de seis, um número substancialmente menor quando comparado a anos anteriores, onde a média oscilava entre 12 e impressionantes 61 ocorrências por dia.
Impacto do Fenômeno El Niño na Prevenção de Queimadas
As condições climáticas deste ano são particularmente influenciadas pelo fenômeno El Niño. Tradicionalmente, o inverno é a estação mais seca do ano, propiciando um cenário de maior risco para incêndios florestais. Contudo, as projeções para 2024 apontam para volumes de chuva acima da média, alterando essa dinâmica.
O aquecimento das águas do Oceano Pacífico, característica do El Niño, afeta a circulação atmosférica global, modificando os padrões de chuva. No Paraná, a expectativa é de um aumento na frequência de chuvas e na atuação de sistemas frontais, o que contribui diretamente para a diminuição da incidência de queimadas.
A capital, Curitiba, já reflete essa mudança. Desde o início do inverno, a cidade acumulou 83,8 milímetros de chuva, o maior volume registrado para o início da estação desde 2018. Este dado reforça a tendência de um inverno mais úmido, um fator crucial para a redução do risco de incêndios em vegetação.
Desafios e Estratégias para um Inverno Chuvoso
Apesar do alívio com a redução das queimadas, o volume de chuvas acima do esperado também suscita preocupações sobre outros riscos associados. A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) programou um evento de trabalho para debater o tema, intitulado “El Niño no Paraná: prevenção, cenários e desafios”, agendado para o dia 13 de julho.
A discussão visa aprofundar a compreensão sobre os impactos previstos do El Niño no estado e traçar estratégias de prevenção diante do cenário de chuvas intensas. A expectativa é de que o fenômeno se desenvolva em intensidade moderada a forte, elevando a probabilidade de ocorrências como enchentes, alagamentos, vendavais e deslizamentos de terra, especialmente entre setembro e dezembro.
A nota técnica conjunta do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) e da Defesa Civil Estadual ressalta a necessidade de atenção redobrada. A gestão de riscos se torna um ponto central, exigindo planejamento e resposta eficazes para mitigar os efeitos adversos do clima, mesmo em um contexto onde o combate a incêndios tem apresentado resultados positivos.






