Um documentário produzido pela emissora pública japonesa NHK tem colocado as capivaras de Curitiba em evidência internacional. Exibido em rede nacional no Japão, o filme aborda a peculiar adaptação desses mamíferos semiaquáticos ao ambiente urbano da capital paranaense, explorando sua rotina nos parques e os desafios que enfrentam. A produção destaca a coexistência entre a fauna e a vida citadina, um tema de crescente relevância na gestão de políticas públicas voltadas à conservação e ao manejo de vida selvagem em centros urbanos.
A iniciativa do documentário partiu do fotógrafo e pesquisador japonês Namiki Matsushima, especialista em capivaras. Sua paixão pela espécie e sua observação da dinâmica urbana em Curitiba o levaram a um longo processo de negociação com a NHK, demandando cerca de dois anos para concretizar o projeto audiovisual. A articulação com as autoridades municipais foi fundamental para viabilizar as gravações.
A equipe de produção, composta pelo diretor Yoshihisa Terakita, o cinegrafista Hidekazu Sasaki e a tradutora brasileira Clarice Kimoto, esteve em Curitiba durante um período de aproximadamente um mês. O apoio do Departamento de Pesquisa e Conservação da Fauna da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) foi crucial, fornecendo informações detalhadas sobre o comportamento dos animais e acompanhando atividades de monitoramento.
Edson Evaristo, diretor de Pesquisa e Conservação da Fauna da SMMA, ressaltou a importância da produção para divulgar o trabalho municipal. Ele enfatizou a oportunidade de demonstrar a atuação da secretaria no cuidado com a fauna e as parcerias estabelecidas no manejo e vigilância de zoonoses, aspectos essenciais para a saúde pública e a segurança ambiental.
O Monitoramento Científico e a Coexistência Urbana
As filmagens capturaram ações de monitoramento científico, como a utilização de coleiras com GPS em um casal de capivaras. Essa tecnologia permitiu rastrear seus deslocamentos e entender melhor seus padrões de movimento em áreas urbanizadas. Tais iniciativas são parte de uma estratégia contínua de acompanhamento da população de capivaras na cidade.
Outra atividade registrada foi a coleta de carrapatos no Parque Barigui. Este procedimento sanitário não visa apenas a saúde dos animais, mas também a prevenção de doenças como a febre maculosa, uma preocupação constante em áreas onde a interação homem-animal é intensa. O controle de parasitas é um componente vital das políticas de saúde pública em áreas com presença de fauna silvestre.
Dados de um censo concluído em 2025 revelam a presença de 305 capivaras distribuídas por diversos parques de Curitiba. Essa contagem abrange áreas como os parques Barigui, Tanguá, Tingui, Náutico, São Lourenço, Passaúna, Cambuí e Guairacá, demonstrando a ampla distribuição desses animais. A manutenção dessas populações em ambientes urbanos reflete a eficácia das estratégias de conservação locais.
A gestão municipal enfatiza a importância do respeito à vida selvagem. As capivaras, embora sociáveis e tolerantes à presença humana, não são animais domesticados. Portanto, recomenda-se que os frequentadores dos parques mantenham uma distância segura, evitando qualquer tentativa de contato físico ou de aproximação excessiva. Essa conduta é fundamental para garantir o bem-estar dos animais e a segurança das pessoas.
A alimentação inadequada representa um risco significativo para a saúde das capivaras. Os animais possuem uma dieta natural e equilibrada, baseada nos recursos disponíveis em seus habitats. Oferecer alimentos humanos pode causar desequilíbrios nutricionais e problemas de saúde. A orientação é clara: observar e registrar a fauna à distância, sem interferir em seus comportamentos e hábitos naturais. Esta abordagem assegura a integridade ecológica e a segurança sanitária.
Repercussão Internacional e o Diálogo Intercultural
A exibição do documentário no Japão, realizada em 18 de outubro, marcou o início da divulgação internacional. A produção da NHK não apenas celebra a rica biodiversidade urbana de Curitiba, mas também serve como uma ponte cultural, apresentando a realidade da vida selvagem em metrópoles a um público global. Este intercâmbio de informações contribui para a troca de experiências em manejo ambiental e educação para a conservação.
Para o público brasileiro, o documentário está acessível através da NHK World Premium. Uma reprise foi programada para o dia 23 de outubro, com transmissão no horário de Brasília, permitindo que mais pessoas apreciem a fascinante adaptação das capivaras em um contexto urbano. A divulgação em diferentes plataformas amplia o alcance da mensagem sobre a importância da coexistência harmoniosa entre humanos e a natureza.
A presença de animais como as capivaras em parques urbanos é um indicador da qualidade ambiental e da eficácia das políticas de preservação. A documentação dessa realidade por uma emissora de alcance mundial valida os esforços de Curitiba em conciliar o desenvolvimento urbano com a conservação da fauna, servindo como um modelo para outras cidades que buscam integrar biodiversidade em seus planejamentos.






