Caminhada nacional de multivacinação começa nesta segunda com foco em atualizar carteirinhas

🕓 Última atualização em: 02/08/2026 às 20:27

A Campanha Nacional de Multivacinação inicia em todo o Brasil, oferecendo um leque ampliado de imunizantes para crianças e adolescentes com até 14 anos, 11 meses e 29 dias. A iniciativa, que visa reforçar as defesas da população jovem contra diversas doenças, ocorrerá até o início de setembro, com um dia de mobilização intensificada previsto para meados de agosto. A antecipação desta campanha em relação a anos anteriores está relacionada ao calendário eleitoral, buscando otimizar a logística e o alcance.

O rol de vacinas disponíveis abrange desde a BCG e a pentavalente até imunizantes contra poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, hepatites A e B, rotavírus, influenza, coronavírus, febre amarela, varicela e HPV. A diversidade de coberturas reflete a preocupação em garantir a proteção integral contra enfermidades infecciosas que podem ter sérias consequências para a saúde pública e individual.

Avanços na Proteção contra a Poliomielite

Um dos focos centrais da campanha deste ano é o reforço na vacinação contra a poliomielite, com a introdução de um segundo reforço para crianças de quatro anos de idade. A aplicação será feita através da Vacina Inativada Poliomielite (VIP), administrada por via intramuscular, substituindo a antiga vacina oral, conhecida popularmente como “gotinha”. Essa transição para a VIP já vinha sendo implementada gradualmente e alinha o país às recomendações globais da Organização Mundial da Saúde (OMS) na busca pela erradicação definitiva da doença.

A VIP, por utilizar vírus inativados, oferece um perfil de segurança aprimorado, eliminando o risco de poliovírus derivado da vacina, um evento raro, porém possível, associado à versão oral. O esquema vacinal completo contra a poliomielite compreende três doses iniciais da VIP, administradas aos dois, quatro e seis meses de vida, seguidas por dois reforços, um aos 15 meses e o novo reforço aos quatro anos. O objetivo é atingir coberturas vacinais elevadas, idealmente acima de 95%, para garantir a imunidade de rebanho e proteger os mais vulneráveis.

A poliomielite é uma doença viral severa, de fácil contágio, que pode resultar em paralisia permanente, especialmente nos membros inferiores, e, em casos extremos, levar à morte. Não há tratamento específico para a doença, tornando a vacinação a única ferramenta de prevenção eficaz. O Brasil é considerado uma área livre da circulação do poliovírus selvagem desde 1994, um marco histórico que a manutenção de altas coberturas vacinais é fundamental para preservar.

Combate Intensificado ao Sarampo em Áreas Críticas

Paralelamente à multivacinação geral, algumas regiões metropolitanas enfrentarão uma estratégia específica de vacinação contra o sarampo. Cidades como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo terão uma campanha intensificada, vacinando indiscriminadamente indivíduos de seis meses a 59 anos contra a doença, independentemente de seu histórico vacinal prévio. Essa abordagem visa cobrir lacunas na imunização e reverter a circulação do vírus em áreas com alta densidade populacional e intensa mobilidade.

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas conhecidas, transmitida facilmente pelo ar e capaz de causar surtos rápidos e extensos. Seus sintomas incluem febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e o característico exantema avermelhado na pele. A vigilância epidemiológica tem detectado casos nessas regiões, o que justifica a medida emergencial para evitar a propagação em larga escala.

A recomendação de “dose zero” para bebês entre seis meses e quase um ano de idade será mantida nessas localidades. Para o restante do país, o esquema vacinal rotineiro contra o sarampo permanece com duas doses da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses, que inclui a vacina contra a varicela. Profissionais de saúde e pessoas de diferentes faixas etárias também possuem esquemas específicos recomendados para garantir a proteção individual e coletiva.

A vacinação é um dos pilares da saúde pública e uma intervenção de comprovada eficácia na prevenção de doenças infecciosas. A participação ativa da população nas campanhas de imunização é crucial para a manutenção de um país livre de doenças como a poliomielite e para o controle de enfermidades como o sarampo, protegendo não apenas os indivíduos, mas também a comunidade como um todo.

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