Café de Apucarana ganha selo de origem e pode ter valor dobrado

🕓 Última atualização em: 17/07/2026 às 19:44

A primeira colheita oficial do Café Serra de Apucarana após a conquista da Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem (DO), marca um momento crucial para os produtores locais. O reconhecimento, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em janeiro deste ano, atesta e certifica as qualidades intrínsecas e únicas deste café, impulsionando seu valor no mercado.

A certificação não é apenas um selo de qualidade, mas uma ferramenta estratégica para o fortalecimento da comercialização do café especial. Ela confere à bebida uma identidade reconhecida em âmbito nacional, abrindo portas para novas oportunidades comerciais e agregando valor significativo ao produto final.

Para ostentar a chancela da Denominação de Origem, os cafeicultores são submetidos a um protocolo de qualidade rigoroso. Este abrange todas as fases da produção, desde o cultivo nos cafezais até o processo final de torra, garantindo a consistência e a excelência que definem o Café Serra de Apucarana.

O secretário municipal de Agricultura, Wendel Meta, ressalta a importância do cumprimento estrito dos critérios técnicos e dos elevados padrões de higiene. Estes são exigidos em cada etapa, desde o plantio e manejo das lavouras até os procedimentos de pós-colheita.

“O café especial demanda um cuidado minucioso. Desde a colheita, que pode ser realizada manualmente no pano ou mecanizada, até a torra, que deve ser mantida em um nível médio para preservar o sabor autêntico do grão, tudo segue um padrão rigoroso de higiene. Esse esmero se reflete no valor, com o selo podendo até dobrar o preço de venda do café especial. Agora, a expectativa é que o clima colabore até agosto para finalizarmos a colheita com sucesso”, pontuou o secretário.

Fatores geoclimáticos e o perfil sensorial

As especificações aprovadas pelo INPI detalham as características sensoriais que distinguem o Café Serra de Apucarana. Ele é reconhecido por um sabor frutado marcante, com sutis notas que remetem a frutas amarelas e vermelhas, complementado por toques de melaço e uma acidez bem equilibrada.

Esses atributos sensoriais são uma consequência direta das condições geográficas e climáticas da região. A combinação de altitudes superiores a 800 metros, temperaturas amenas, regime de chuvas favorável, solos férteis e a presença constante de ventos cria um microclima ideal. Esse ambiente promove um amadurecimento lento e uniforme dos frutos, favorecendo o desenvolvimento de compostos aromáticos mais complexos e ricos.

A distinção da Denominação de Origem se baseia justamente na relação intrínseca entre o terroir e a qualidade do produto. A preservação dessas características naturais é fundamental para a manutenção da reputação e do valor do café.

A área geográfica abrangida pela Denominação de Origem engloba três municípios: Apucarana, Arapongas e Cambira. A expectativa dos produtores é que, com o selo, o café especial da região conquiste uma maior penetração no mercado, fortalecendo a economia local e a cadeia produtiva da cafeicultura.

O caminho para a certificação e o futuro da produção

A obtenção da Indicação Geográfica é um processo que exige a comprovação da origem e da qualidade específica de um produto, ligada às suas características geográficas e aos métodos de produção tradicionais ou singulares.

No caso do Café Serra de Apucarana, a certificação garante que os consumidores estão adquirindo um produto com atributos únicos, resultantes de um conjunto de fatores naturais e humanos específicos daquela localidade. Isso diferencia o produto de outros cafés genéricos no mercado.

Este reconhecimento estimula a adoção de práticas agrícolas sustentáveis e o investimento em tecnologias que preservem a qualidade, ao mesmo tempo em que promove o desenvolvimento socioeconômico das regiões produtoras. A IG atua como um vetor de desenvolvimento rural.

A conquista da DO pelo Café Serra de Apucarana é um exemplo do potencial da valorização de produtos regionais. A sustentabilidade e a rastreabilidade tornam-se pilares essenciais para o sucesso a longo prazo, assegurando a continuidade da qualidade e o reconhecimento do consumidor.

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