Aluguel sobe e imóveis próprios perdem espaço no mercado brasileiro

🕓 Última atualização em: 30/04/2026 às 02:53

O mercado de locação de imóveis no Brasil consolidou seu crescimento, ultrapassando a esfera de uma tendência passageira para se firmar como um pilar da habitação. Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), compilados em 2025, revelam um aumento expressivo de 54,1% no número de domicílios ocupados por meio de contratos de aluguel entre 2016 e 2025. Essa expansão elevou o total de unidades locadas para 18,9 milhões, configurando que aproximadamente um quarto de todas as residências no país são atualmente ocupadas por inquilinos.

Paralelamente a esse avanço, a proporção de imóveis próprios já quitados registrou uma queda. Embora o número absoluto de casas próprias pagas tenha, de fato, crescido durante o período, o seu ritmo de expansão foi significativamente menor quando comparado ao do mercado de locação. Essa dinâmica alterou a paisagem do setor imobiliário, impulsionando a oferta de produtos e serviços financeiros e securitários.

Seguro-fiança, garantias locatícias, seguros contra sinistros e consórcios passaram a compor uma cadeia de valor cada vez mais integrada. Essa nova configuração envolve proprietários, inquilinos, corretores e administradoras de imóveis em um ecossistema de negócios em expansão.

É neste cenário de profissionalização e diversificação de serviços associados à locação que empresas como a Megasegur, uma corretora de seguros com atuação nacional e sede no Recife, buscam otimizar sua atuação. Em 2025, a empresa registrou um volume de negócios superior a R$ 100 milhões, distribuídos entre seguros (mais de R$ 60 milhões) e consórcios (cerca de R$ 50 milhões).

A Inovação no Modelo de Negócios para Imobiliárias

A estratégia atual da Megasegur concentra-se em expandir sua estrutura para o ambiente das imobiliárias através de um modelo de franquia. Essa iniciativa visa integrar soluções financeiras e securitárias diretamente na rotina desses profissionais, sem desviar o foco de suas atividades centrais de intermediação imobiliária. A proposta é permitir que as imobiliárias incorporem e ofereçam esses produtos.

A lógica por trás dessa abordagem reside na posição estratégica que as imobiliárias já ocupam na cadeia de locação. Elas são o ponto de contato inicial, conectando proprietários a inquilinos e gerenciando todo o processo de negociação. Ao oferecerem produtos como seguro-fiança, seguro contra incêndio e consórcios, as imobiliárias podem agregar valor ao seu serviço e, potencialmente, reter parte das receitas geradas por essas operações, em vez de direcioná-las integralmente a terceiros.

Ângela de Paula, fundadora da Megasegur, destaca que o crescimento do mercado de locação impulsiona toda a cadeia de serviços correlatos. Para ela, a imobiliária pode transcender o papel de mera intermediária, enriquecendo seu relacionamento com clientes e oferecendo soluções que são intrinsecamente ligadas à contratação de um aluguel.

A urbanização crescente e a verticalização das cidades também contribuem para essa tendência. Dados do IBGE indicam que, em 2025, os apartamentos representavam 17,1% dos domicílios brasileiros, totalizando 13,6 milhões de unidades. O crescimento no número de apartamentos entre 2016 e 2025 foi de 48,7%, superando a expansão observada em residências unifamiliares.

Esse movimento, segundo a empresa, tende a aprofundar a profissionalização do setor de locação. Consequentemente, a demanda por soluções que garantam maior segurança para todas as partes envolvidas – proprietários, inquilinos e administradoras – tende a aumentar. O modelo de franquia proposto pela Megasegur busca posicionar seu portfólio de produtos de forma mais acessível às imobiliárias e seus corretores.

A Locação como Nova Fronteira de Receita

A tese defendida pela Megasegur é que o aluguel deixou de ser uma mera alternativa à aquisição de um imóvel. Com quase 19 milhões de domicílios ocupados por locatários, a locação se estabeleceu como um novo e promissor território para a geração de receita dentro do mercado imobiliário. A expansão desse mercado abre espaço para diversas modalidades de negócios e serviços.

A competição por capturar o valor gerado nessa cadeia se intensifica. Seguradoras, instituições financeiras, corretoras, empresas de tecnologia imobiliária (proptechs) e as próprias imobiliárias estão disputando uma fatia desse mercado em crescimento. A diversificação de serviços e a oferta de soluções integradas tornam-se diferenciais competitivos cruciais neste novo panorama.

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