Aeroporto Afonso Pena ganha segunda pista após três décadas

🕓 Última atualização em: 10/08/2026 às 13:47

Uma etapa crucial para a expansão da infraestrutura aeroportuária paranaense foi concluída. O Instituto Água e Terra (IAT), órgão do Governo do Estado, emitiu a licença de instalação para a construção da terceira pista de pouso e decolagem no Aeroporto Internacional Afonso Pena, localizado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A aprovação ambiental encerra um ciclo de espera de mais de três décadas e autoriza o início dos trabalhos pela concessionária Motiva.

A nova pista, com 3.000 metros de extensão e 45 metros de largura, é projetada para elevar significativamente a capacidade operacional do terminal. A estrutura contará ainda com acostamentos pavimentados de 7,5 metros em cada lado, plataformas de contenção de jato de motores nas cabeceiras, áreas de segurança de fim de pista (RESA) e seis novas pistas de taxiamento. Essas especificações técnicas visam garantir operações mais seguras e eficientes.

A ampliação é estratégica para eliminar as restrições atuais impostas pela altitude do aeroporto, que fica a 911 metros acima do nível do mar. Essa elevação, combinada com as pistas existentes, limita a capacidade de pouso e decolagem de aeronaves de grande porte que necessitam de máximo combustível. A nova pista permitirá que esses voos partam com a carga total de combustível, sem a necessidade de escalas técnicas para reabastecimento.

O investimento previsto pela concessionária Motiva para a implantação da nova pista é de aproximadamente R$ 800 milhões. Além da nova pista, o Governo do Paraná destinará cerca de R$ 200 milhões, em convênio com a Prefeitura de São José dos Pinhais, para obras complementares. Essas intervenções incluem melhorias viárias, como novas rotatórias e adequações no sistema de acesso e sinalização, essenciais para o suporte ao complexo aeroportuário em expansão.

Impactos Econômicos e Logísticos da Nova Pista

A expectativa é que a expansão do Aeroporto Afonso Pena impulsione de forma expressiva a logística de cargas. O terminal paranaense já se destaca como o maior da Região Sul e o quinto do país em movimentação de cargas. Com a nova infraestrutura, espera-se otimizar o transporte de matérias-primas e produtos acabados, beneficiando a indústria local e regional. A diretora de Negócios da Motiva, Monique Henriques, enfatiza o potencial de impulsionar o setor de cargas e destravar o turismo de negócios e lazer.

A ampliação das conexões internacionais é outro benefício apontado. Voos intercontinentais diretos para a Europa e Estados Unidos tornam-se uma possibilidade real, fortalecendo o Paraná como um hub estratégico. O governador Ratinho Junior destaca que a nova pista não apenas beneficiará o turismo, mas também a indústria, ao facilitar a importação de componentes e a exportação de produtos, aumentando a eficiência do setor produtivo.

Para o município de São José dos Pinhais, a obra representa um forte estímulo econômico, com a geração estimada de 1.000 empregos diretos durante a fase de construção. A prefeita Nina Singer ressalta a importância para o polo industrial local e para o desenvolvimento turístico. A integração da Região Metropolitana de Curitiba também é fortalecida, conforme salientado pelo prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, que vê na expansão um reforço na vocação internacional da capital paranaense.

Condicionantes Ambientais e Próximos Passos

A licença de instalação emitida pelo IAT estabelece uma série de condicionantes ambientais rigorosas. Durante toda a execução das obras, serão realizados programas permanentes de monitoramento de águas subterrâneas, recuperação de áreas degradadas e gerenciamento de riscos ambientais. O controle da drenagem, monitoramento da fauna, gestão de resíduos sólidos, acompanhamento da qualidade do ar e controle de emissões de poeira e ruído são outras medidas previstas.

A proteção dos recursos hídricos e a mitigação de impactos ambientais resultantes das intervenções são prioridades. O secretário do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza, ressaltou a complexidade do processo de licenciamento, garantindo que ele foi conduzido de forma a assegurar a segurança para que o investimento seja realizado de maneira correta e sustentável. A emissão desta licença marca o fim de uma longa espera e o início de uma nova era para a infraestrutura aeroportuária do Paraná.

Para que a nova pista possa entrar em operação, será necessária a emissão da Licença de Operação, também concedida pelo IAT. Este documento final atestará o cumprimento de todas as obras e das condicionantes ambientais estabelecidas, autorizando formalmente o funcionamento da nova estrutura. A fiscalização das obras caberá à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), garantindo a conformidade com as normas do setor aeronáutico.

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