Uma exposição singular, composta por cinco mil origamis de tsurus, aves símbolos de esperança e longevidade na cultura japonesa, foi aberta no Aeroporto Afonso Pena. A instalação artística, que integra a iniciativa do Setembro Verde, dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos, busca dar visibilidade às mais de cinco mil pessoas que aguardam por um transplante no Paraná.
A ação visa sensibilizar o público sobre a importância de manifestar o desejo de ser um doador de órgãos. A exposição fica disponível para visitação até 21 de outubro, promovendo um espaço de reflexão em um local de grande circulação de pessoas.
A escolha dos tsurus não é aleatória. Na tradição oriental, dobrar mil deles é um pedido por cura, paz e longevidade. A arte, portanto, materializa a esperança de pacientes e familiares que dependem de um transplante para a continuidade da vida.
O cenário atual dos transplantes no Paraná revela um panorama de desafios e conquistas. Dados recentes apontam para uma lista de espera significativa, contrastando com a dedicação e a expertise de instituições como o Hospital Angelina Caron (HAC), que acumula uma vasta experiência na área.
Trajetória de Sucesso em Transplantes
Desde 2001, o Hospital Angelina Caron tem se destacado como um centro de excelência em transplantes no estado. Até agosto de 2026, a instituição celebrou a realização de 3.401 procedimentos, demonstrando um compromisso contínuo com a oferta de novas chances de vida aos pacientes.
Neste ano, até a mesma data, o HAC já contabilizou 98 transplantes, abrangendo uma diversidade de órgãos e tecidos. Entre os procedimentos realizados estão transplantes de rim, fígado, coração, pâncreas-rim e medula óssea, além de córneas. O transplante renal intervivos também figura entre as conquistas do hospital.
A unidade reconfigurou o panorama dos transplantes em 2026 com 34 transplantes renais, 24 hepáticos e 20 de medula óssea. Os quatro transplantes cardíacos realizados neste período sublinham a complexidade e a relevância dos serviços oferecidos.
Em 2025, o Paraná registrou um total expressivo de 2.255 transplantes de órgãos e tecidos, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes. A quantidade de transplantes renais alcançou 460, enquanto o fígado somou 293. O coração registrou 31 transplantes, as córneas 1.066 e a medula óssea 405.
A taxa de doadores efetivos por milhão de habitantes no estado em 2025 atingiu 38,9, posicionando o Paraná em segundo lugar nacional. Este índice é quase o dobro da média brasileira, que foi de 20,3, evidenciando a expressiva adesão e o sucesso das campanhas de doação.
A Importância da Conscientização e da Vontade do Doador
A conscientização sobre a doação de órgãos é um pilar fundamental para reduzir a fila de espera e salvar mais vidas. O Setembro Verde reforça a necessidade de conversas familiares e de expressar o desejo de doar, um ato de altruísmo que transcende a vida terrena.
A exposição no Aeroporto Afonso Pena cumpre um papel vital ao trazer essa temática para o cotidiano das pessoas. Ao conectar a arte à realidade da espera por um transplante, a iniciativa inspira reflexões e pode ser o catalisador para decisões que impactarão positivamente a saúde pública.
A disponibilidade de órgãos para transplante depende diretamente da decisão de cada indivíduo e de sua família. Informar-se sobre o processo de doação e comunicar essa vontade aos entes queridos é o primeiro e mais crucial passo para transformar a esperança em realidade para milhares de brasileiros.






