O Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) registrou um volume financeiro expressivo no Paraná em 2025, alcançando R$ 32,9 milhões e viabilizando a aquisição de 529 hectares de terra por meio de 124 contratos. Este desempenho representa uma parcela significativa, de 32,4%, das operações realizadas em toda a Região Sul do país. Um destaque notável dessa iniciativa tem sido a participação da juventude rural, que encontrou no PNCF Jovem uma via para a consolidação de seus projetos agrícolas.
No âmbito estadual, o PNCF Jovem foi responsável por 45,2% de todos os contratos firmados, configurando o maior número absoluto de operações desta submodalidade entre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essa métrica sublinha a importância do programa como ferramenta de fomento à sucessão familiar e à permanência dos jovens no campo, incentivando o empreendedorismo rural.
A aquisição de terras, muitas vezes um sonho distante para muitos, tem se tornado realidade com o apoio de políticas públicas como o PNCF. O programa se configura como um mecanismo de acesso à terra, oferecendo condições de financiamento para agricultores familiares que buscam expandir suas atividades ou iniciar novos empreendimentos no meio rural. Essa política é um complemento fundamental às ações de reforma agrária, abrindo novas perspectivas.
O processo de acesso ao crédito e, consequentemente, à terra, pode envolver desafios burocráticos e exigir dedicação. A análise de documentação e a adequação aos critérios estabelecidos pelo programa são etapas que demandam atenção e, por vezes, tempo para ajustes. Essa jornada, embora possa ser longa, tem recompensado aqueles com determinação e um plano de trabalho bem definido.
A importância do apoio técnico para a consolidação de projetos rurais
A experiência de Gustavo Kudelski, um jovem de 19 anos residente em Virmond, no Centro-Sul do Paraná, exemplifica a concretização de um projeto de vida no campo com o auxílio do PNCF. Ele conseguiu financiar a compra de sua primeira propriedade, com 1,5 alqueire, para dedicar-se à produção de leite. O montante de R$ 250 mil obtido via Crédito Fundiário, somado a R$ 50 mil do Pronaf A para investimentos, permitiu a aquisição e a expansão das instalações.
Atualmente, Gustavo mantém um rebanho de 20 vacas em lactação e planeja aumentar sua capacidade produtiva. Ele enfatiza a importância da persistência, relatando que o processo, embora cansativo e com idas e vindas na documentação, durou 14 meses. Contudo, a satisfação em alcançar seu objetivo e a projeção de crescimento profissional e pessoal superaram as dificuldades iniciais.
Essa trajetória demonstra a necessidade de um acompanhamento qualificado. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (FETAEP), em parceria com os Sindicatos dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais, desempenha um papel crucial nesse sentido. Eles oferecem orientação às famílias interessadas, auxiliando na preparação da documentação e no encaminhamento dos projetos, o que contribui para a redução de entraves e a agilização dos processos.
Cerca de 50 profissionais dedicam-se a essa missão, acompanhando aproximadamente 300 projetos e com a meta de auxiliar até mil famílias a acessar a terra. Esse suporte técnico é vital para garantir que os beneficiários compreendam as exigências do programa e evitem problemas documentais, que podem ser um dos principais fatores de lentidão nos trâmites. A intenção é desmistificar o processo e torná-lo mais acessível para quem, de fato, almeja prosperar no campo.
Desafios e oportunidades na expansão do acesso à terra
O PNCF tem se destacado como uma política pública efetiva para democratizar o acesso à terra, impulsionando o desenvolvimento da agricultura familiar. A observância dos resultados na Região Sul, onde as operações mais do que dobraram entre 2024 e 2025, saltando de 191 para 383, e os recursos aplicados quintuplicaram de R$ 32,2 milhões para R$ 89,8 milhões, com um aumento significativo na área adquirida (de 1.370 para 2.538 hectares), é um indicativo claro de sua relevância.
Paralelamente, o tempo médio para liberação de recursos diminuiu consideravelmente, de 105 para 75 dias, o que sugere uma otimização dos processos e uma resposta mais ágil às demandas dos agricultores. Esses dados, provenientes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), evidenciam o potencial transformador do programa, especialmente em um contexto de sucessão rural e de incentivo ao empreendedorismo jovem no campo.
A conquista de terras através do PNCF não se limita à aquisição do imóvel; o programa também destina recursos para investimentos em infraestrutura produtiva, auxiliando na modernização e na expansão das atividades agrícolas. Essa visão integrada garante que os agricultores não apenas possuam a terra, mas também tenham as condições necessárias para explorá-la de forma eficiente e sustentável, gerando renda e desenvolvimento para suas famílias e comunidades.
A persistência, aliada ao acesso a informações claras e a um bom suporte técnico, são elementos cruciais para o sucesso na obtenção do crédito e na consolidação dos projetos. O programa se mostra um aliado poderoso para aqueles que, como Gustavo, nutrem um forte desejo de trabalhar e prosperar na lavoura, contribuindo para a vitalidade do setor agrícola e para o fortalecimento da economia rural.






