A mobilidade urbana na Região Metropolitana de Curitiba revela uma intrínseca dependência do transporte coletivo para o sustento da atividade econômica local. Uma recente pesquisa, realizada entre novembro de 2025, aponta que uma expressiva parcela da população, correspondente a 74,7%, utiliza o sistema de ônibus para se deslocar até seus locais de trabalho.
Este dado sublinha o papel crucial que o transporte público desempenha na engrenagem da economia regional, garantindo o acesso de trabalhadores às suas ocupações. A pesquisa, conduzida pelo Instituto IRG Pesquisas a pedido da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep), envolveu 2.001 entrevistas em pontos estratégicos de embarque e desembarque, com participantes a partir dos 16 anos.
A metodologia adotada contou com uma margem de erro de 2,3% e um nível de confiança de 95%, assegurando a robustez dos achados apresentados. As conclusões foram formalmente compartilhadas com a equipe técnica da Diretoria de Transportes da Amep e com as empresas concessionárias do serviço.
A alta frequência de uso por mais da metade dos entrevistados reforça a percepção do transporte metropolitano como um pilar do cotidiano dos cidadãos, indo além da mera funcionalidade para se consolidar como um elemento essencial na rotina diária.
Ainda que Curitiba se mantenha como o principal destino para a maioria dos trajetos, a pesquisa desvela uma crescente interconexão entre os municípios. Cidades como São José dos Pinhais e Araucária emergem como polos de atração de mão de obra, indicando uma dinâmica metropolitana em expansão e cada vez mais distribuída.
Novas Dinâmicas e Percepções sobre o Serviço
Essa descentralização dos fluxos de deslocamento reforça a necessidade de uma gestão metropolitana integrada e coordenada. A pesquisa da Amep, portanto, não apenas quantifica o uso, mas também oferece um panorama qualitativo sobre a experiência dos passageiros, identificando pontos fortes e áreas que demandam atenção.
No que tange à satisfação geral, aspectos como o atendimento dos motoristas registram altos índices, com 79% de aprovação. A velocidade das viagens também é positivamente avaliada por 75,3% dos usuários, um indicativo da eficiência operacional. As formas de pagamento completam o pódio de satisfação, com 72% de aprovação, demonstrando a aceitação das opções oferecidas.
Estes indicadores refletem um avanço tangível na qualidade do serviço e na percepção do usuário, elementos que influenciam diretamente na escolha e fidelização ao sistema de transporte público.
Gilson Santos, diretor-presidente da Amep, destacou a importância desses dados para a formulação de políticas públicas e investimentos futuros. “O transporte metropolitano tem um papel fundamental na vida das pessoas, especialmente quando observamos que a grande maioria utiliza o sistema para trabalhar. Isso mostra que estamos falando de um serviço essencial, que impacta diretamente a economia e a qualidade de vida da população”, afirmou.
Santos reiterou que os resultados, particularmente na avaliação da operação e do corpo motorista, fornecem subsídios valiosos para a continuidade do aprimoramento do sistema. A pesquisa é vista como uma ferramenta estratégica para direcionar os próximos passos, visando um transporte mais eficaz e alinhado às demandas da comunidade.
Direcionando o Futuro da Mobilidade Coletiva
As oportunidades de melhoria identificadas pela pesquisa são consideradas pela Amep como essenciais para nortear investimentos e ações futuras. A meta é garantir que o sistema de transporte coletivo metropolitano se torne cada vez mais eficiente, seguro e adaptado às necessidades da população, consolidando sua relevância.
A análise detalhada desses insights permitirá a implementação de estratégias mais assertivas, otimizando a infraestrutura, a gestão das rotas e a experiência do passageiro. O objetivo último é fortalecer o transporte público como a espinha dorsal da mobilidade na região, promovendo o desenvolvimento socioeconômico e a qualidade de vida de todos os metropolitanos.






