Ponte de Guaratuba encerra era do ferry boat

🕓 Última atualização em: 03/05/2026 às 13:15

A paisagem da Baía de Guaratuba testemunhou, neste domingo (3), o fim de uma era com a inauguração definitiva da ponte que agora une as duas margens. Mais do que uma nova via de acesso, o empreendimento marca a aposentadoria de um serviço essencial que operou por mais de seis décadas: o transporte de veículos e passageiros via ferry boat.

Iniciado na década de 1960, o sistema de ferry boats surgiu como a solução para conectar Guaratuba e região, até então acessíveis por caminhos tortuosos via Santa Catarina ou por embarcações menores voltadas apenas para pedestres. A primeira embarcação, de madeira, com capacidade limitada, representou um avanço significativo para a mobilidade local.

A antiga estrutura de atracagem, agora em processo de encerramento contratual com a concessionária atual, será fechada para a conclusão das obras da ponte. O fim do serviço simboliza a superação de um gargalo logístico e a concretização de um projeto de grande porte que exigiu um investimento substancial do Governo do Estado.

Um novo capítulo para o Litoral

A extinção do ferry boat não significa o abandono das áreas antes dedicadas à travessia. Pelo contrário, o governo estadual planeja uma completa revitalização destes espaços, com a criação de um ambicioso complexo náutico. A iniciativa visa impulsionar o turismo e a vocação marítima da região.

Com previsão de início das obras em 2027, o complexo se estenderá por mais de 30 mil metros quadrados, incluindo o terreno do atual canteiro de obras da ponte. A maior parte da área será destinada ao uso público, promovendo lazer e serviços para a comunidade e visitantes.

O projeto arquitetônico prevê uma marina moderna com 303 vagas molhadas e 400 vagas secas para embarcações, além de estacionamento para 208 veículos. Espaços de convivência, restaurantes e áreas para eventos compõem a visão de um polo de atração multifuncional, com investimento estimado em R$ 100 milhões.

Este investimento será custeado pela futura concessionária, a ser definida em processo licitatório, que também ficará responsável pela manutenção do complexo por 30 anos. A modalidade de concorrência pública adotada promete maior competitividade e uma economia de cerca de R$ 20 milhões para o Estado ao longo do contrato.

O legado da travessia e o futuro

A operação do ferry boat, que evoluiu ao longo das décadas com embarcações maiores e mais eficientes, deixa um legado histórico para a mobilidade do Paraná. Antes de sua existência, o acesso a Guaratuba era feito por estradas precárias e longos desvios.

A implantação do serviço de balsas foi crucial para o desenvolvimento econômico e social da região, facilitando o fluxo de pessoas e mercadorias. A necessidade de uma ligação mais direta e eficiente era um anseio antigo da população.

Com a ponte em pleno funcionamento e o futuro complexo náutico em desenvolvimento, a Baía de Guaratuba se prepara para um novo ciclo. A transformação das áreas anteriormente ocupadas pelo ferry boat em um centro de lazer e atividades náuticas representa um salto qualitativo para o turismo e a infraestrutura do Litoral paranaense.

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