A luta contra o tabagismo no Paraná avança com a ampliação significativa dos serviços de saúde pública dedicados à cessação do vício. O Programa Estadual de Controle do Tabagismo (PECT) viu um aumento notável na cobertura municipal, expandindo o acesso a tratamentos gratuitos e multidisciplinares. Essa iniciativa visa oferecer suporte integral a fumantes que desejam abandonar o cigarro.
Em comparação com 2019, quando 251 cidades ofereciam algum tipo de abordagem, atualmente mais de 330 municípios paranaenses contam com ações estruturadas para auxiliar nesse processo. A meta é que cada vez mais cidadãos tenham a oportunidade de buscar ajuda qualificada, aumentando em até cinco vezes as chances de sucesso na cessação.
A estrutura do programa envolve mais de mil estabelecimentos de saúde. As equipes atuam com diferentes frentes de combate ao tabagismo, combinando abordagens terapêuticas e, quando necessário, apoio medicamentoso.
Essas equipes utilizam métodos como a terapia cognitivo-comportamental, aplicada tanto individualmente quanto em grupo. O suporte farmacológico pode incluir o uso de adesivos de nicotina, gomas, pastilhas e medicamentos específicos, como a bupropiona, para aliviar os sintomas da abstinência.
O Impacto Profundo do Tabagismo na Saúde Pública
Os dados de atendimento revelam um perfil predominante de mulheres entre os pacientes que buscam tratamento, representando mais da metade do público atendido. A faixa etária mais representativa é a de adultos jovens e de meia-idade, entre 18 e 59 anos, evidenciando a necessidade de intervenção em um período produtivo da vida.
Observa-se também uma parcela considerável de idosos participando dos programas, demonstrando que a cessação do tabagismo é um objetivo alcançável em qualquer fase da vida. O acompanhamento de menores de 18 anos, embora em menor número, reforça o alerta sobre a introdução precoce ao vício.
Especialistas em saúde pública alertam que o tabagismo continua a ser um dos principais fatores de risco evitáveis para uma série de doenças graves. A associação entre o uso do cigarro e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, respiratórias e diversos tipos de câncer é amplamente documentada.
A Secretaria de Estado da Saúde reforça que o combate ao tabagismo é uma prioridade constante. O objetivo é garantir que todos os paranaenses tenham acesso a um tratamento de qualidade, visando melhorar a saúde e a qualidade de vida da população.
As estatísticas recentes sobre internações por doenças cardiovasculares no Paraná acendem um sinal de alerta. O número de admissões hospitalares devido a condições cardíacas, nos primeiros meses do ano, demonstra a persistência desses problemas de saúde e a necessidade de reforçar medidas preventivas, onde o tabagismo se insere como um agravante significativo.
O aumento do consumo de dispositivos eletrônicos, como vapes e pods, especialmente entre os jovens, tem gerado grande preocupação entre profissionais de saúde. Há uma percepção equivocada de que essas alternativas seriam menos prejudiciais, o que não condiz com a realidade científica.
Estudos indicam que esses dispositivos podem entregar concentrações elevadas de nicotina e outras substâncias químicas nocivas. Os efeitos adversos incluem o aumento da rigidez arterial, elevação da pressão sanguínea e um risco elevado para eventos cardiovasculares agudos, como infartos e arritmias.
Além dos riscos cardiovasculares, há evidências que associam o uso de cigarros eletrônicos a doenças pulmonares e a um potencial aumento no risco de desenvolvimento de câncer. A falta de regulamentação clara e a popularização rápida desses produtos demandam atenção contínua das autoridades sanitárias.
A Superação do Vício e a Conquista da Qualidade de Vida
Histórias de sucesso como a da aposentada Roszangela Abbud, que aos 66 anos, após décadas de dependência, conseguiu abandonar o cigarro, servem de inspiração. Sua jornada demonstra que é possível reverter os efeitos negativos do tabagismo e recuperar a qualidade de vida.
Roszangela relata que a decisão de parar de fumar foi motivada pela percepção de cansaço e pelo diagnóstico de hipertensão. Após várias tentativas frustradas ao longo dos anos, a cessação definitiva aos 56 anos marcou o início de uma nova fase, com mais disposição e bem-estar.
A mudança na rotina incluiu a prática regular de atividades físicas e a retomada de hobbies e interações sociais. A aposentada destaca a redescoberta dos sentidos, como o olfato e o paladar, que haviam sido prejudicados pelo tabagismo.
A Secretaria da Saúde do Paraná encoraja todos que desejam parar de fumar a buscarem as Unidades Básicas de Saúde (UBS) mais próximas. Nessas unidades, os cidadãos podem obter informações detalhadas sobre os programas de apoio disponíveis na rede pública de saúde.






