O Paraná consolida sua posição como um epicentro de excelência na produção de queijos finos no Brasil, evidenciado pelo expressivo número de premiações em competições nacionais e internacionais. O estado colheu 44 distinções na 4ª edição do Mundial do Queijo do Brasil, um evento que reuniu cerca de 2 mil queijos de mais de 30 países em São Paulo.
Os destaques não se limitam à quantidade; a qualidade inovadora também marcou presença. Um trio de queijeiros vinculados ao Biopark, um ecossistema de inovação localizado em Toledo, demonstrou maestria técnica e criatividade, conquistando reconhecimento entre os melhores produtores do país.
A abordagem destes talentos transcende o paladar, focando na experiência sensorial completa. A criação de queijos com temática espacial exemplifica essa filosofia. Um dos produtos explorou técnicas de coloração para simular a dinâmica de um planeta, conferindo uma sensação térmica de frio à massa. Outro, moldado como um meteoro, buscou evocar notas minerais e picantes.
Um terceiro queijo, inspirado no conceito de buraco negro, apresentou uma casca lavada com um impacto visual e sensorial singular, especialmente no momento do derretimento. Essa busca por inovações visa não apenas o sabor, mas a construção de narrativas em torno de cada produto, transformando-o em mais do que um mero alimento.
O professor e pesquisador Kennidy de Bortoli, do Laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) em Queijos Finos do Biopark, ressalta a importância de ir além da competição. O objetivo é oferecer uma experiência que estimule múltiplos sentidos, com variações de textura, temperatura e apresentação.
Inovação e Expansão no Mercado de Laticínios
A estratégia do Biopark tem se mostrado um modelo replicável e de alto valor agregado. O projeto, em seus sete anos de existência, já acumula 76 medalhas, evidenciando um crescimento exponencial. O sucesso alcançado agora impulsiona uma expansão significativa, com investimento de R$ 3,8 milhões em parceria com o Governo do Estado.
Inicialmente focado na região Oeste, o projeto se estenderá às regiões Sudoeste, Norte Pioneiro, Centro-Oriental e Metropolitana de Curitiba. O objetivo é posicionar o Paraná, o segundo maior produtor de leite do país, como um polo de referência em queijos finos em toda a América Latina.
Essa expansão visa disseminar um modelo de produção que emprega rigor metodológico para capacitar famílias rurais. A meta é permitir que estas famílias produzam queijos com valor de mercado até três vezes superior ao de produtos convencionais, promovendo o desenvolvimento econômico e a qualificação profissional no campo.
O queijo Passionata, produzido pela Queijaria Flor da Terra com tecnologia do Biopark, é um exemplo notório. Ele foi eleito um dos nove melhores queijos do mundo no World Cheese Awards 2024 e conquistou o 3º lugar na categoria Campeão dos Campeões no Mundial do Brasil. O queijo Abaporu (Flor da Terra) recebeu o Super Ouro, o Deleite (Flor da Terra) a Prata, e o Granatoo (Queijaria Ludwig) o Bronze.
Outros produtores paranaenses também se destacaram. O queijo Bacchus Josef Ferdinand Lotscher, do Ateliê Lotschental de Palmeira, obteve o 2º lugar na categoria Campeão dos Campeões. Mais três queijos conquistaram o Super Ouro: o Witmarsum tipo Gouda, da Cooperativa Agroindustrial Witmarsum, e os queijos Frescal Deleite e Vale do Heimtal, da Queijaria Deleite de Londrina.
Ao todo, o Paraná somou 14 medalhas de Ouro, 9 de Prata e 15 de Bronze, distribuídas entre diversos municípios e produtores. Essa gama de premiações reflete a diversidade e a alta qualidade da produção de laticínios no estado.
O Papel da Inovação na Cadeia Produtiva
A trajetória de sucesso do Biopark no desenvolvimento de queijos finos demonstra o poder da integração entre pesquisa, inovação tecnológica e produção rural. A criação de produtos que combinam sabor, estética e conceito tem aberto novos mercados e elevado o valor da matéria-prima local.
O investimento em pesquisa e desenvolvimento, aliado ao apoio governamental, é fundamental para sustentar e expandir esse modelo. A capacitação contínua de produtores e a disseminação de técnicas avançadas são pilares para consolidar o Paraná como um líder não apenas em volume, mas em sofisticação na indústria de laticínios.
Essa transformação na cadeia produtiva do leite não beneficia apenas os produtores de queijos finos, mas impulsiona a economia local e fortalece a imagem do estado em um cenário nacional e internacional cada vez mais competitivo.






