Paraná: Nove cidades contra mudanças climáticas

🕓 Última atualização em: 12/06/2026 às 19:28

O Paraná dá um passo significativo na construção de resiliência urbana frente aos crescentes desafios impostos pelas mudanças climáticas. Nove municípios do estado deram início formal à elaboração de estratégias robustas para lidar com eventos extremos, como enchentes, secas e ondas de calor. A iniciativa, denominada AdaptaCidades, visa dotar essas localidades de ferramentas e planos de ação concretos.

A primeira Oficina de Governança do programa, realizada em Foz do Iguaçu, reuniu representantes de Araucária, Campo Largo, Cascavel, Colombo, Fazenda Rio Grande, Foz do Iguaçu, Maringá, São José dos Pinhais e União da Vitória. Um décimo município será incorporado em breve, ampliando o alcance da ação para um total de dez cidades estratégicas.

Este pontapé inicial marca o início de um ciclo de trabalho intensivo, com duração estimada de 12 a 14 meses. Durante esse período, as equipes municipais se dedicarão a identificar as principais vulnerabilidades locais, mapear detalhadamente os riscos climáticos e, fundamentalmente, definir ações práticas para fortalecer a capacidade de resposta urbana a fenômenos cada vez mais frequentes e intensos.

O AdaptaCidades está inserido no guarda-chuva do Programa Cidades Verdes Resilientes, uma iniciativa conjunta do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com o suporte técnico e científico dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e das Cidades (MCid). No âmbito estadual, o programa conta com a parceria da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).

A cooperação internacional desempenha um papel crucial nesta empreitada. A Agência Alemã de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ) tem oferecido suporte técnico especializado, auxiliando na implementação da metodologia desenvolvida para apoiar municípios em todo o Brasil na criação de seus planos de adaptação climática.

A governança climática como pilar fundamental

A formação de uma governança climática eficaz dentro dos municípios é o cerne desta primeira etapa. A oficina em Foz do Iguaçu concentrou-se em capacitar as equipes técnicas, promover a integração entre os diferentes níveis de governo (municipal, estadual e federal) e estabelecer as bases para um processo colaborativo e coordenado.

“Discutirmos aqui a governança dentro dos municípios, ou seja, como organizar o processo de construção dos planos de adaptação à mudança do clima”, explicou Pedro Christ, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente. A próxima fase envolverá a avaliação aprofundada das vulnerabilidades e dos riscos específicos de cada território.

Isadora Buchala, representante da GIZ, ressaltou a importância do envolvimento de diversos setores e instituições para a solidez da governança climática. A metodologia abrange conceitos de governança multinível, mapeamento de atores-chave e a clara definição de responsabilidades institucionais, garantindo que os municípios possam conduzir o processo de forma estruturada e sustentável.

A articulação entre o governo estadual e os municípios participantes tem sido um diferencial no Paraná. O Estado assume um papel estratégico de coordenação e acompanhamento, fortalecendo a conexão entre as iniciativas locais e a coordenação nacional do programa.

Representantes municipais, como Tânia Nunes Galvão, presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Maringá (Iplam), expressaram a urgência da situação. “As mudanças climáticas chegaram. Estamos vivendo um cenário preocupante e, em muitos aspectos, reagindo de forma tardia aos impactos que já se manifestam nas cidades”, afirmou.

Rumos e expectativas para a resiliência urbana

A oficina em Foz do Iguaçu não apenas marcou o início da etapa prática, mas também definiu os próximos passos cruciais. As atividades focaram na identificação de atores estratégicos, no estabelecimento de responsabilidades claras, na formação de redes de governança e no planejamento detalhado das fases subsequentes.

A expectativa é que, a partir de agora, os municípios avancem rapidamente para a fase de diagnóstico. Este levantamento detalhado das principais vulnerabilidades climáticas em cada território será a base para a construção de estratégias de adaptação personalizadas e eficazes, visando um futuro mais seguro e resiliente para os cidadãos paranaenses.

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