A escassez de leite materno doado para recém-nascidos internados em unidades neonatais em todo o Paraná tem gerado um alerta significativo por parte da Secretaria da Saúde (Sesa). Apesar de uma rede robusta de 34 unidades — composta por 15 bancos e 19 postos de coleta — que atendeu quase 19 mil bebês em 2025, a demanda supera consideravelmente os estoques disponíveis.
A solidariedade de mães lactantes é um pilar fundamental para garantir a nutrição e a proteção de milhares de bebês prematuros e em condições vulneráveis. O leite humano é um alimento completo, considerado a “primeira vacina” para os recém-nascidos, fortalecendo seu sistema imunológico e reduzindo os riscos de infecções e outras complicações.
Em 2026, nos primeiros três meses, foram coletados 6.725 litros de leite de 4.133 doadoras, beneficiando 4.939 recém-nascidos. Esses números demonstram um leve avanço em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando a coleta atingiu 5.806 litros, provenientes de 3.976 doadoras e destinados a 4.155 bebês.
Contudo, a estimativa da coordenação dos bancos de leite humano no estado aponta que os estoques operam em torno de 60% do necessário mensalmente. Exemplos como o de Londrina, onde a coleta média mensal é de 160 litros, mas a demanda atinge 250 litros, e o Hospital do Trabalhador em Curitiba, que necessitava de 40 litros e contava com apenas 22 no início de maio, ilustram a dimensão do desafio.
O leite humano doado é direcionado prioritariamente a bebês internados em Unidades de Tratamento Intensivo Neonatal (UTINs), muitos dos quais não conseguem ser amamentados diretamente por suas mães devido à fragilidade ou à necessidade de cuidados intensivos.
A Importância da Doação no Fortalecimento da Saúde Neonatal
A prática da doação de leite humano é um ato de imensa generosidade que salva vidas e promove o desenvolvimento saudável de bebês em estado crítico. O leite materno é rico em nutrientes essenciais, anticorpos e fatores de crescimento que auxiliam na recuperação e na prevenção de doenças, especialmente em recém-nascidos com sistema imunológico ainda imaturo.
Globalmente, a situação é crítica. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que mais de 77 milhões de recém-nascidos não recebem a primeira mamada na primeira hora de vida, perdendo assim uma janela crucial de proteção e nutrientes. A amamentação precoce poderia salvar mais de 800 mil vidas anualmente em todo o mundo.
No Paraná, a Secretaria da Saúde tem trabalhado para expandir e facilitar o acesso aos serviços de doação. Mulheres saudáveis que estão amamentando e não utilizam medicamentos que possam interferir na lactação, nem possuem doenças infectocontagiosas, podem se tornar doadoras. Não há um volume mínimo exigido; cada frasco doado representa uma contribuição valiosa.
A logística de doação é pensada para ser segura e acessível. Os bancos de leite fornecem todo o material necessário, e as equipes realizam visitas domiciliares para coletar o leite e oferecer orientações sobre higiene, coleta e congelamento adequados. Esse processo garante a qualidade e a segurança do alimento antes de chegar aos bebês.
Impacto e Desafios da Rede de Bancos de Leite Humano
Após a coleta, o leite materno passa por rigorosos processos de análise, pasteurização e controle de qualidade. Somente após a aprovação em todos os testes é que o alimento é distribuído aos hospitais, assegurando que os recém-nascidos recebam um produto seguro e com todos os seus benefícios preservados.
A rede estadual, com sua estrutura física e equipes capacitadas, representa um avanço significativo na política de saúde pública voltada para a infância. No entanto, a conscientização e o engajamento da sociedade ainda são essenciais para suprir a demanda crescente e garantir que nenhum bebê deixe de receber esse alimento vital.
Para facilitar o acesso e a participação, a Secretaria da Saúde disponibiliza informações sobre os bancos de leite mais próximos. Em Curitiba, o Banco de Leite Humano do Hospital do Trabalhador opera de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h, com contato também via WhatsApp: (41) 99709-0098. A ampliação da rede e a contínua divulgação de informações são cruciais para a sustentabilidade dessas ações.






