O Museu Oscar Niemeyer (MON) se prepara para receber uma nova e instigante exposição, a mostra “Moiré Bereguedê – Mano Penalva”. Com abertura marcada para 25 de junho, a iniciativa promete mergulhar o público na produção recente de um dos nomes em ascensão na arte contemporânea brasileira. Obras que transitam entre escultura, pintura, colagem e vídeo compõem o acervo selecionado, convidando a uma reflexão sobre a forma e o espaço.
A proposta artística de Mano Penalva se destaca pelo deslocamento de objetos do cotidiano, retirando-os de seu contexto habitual para recontextualizá-los em novas arranjos estéticos. Essa estratégia, que explora a cultura material e a antropologia visual, reflete um olhar aguçado sobre o universo em que estamos imersos.
O artista, nascido em Salvador em 1987 e radicado em São Paulo, utiliza diversas mídias para construir sua linguagem. Seja através de instalações que transformam o espaço expositivo, seja por meio de pinturas que desafiam a percepção, Penalva convida o espectador a uma experiência sensorial e intelectual.
Uma Diálogo entre o Vernacular e o Industrial
O título da exposição, “Moiré Bereguedê”, encapsula a essência da obra de Mano Penalva, sugerindo uma fusão harmoniosa entre elementos do cotidiano e técnicas industriais. A escolha do termo “moiré” remete a um efeito visual de sobreposição de linhas, um fenômeno explorado por artistas construtivistas a partir da década de 1950, como Hélio Oiticica e Lygia Pape, que desconstruíram a estrutura ortogonal em suas obras.
Penalva, por sua vez, adota uma abordagem similar, transformando o grid em planos tridimensionais expansivos e maleáveis, como exemplificado em sua série “Nuvens”. A inclusão do termo “bereguedê” introduz a noção de improviso, espontaneidade e, notavelmente, de um espírito coletivo e festivo, elementos que permeiam a identidade cultural brasileira.
Essa combinação paradoxal é um dos pilares da produção do artista, que busca criar conexões inesperadas entre o popular e o erudito, o efêmero e o duradouro. A obra de Penalva, ao invés de apenas ser observada, busca ser sentida e experimentada em sua totalidade.
O Museu como Palco de Experiências Imersivas
O Museu Oscar Niemeyer, reconhecido por sua arquitetura icônica e seu papel central na cena cultural latino-americana, aposta em exposições que ampliam o diálogo entre o público e a produção artística contemporânea. A diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika, ressalta que o espaço em si já é uma obra de arte, proporcionando uma experiência imersiva aos visitantes.
Nesta nova mostra, a arte de Mano Penalva se entrelaça com a arquitetura do museu, criando uma simbiose onde instalações podem se tornar divisórias e desenhos assumir a função de paredes. A obra se expande, pende do teto e ocupa a sala expositiva, misturando-se de forma orgânica ao ambiente e aos frequentadores, promovendo uma imersão completa.
A curadoria, a cargo de Felipe Scovino, visa apresentar 71 obras que demonstram a versatilidade e a profundidade do trabalho de Penalva. A exposição não se limita à apreciação estética, mas busca engajar o público em um processo de descoberta e reflexão sobre a percepção do mundo contemporâneo e a ubiquidade das imagens.






