Em busca de sinergias para o avanço científico e tecnológico na América do Sul, um encontro estratégico em Curitiba reuniu agências de fomento e instituições de pesquisa de cinco países. O evento, que se estendeu por dois dias, concentrou esforços na articulação de cooperações em ciência, tecnologia e inovação (CT&I) diante do cenário estabelecido pelo acordo Mercosul-União Europeia.
A iniciativa, capitaneada pela Fundação Araucária, buscou traçar caminhos para a consolidação de uma agenda científica comum. Representantes da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai compartilharam visões e discutiram a necessidade de fortalecimento das relações interregionais em áreas de interesse mútuo.
O objetivo primordial foi identificar convergências e delinear ações colaborativas que possam impulsionar a competitividade e a sustentabilidade dos países sul-americanos. A ciência e a tecnologia foram destacadas como pilares essenciais para a construção de soluções inovadoras e o fortalecimento da posição da região no cenário global.
Foco em Cooperação e Desenvolvimento Sustentável
A necessidade de uma cooperação mais robusta entre as agências de CT&I sul-americanas foi um ponto amplamente discutido. A ideia central é criar uma rede de colaboração que transcenda fronteiras e capitalize os ativos compartilhados da região. O protagonismo do Paraná na articulação dessas iniciativas foi salientado, evidenciando o desejo de replicar modelos de cooperação já consolidados na Europa.
Temas estratégicos como bioeconomia, agroalimentação, sustentabilidade, logística, energia e digitalização produtiva foram colocados em pauta. A programação incluiu desde apresentações institucionais até oficinas colaborativas, visando a construção de uma visão compartilhada para o futuro da inovação na América do Sul.
A criação de uma “Agenda Comum de Curitiba” emergiu como um dos resultados esperados, um documento que visa consolidar prioridades de pesquisa aplicada, definir mecanismos de financiamento conjunto e estabelecer estratégias para o compartilhamento de infraestrutura científica. Essa iniciativa reflete um compromisso com a integração regional baseada em conhecimento e desenvolvimento sustentável.
A cooperação entre agências de fomento é vista como crucial para ampliar iniciativas de pesquisa em rede e focar em temas de relevância continental. O intercâmbio de jovens pesquisadores e o fortalecimento de equipes foram abordados como elementos-chave para a consolidação dessa integração, conforme demonstrado pela assinatura de um memorando de entendimento com o Conicet, da Argentina.
Internacionalização e Agenda Compartilhada
A articulação de uma agenda comum é vista como um passo fundamental para aprofundar a internacionalização da ciência produzida na América do Sul. A busca por soluções conjuntas para desafios regionais, como a sustentabilidade e a bioeconomia, exige um esforço coordenado e o compartilhamento de expertise.
A cooperação acadêmica e a troca de experiências entre pesquisadores de diferentes países são ferramentas poderosas para acelerar o desenvolvimento científico e tecnológico. O programa “Ganhando o Mundo da Ciência”, por exemplo, visa exatamente integrar jovens talentos em ambientes de pesquisa e fortalecer laços entre instituições.
A convergência de interesses entre os países do Mercosul e seus parceiros no Sul da América do Sul aponta para um futuro onde a colaboração científica será um motor de desenvolvimento. O diálogo contínuo entre agências de fomento e instituições de pesquisa é essencial para transformar essa visão em realidade, impulsionando a inovação e a competitividade regional.






