O estado do Paraná avança em suas estratégias de gestão hídrica e desenvolvimento agrícola com a implementação de um ambicioso programa de monitoramento e inovação. A iniciativa visa aprimorar o uso da água na agricultura, setor vital para a economia paranaense, que responde por uma parcela significativa do PIB nacional e da produção de grãos do Brasil.
O projeto, que começou a ser estruturado em 2024, envolve a colaboração intersetorial entre as Secretarias de Desenvolvimento Sustentável, Agricultura e Abastecimento, e a recém-incorporada Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial. A meta é prover suporte tecnológico para otimizar a irrigação, aumentando a eficiência e a sustentabilidade.
Uma das aquisições mais relevantes são as cinco torres de fluxo, com um investimento superior a R$ 10 milhões. Financiadas pela Fundação Araucária, com apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), estas torres são equipamentos de ponta para a medição em tempo real da troca de gases e calor entre a vegetação e a atmosfera. Seus dados são cruciais para calcular com precisão a evapotranspiração real das lavouras.
A região Noroeste do Paraná, historicamente mais afetada por períodos de seca, será o foco inicial da instalação desses equipamentos. A escolha se justifica pela necessidade de mitigar os impactos da escassez hídrica na produção agrícola local e fortalecer a segurança hídrica do estado.
A Lei de Segurança Hídrica, fruto de debates e estudos envolvendo diversas instituições, fornece o embasamento legal e conceitual para as ações do programa. Essa iniciativa reforça o compromisso do governo estadual em empregar a tecnologia para a tomada de decisões mais assertivas sobre a gestão dos recursos hídricos.
Avanços Tecnológicos e Integração de Dados
A integração de diferentes fontes de dados é um dos pilares deste projeto. Sensores remotos, modelos computacionais e a análise de informações coletadas por drones se somarão aos dados das torres de fluxo. Essa convergência permitirá a criação de mapas detalhados da evapotranspiração, o ajuste de coeficientes de cultura e a medição da infiltração do solo.
A plataforma de Inteligência Artificial (IA) desempenhará um papel central na unificação e análise dessas informações. O objetivo é oferecer subsídios robustos para o manejo irrigado, otimizando o uso da água e do solo, ao mesmo tempo em que se busca mitigar a emissão de gases de efeito estufa.
O projeto também prevê a realização de estudos para a classificação agroclimática do Paraná, identificando novas áreas com potencial para a irrigação de culturas como soja, milho e feijão. Um time composto por pesquisadores com diferentes níveis de especialização está dedicado a estas análises.
Os resultados esperados incluem uma potencial redução de até 30% no consumo de água na agricultura, um marco significativo para a sustentabilidade hídrica e a resiliência do agronegócio paranaense.
A inspiração para este modelo de irrigação sustentável vem de experiências internacionais, notadamente de estados como o Nebraska, nos Estados Unidos, que investiram pesadamente em sistemas de irrigação eficientes para lidar com variações climáticas e geológicas.
A capacitação de profissionais para atuar no manejo da irrigação também faz parte dos objetivos, visando a formação de uma força de trabalho qualificada para dar continuidade e expandir essas práticas inovadoras no estado.
Perspectivas Futuras e o Papel da Pesquisa
O programa não se limita à aquisição de tecnologia, mas também fomenta a pesquisa e a inovação. A troca de informações científicas, a organização de missões, seminários e workshops são componentes essenciais para o aprofundamento do conhecimento e a disseminação das melhores práticas.
A modelagem avançada de recursos hídricos e a gestão de aquíferos, temas discutidos em eventos paralelos como o Workshop Águas Subterrâneas no Paraná, são fundamentais para uma visão integrada e de longo prazo da segurança hídrica.
A participação de instituições de ensino superior, como a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), assegura a robustez científica e a formação de novas gerações de especialistas. A colaboração com institutos internacionais garante o acesso às mais recentes descobertas e metodologias.
O sucesso desta iniciativa dependerá da contínua colaboração entre os diversos órgãos governamentais, instituições de pesquisa e o setor produtivo, consolidando o Paraná como um polo de referência em agricultura sustentável e gestão hídrica inteligente.






