IAT fecha trilhas Anhangava Samambaia Missa da Paz

🕓 Última atualização em: 28/04/2026 às 11:30

O acesso a dois dos principais pontos de ecoturismo na Região Metropolitana de Curitiba, os morros do Anhangava e do Samambaia, localizados no Parque Estadual da Serra da Baitaca, será restrito temporariamente. A medida visa garantir a segurança e a organização de um tradicional evento religioso que ocorre na área.

O fechamento das trilhas para o público geral está programado para iniciar na noite desta quinta-feira (30) e se estenderá até a tarde de sexta-feira (1º), data em que se celebra o Dia do Trabalhador. A decisão, tomada pelo Instituto Água e Terra (IAT), órgão responsável pela gestão da unidade de conservação, busca minimizar conflitos de fluxo e potenciais impactos ambientais decorrentes da aglomeração.

Enquanto isso, outras rotas de visitação dentro do parque, como o Pão de Loth e o Caminho do Itupava, permanecerão abertas. A exceção se justifica pela localização geográfica e por não interferirem diretamente com a área destinada à celebração principal.

Tradição e Gestão Ambiental

A restrição temporária está diretamente ligada à realização da Missa da Paz no Morro do Samambaia, uma celebração que se consolidou ao longo de mais de sete décadas. Organizada pela Paróquia São Sebastião, de Quatro Barras, a missa atrai centenas de fiéis anualmente para um ato de fé e reflexão.

Estimativas apontam a participação de aproximadamente 500 pessoas na cerimônia, que frequentemente envolve uma caminhada de cerca de seis quilômetros dentro do parque. O percurso é marcado por momentos de oração e cânticos, com foco na promoção da paz.

A origem desta tradição remonta a 1950, um período marcado pelas repercussões da Segunda Guerra Mundial. Naquela época, grupos de famílias da região subiam o Morro Anhangava para rezar o terço e clamar pela paz, um eco das tensões globais que moldaram a época. O ritual, enraizado na cultura local, é mantido com devoção pelos moradores de Quatro Barras.

A gestão do Parque Estadual Serra da Baitaca, instituído por meio do Decreto Estadual n°5.765 em 2002, inclui em seu Plano de Manejo, concluído e aprovado em 2017, a permissão para eventos como a Missa da Paz. A unidade de conservação abrange diversos atrativos de relevância ambiental e turística.

Entre os destaques do parque está o Morro do Anhangava, que com seus 1.420 metros de altitude, é reconhecido como um dos principais polos para a prática de escalada em rocha no Paraná. A montanha funciona como um verdadeiro campo-escola, fundamental para a formação e o aprimoramento de escaladores. Do seu cume, a vista panorâmica alcança paisagens como a capital Curitiba, a represa do Iraí e a imponente Serra do Mar.

O Equilíbrio entre Preservação e Comunidade

A decisão de interditar temporariamente as trilhas do Anhangava e do Samambaia exemplifica a complexa tarefa de conciliar a preservação ambiental com a manutenção de atividades culturais e religiosas que possuem forte vínculo com a comunidade local. O Parque Estadual da Serra da Baitaca é uma Unidade de Conservação (UC), e sua gestão demanda planejamento cuidadoso para evitar conflitos.

O Instituto Água e Terra (IAT), ao implementar essa medida, demonstra um esforço em garantir que eventos de grande porte não comprometam a integridade ecológica do parque. A prioridade recai sobre a minimização de impactos, o controle de lixo e o respeito à fauna e flora locais, garantindo a sustentabilidade a longo prazo.

Por outro lado, a tradição da Missa da Paz, com suas raízes históricas e significado comunitário, encontra na unidade de conservação um espaço para sua continuidade. O diálogo entre os órgãos de gestão ambiental e as entidades religiosas é crucial para que tais eventos ocorram de forma harmônica, respeitando as diretrizes de proteção e permitindo a expressão cultural e espiritual da população.

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