O Paraná tem se destacado na expansão de sua infraestrutura hospitalar pública, com um ambicioso plano que contempla a construção, entrega e anúncio de vinte novas unidades em todas as regiões do estado. O montante investido nesses projetos ultrapassa a marca de R$ 750 milhões, sinalizando um esforço significativo para modernizar e ampliar o acesso aos serviços de saúde.
A estratégia de regionalização tem sido a pedra angular dessa expansão. O objetivo é descentralizar o atendimento, aproximando os serviços de saúde da população e, consequentemente, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos para tratamento. Essa abordagem visa não apenas aumentar a capilaridade da rede pública, mas também otimizar a eficiência do sistema de saúde estadual.
Dentre as unidades já entregues, algumas representam marcos importantes, como o Hospital Municipal Irmã Benigna em Cianorte. Com previsão de beneficiar cerca de 135 mil habitantes, esta nova unidade recebeu um aporte estadual de R$ 30 milhões e contará com 242 leitos, incluindo unidades de terapia intensiva (UTI) adulto e neonatal. A infraestrutura planejada é robusta, com 12,5 mil metros quadrados distribuídos em cinco pavimentos.
Outro exemplo de investimento estratégico é o Hospital Bairro Novo, no Sítio Cercado, em Curitiba. Um convênio firmado entre o Governo do Estado e a Prefeitura local garantiu R$ 98 milhões dos R$ 100 milhões totais previstos para a obra. A nova unidade promete ampliar a oferta de serviços hospitalares na Região Sul da capital, com foco em estrutura moderna, mais leitos, UTI e centro cirúrgico especializado.
Um Novo Horizonte para a Saúde Regional
A reestruturação e modernização de hospitais existentes também figuram como pilares da política de saúde paranaense. Um exemplo emblemático é o Hospital Regional de Telêmaco Borba, que após anos de espera, foi inaugurado em 2020 e, posteriormente, recebeu investimentos de R$ 3 milhões para a implantação de um novo centro materno-infantil. Esta ampliação trouxe benefícios diretos à comunidade, como ilustrado pelo caso de Laís Bueno Ribeiro, que pôde acompanhar de perto o tratamento de sua filha prematura.
A necessidade de proximidade no cuidado de saúde foi evidenciada pela experiência de Laís. Poder permanecer perto de sua filha, Maria, que nasceu com apenas seis meses de gestação e pesando pouco mais de 600 gramas, foi crucial. A estrutura do hospital permitiu que ela conciliasse o cuidado com a filha recém-nascida e o acompanhamento de outro filho, além de ter a tranquilidade de saber que a bebê estava em boas mãos, algo que seria inviável se o tratamento exigisse deslocamento para outra cidade.
Além da construção de novas unidades, o estado tem investido massivamente em reformas, modernizações e ampliações de hospitais já em funcionamento. Desde 2019, foram realizados mais de 100 processos de obras, com um investimento total de R$ 350 milhões. Essa vertente de investimento visa aprimorar a capacidade de atendimento e a qualidade da infraestrutura existente.
A ampliação da Cemil em Umuarama, com um aporte de R$ 40 milhões, dobrou o espaço físico do hospital e fortaleceu seu papel como referência para 19 municípios. Similarmente, o Hospital São Camilo em União da Vitória passará por uma expansão significativa, com R$ 21 milhões do estado, aumentando sua capacidade de leitos e incorporando um serviço de hemodinâmica para o tratamento de doenças cardiovasculares e neurológicas.
O Hospital do Câncer de Londrina (HCL) também se beneficiará de um novo bloco, com um investimento total de R$ 121 milhões. Esta nova estrutura, com 19 mil metros quadrados distribuídos em 16 pavimentos, abrigará centros cirúrgicos, de diagnóstico, unidade de internação e ambulatório, ampliando consideravelmente sua capacidade de tratamento oncológico.
Impacto na Distribuição de Leitos e Capacidade Atendida
O investimento em infraestrutura hospitalar reflete diretamente na qualidade e quantidade de leitos disponíveis. O Paraná agora ostenta a melhor distribuição de leitos SUS de UTI da região Sul do Brasil, com uma média de 17,11 leitos para cada 100 mil habitantes, superando Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esse índice também posiciona o estado entre os três melhores do país, com números superiores à média nacional e dentro das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O crescimento em leitos pediátricos, neonatais e de queimados tem sido notável. De 370 leitos em 2016, o estado saltou para 630, um aumento de 70%. Especialmente relevantes são os leitos de UTI Neonatais SUS, que mais que dobraram, passando de 198 para 427, um aumento de 115%, demonstrando um compromisso com a saúde materno-infantil e o atendimento a recém-nascidos de alto risco.






