O Paraná consolida seu papel de vanguarda na área de transplantes de órgãos e tecidos no Brasil com a implementação de um protocolo aprimorado de segurança laboratorial. A iniciativa visa elevar a proteção dos receptores e otimizar a agilidade do processo de doação e transplante.
Essas medidas de segurança laboratorial foram fortalecidas por meio de uma parceria estratégica, integrando o Sistema Estadual de Transplantes (SET) ao Laboratório do Hemocentro Coordenador do Paraná (Hemepar). O foco principal recai sobre a Macrorregião Leste do estado, garantindo um padrão elevado de cuidados.
A nova estrutura laboratorial permite a realização de uma gama ampliada de exames essenciais para a triagem de doadores. Anteriormente, alguns desses testes eram realizados por laboratórios terceirizados, cujos contratos foram descontinuados. Agora, exames cruciais como os de Hepatite B, Hepatite C, Doença de Chagas, Sífilis, HTLV, Toxoplasmose e Citomegalovírus são processados internamente.
Um dos avanços mais significativos é a introdução do Teste de Ácido Nucleico (NAT). Esta tecnologia de ponta é aplicada em amostras provenientes de doadores de múltiplos órgãos, proporcionando uma detecção mais sensível e rápida de patógenos.
Para a execução desses testes, o estado investiu em plataformas de triagem de alta tecnologia, utilizando quimioluminescência. Este método é reconhecido mundialmente como uma das técnicas mais avançadas em triagem sorológica, assegurando precisão e confiabilidade.
Ampliação da Segurança e Eficiência Laboratorial
Além das metodologias de quimioluminescência, o aprimoramento em segurança é reforçado pela adoção de técnicas complementares de biologia molecular. A PCR em tempo real é empregada para a detecção rápida e precisa de vírus como HIV, Hepatite B, Hepatite C e também para a detecção de Malária.
O secretário de Estado da Saúde, César Neves, ressaltou que a adoção desses testes de alta qualidade fortalece significativamente a segurança dos transplantes. Ele enfatizou que o processo de triagem se torna mais seguro, ágil e eficaz, impactando diretamente na proteção e no cuidado dispensado aos pacientes transplantados.
A expansão dos exames realizados diretamente por laboratórios públicos alinha o Paraná às exigências da Portaria nº 8.041 do Ministério da Saúde, publicada em setembro de 2025. A portaria estabeleceu um prazo inicial de adequação para março de 2026, que posteriormente foi prorrogado pelo Ministério por mais 180 dias.
A cobertura laboratorial para a triagem de doadores de órgãos se estende por todas as macrorregiões do estado. Na Macrorregião Leste, os testes são centralizados no Hemepar. Nas macrorregiões Oeste, Norte e Noroeste, a realização dos exames é distribuída entre laboratórios terceirizados e o Hospital Universitário de Londrina, garantindo capilaridade.
Vivian Patricia Raksa, diretora do Hemepar, destacou a importância dessa nova etapa para o laboratório e os avanços da hemorrede paranaense. Os investimentos recentes permitiram a modernização da infraestrutura, resultando em um atendimento mais eficiente e responsável à população.
Juliana Ribeiro Giugni, coordenadora do Serviço Estadual de Transplantes (SET), pontuou que a centralização da testagem em serviços públicos fortalece ainda mais a posição do Paraná como referência nacional. O estado se destaca pela alta taxa de doadores por milhão de habitantes, significativamente superior à média brasileira.
Paraná: Liderança Nacional em Doação e Transplantes
Os dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), elaborado pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), corroboram a liderança paranaense. Em 2024, o estado registrou a maior média de doadores por milhão de população do país.
Dados parciais de 2025, referentes aos primeiros nove meses do ano, também colocam o Paraná em posição de destaque, frequentemente disputando a primeira colocação em índices de doadores por milhão de população. Esse desempenho reflete uma estrutura de captação de órgãos robusta e bem estabelecida.
A excelência do Paraná no setor de transplantes é sustentada por uma rede complexa e integrada. Inclui Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), hospitais notificantes, equipes transplantadoras de órgãos e tecidos, laboratórios de histocompatibilidade e sorologia, além de bancos de tecidos e uma vasta equipe de profissionais especializados.
Um fator crucial para o sucesso paranaense é o baixo índice de recusa familiar em relação à doação de órgãos. Desde 2020, o estado mantém uma das menores taxas do Brasil, um resultado direto da capacitação contínua das equipes médicas e da abordagem humanizada durante os momentos de luto.






