A educação que respeita e incorpora as tradições culturais de seus estudantes demonstra ser um pilar fundamental para o engajamento e o sucesso acadêmico. Iniciativas que visam adaptar o currículo à realidade e aos saberes ancestrais das comunidades não apenas fortalecem a identidade, mas também atuam como um potente motor de permanência no ambiente escolar, especialmente no ensino noturno, onde desafios adicionais de conciliação entre estudo, trabalho e vida familiar são constantes.
Um exemplo notório dessa abordagem é o Colégio Estadual Indígena Fẽg Prág Fernandes, localizado em Laranjeiras, no Centro-Sul do Paraná. A instituição, que atende jovens da etnia Kaingang, foi recentemente reconhecida em Brasília por sua participação no programa Ensino Médio Mais, uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC). O reconhecimento celebra a capacidade do colégio em implementar práticas pedagógicas inovadoras que promovem a manutenção dos estudantes na escola.
A adaptação curricular foi essencial para atender às especificidades da comunidade. Muitos estudantes indígenas Kaingang dedicam tempo a atividades comunitárias e à manutenção de práticas culturais tradicionais, além de acumularem responsabilidades familiares. Esses fatores, que por vezes poderiam impactar negativamente a frequência escolar, foram transformados em pontos de partida para um projeto pedagógico inovador.
A equipe pedagógica do colégio identificou a necessidade de aproximar o conteúdo escolar dos saberes culturais locais. Ao colocar a valorização da cultura Kaingang no centro do processo educativo, a escola conseguiu articular os conhecimentos acadêmicos com as tradições da comunidade. Essa integração não só fortaleceu a identidade cultural dos alunos, mas também impulsionou sua participação e permanência no Ensino Médio noturno.
O secretário estadual de Educação do Paraná, Roni Miranda, destacou a importância de valorizar a cultura local, especialmente em colégios indígenas. Ele enfatizou que a cultura é um elemento que molda toda a convivência comunitária e, portanto, deve ser integrada à educação. O reconhecimento do colégio é visto como um reflexo do empenho de professores e estudantes em alcançar resultados significativos.
Rainilda Müller, diretora do Fẽg Prág Fernandes, expressou o orgulho da comunidade escolar com a seleção e o reconhecimento nacional. Ela ressaltou o compromisso da equipe com uma educação transformadora e centrada no desenvolvimento integral dos alunos. A oportunidade de trocar experiências com representantes de outros 17 estados brasileiros em Brasília foi enriquecedora.
O impacto do Ensino Médio Mais e a experiência estudantil
O programa Ensino Médio Mais, focado em fomentar a permanência, a aprendizagem e o sucesso dos estudantes no ensino médio, tem sido um catalisador para ações pedagógicas inovadoras. Alencar Caleffi, técnico pedagógico do Ensino Médio na Secretaria de Estado de Educação do Paraná, pontuou a contribuição do programa para o desenvolvimento de estratégias voltadas aos alunos do período noturno.
Ele explicou que a escola paranaense se destacou por fortalecer o protagonismo estudantil. A iniciativa de ouvir os alunos e incorporar seus elementos culturais na dinâmica escolar resultou em uma proposta pedagógica que apoia o planejamento e o compromisso com o projeto de vida desses jovens. A diretora Müller também mencionou a troca de experiências, que motiva a equipe a continuar construindo uma escola inspiradora e transformadora.
Leidiane Muvenso Bernardo, aluna da 3ª série do Ensino Médio, teve a oportunidade de representar o colégio em Brasília. Para ela, foi um privilégio participar do programa desde o início até o reconhecimento estadual. A experiência proporcionou uma visão ampla sobre as diversas práticas aplicadas em instituições de ensino pelo país, evidenciando que a educação de qualidade é construída com dedicação e propósito.
A professora Diomara Renhra Lourenço Mathias, pertencente à etnia Kaingang, compartilhou seu orgulho em ver o trabalho do colégio reconhecido pelo MEC. Ela destacou a importância de poder aplicar elementos de sua própria cultura em suas aulas, reforçando que a educação indígena construída com respeito à cultura e identidade produz resultados significativos. Sua participação serve de inspiração para outras instituições que buscam valorizar a cultura indígena em sala de aula.
O Programa e seus Alcances
A primeira edição do programa Ensino Médio Mais abrange o período de 2024 a 2026. A participação do Colégio Estadual Indígena Fẽg Prág Fernandes, em Brasília, foi acompanhada por representantes de 18 estados brasileiros. A escola paranaense recebeu um fomento de quase R$ 14 mil para a implementação das estratégias pedagógicas elaboradas.
Para o exercício de 2026, o programa prevê a participação de outras 21 escolas estaduais do Paraná que oferecem Ensino Médio no período noturno. O investimento, baseado na quantidade de estudantes matriculados em cada instituição, será direcionado para aplicação durante o segundo semestre deste ano, visando a continuidade e a expansão de práticas que promovem a permanência e o aprendizado dos estudantes.






