A cidade de Diamante D’Oeste, no Paraná, está sediando a 20ª edição da Semana Cultural Indígena Guarani. O evento, que tem como palco o Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo’e, busca promover o intercâmbio cultural e a valorização dos saberes ancestrais. A iniciativa, que se estende por três dias, atrai milhares de visitantes anualmente.
A programação diversificada inclui manifestações artísticas, como danças e apresentações musicais, além de demonstrações de medicina natural e a comercialização de artesanato. A pintura facial é uma das atrações mais procuradas, permitindo aos participantes uma imersão nas tradições visuais indígenas.
O evento, aberto ao público com uma taxa simbólica de contribuição, integra as comemorações do Dia dos Povos Indígenas. Escolas e universidades interessadas em visitas em grupo podem agendar previamente por meio de formulário online.
A edição deste ano inova ao apresentar um planetário móvel do Parque da Ciência Newton Freire Maia. Esta novidade promete expandir a experiência dos visitantes, com foco especial na astronomia indígena.
O Céu Sob a Perspectiva Guarani
Uma das grandes novidades da 20ª Semana Cultural Indígena é a presença do planetário móvel, que abordará a astronomia indígena. As sessões explorarão como os povos Guarani interpretam o céu, suas constelações e os conhecimentos derivados da observação dos astros.
Serão apresentados mitos e lendas que moldam a cosmologia Guarani, oferecendo uma visão única sobre a relação intrínseca entre o povo e o universo. A expectativa é que o planetário receba um público expressivo, proporcionando um contato inédito com essa rica herança cultural.
O diretor do Parque da Ciência, Anísio Lasievicz, ressalta a importância de divulgar esses saberes. “É uma cultura viva, que precisa ser preservada e divulgada, mostrando a riqueza e o conhecimento que os indígenas têm sobre os ciclos da natureza, o céu e a rotina do planeta”, afirma.
O Parque da Ciência Newton Freire Maia, pioneiro em estudos sobre astronomia indígena no Brasil, está passando por modernizações em sua estrutura. O novo planetário, em fase final de construção, será um dos mais avançados da América Latina, reforçando o compromisso com a divulgação científica e a preservação cultural.
O investimento na expansão do Parque da Ciência reflete o reconhecimento do papel fundamental que instituições como essa desempenham na valorização da história e da cultura brasileira. A parceria com eventos como a Semana Cultural Indígena Guarani fortalece a missão de educar e inspirar novas gerações.
O secretário da Educação, Roni Miranda, destaca a relevância da colaboração. “A parceria com o Parque da Ciência vai agregar ainda mais conhecimento e inovação ao evento, por meio do planetário móvel. Não é à toa que a Semana Cultural Indígena se configura como um dos principais momentos de celebração e valorização da cultura indígena”, pontua.
A organização do evento é fruto de um esforço conjunto entre a Escola Estadual Indígena Araju Porã e o Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo’e. Essas instituições têm um papel central na vida das comunidades, promovendo a educação intercultural e bilíngue.
O Colégio Kuaa Mbo’e, por exemplo, atende estudantes do Ensino Infantil ao Ensino Médio, com um currículo que contempla especificidades étnico-culturais. A Escola Araju Porã complementa essa oferta, focando nas séries iniciais.
A colaboração se estende a diversas esferas governamentais e institucionais, incluindo a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), o Núcleo Regional de Educação de Toledo, o Governo Federal, a Prefeitura Municipal de Diamante D’Oeste e a Itaipu Binacional. Essa rede de apoio garante a viabilidade e o sucesso da iniciativa.
Educação e Preservação Cultural no Paraná
A rede estadual de ensino do Paraná abrange 40 escolas indígenas, atendendo aproximadamente 5,5 mil estudantes de diversas etnias. Essas instituições operam com autonomia, respeitando as tradições e os modos de vida de cada comunidade, oferecendo um ensino bilíngue e intercultural.
As matrizes curriculares dessas escolas incluem disciplinas que vão além da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), incorporando temas como filosofia indígena, arte indígena e história e direitos indígenas. Essa abordagem visa não apenas a formação acadêmica, mas também o fortalecimento da identidade e do pertencimento cultural.
A Seed-PR desempenha um papel ativo na promoção da cultura indígena em toda a rede de ensino. Por meio da implementação da Lei Federal 11.645/2008, que obriga o ensino de história e cultura indígenas, a secretaria busca combater o preconceito e promover o respeito à diversidade. Cursos de formação continuada para professores complementam esse esforço.
Essa política educacional é fundamental para garantir que as novas gerações indígenas tenham acesso a um conhecimento que valorize suas raízes, ao mesmo tempo em que se preparam para os desafios do mundo contemporâneo. A educação é, portanto, um pilar essencial para a preservação e a vitalidade das culturas originárias.






