A luta contra o câncer de colo do útero no Paraná ganha um novo capítulo com a expansão estratégica do exame de DNA-HPV para todos os 399 municípios do estado. A iniciativa, oficializada em reunião da Comissão Intergestores Bipartite, visa antecipar o diagnóstico e a intervenção, aproximando a região da meta ambiciosa da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030.
Essa tecnologia de ponta, desenvolvida com apoio do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e em parceria com a Fiocruz, oferece uma sensibilidade superior aos métodos tradicionais. Com a ampliação, espera-se rastrear aproximadamente 328 mil mulheres paranaenses, um público-alvo abrangente e fundamental para a reversão do quadro atual.
O Paraná já vinha testando a metodologia desde outubro de 2025, integrando um grupo seleto de 12 estados brasileiros na fase piloto nacional. Curitiba e Rio Branco do Sul foram os municípios pioneiros, servindo como laboratórios para a adaptação e aprimoramento do processo antes da disseminação estadual.
Estimativas recentes apontam para a ocorrência de 1.120 novos casos de câncer de colo do útero no estado em 2026. A nova abordagem diagnóstica surge como ferramenta crucial para mitigar essa projeção e alinhar o Paraná às diretrizes de saúde globais.
O secretário estadual da Saúde, César Neves, ressaltou que a meta de “eliminação” não implica zerar os casos, mas sim reduzir a incidência para menos de 4 casos por 100 mil mulheres. Atualmente, o Paraná registra 13 casos para cada 100 mil, demonstrando a necessidade urgente de estratégias mais eficazes.
“O DNA-HPV é uma tecnologia molecular que detecta a presença dos tipos cancerígenos do vírus HPV no organismo com grande antecedência”, explicou Neves. A capacidade de identificar a infecção antes mesmo do surgimento de lesões é um diferencial que permite a antecipação do cuidado médico, potencializando a eficácia do tratamento.
O Papel da Tecnologia Molecular na Prevenção
A substituição gradual do exame citopatológico, popularmente conhecido como Papanicolau, pelo teste de DNA-HPV representa um avanço significativo em termos de eficiência e conforto para as pacientes. Enquanto o Papanicolau exige periodicidade mais frequente, o rastreio molecular, devido à sua alta confiabilidade, permite um intervalo de cinco anos entre as coletas.
O fluxo de atendimento foi desenhado para ser o mais acessível possível. A coleta do material é realizada nas unidades básicas de saúde, seguindo um procedimento similar ao do exame tradicional. As amostras são então encaminhadas ao Laboratório Central do Estado (Lacen) para registro e, posteriormente, para um laboratório de referência no Rio de Janeiro para o processamento molecular.
A ampliação do acesso ao teste de DNA-HPV é direcionada a mulheres de 25 a 64 anos com histórico de atividade sexual. O Estado se compromete a oferecer suporte completo às prefeituras, incluindo o fornecimento de insumos, orientação e capacitação profissional. A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, destacou a importância desse trabalho conjunto.
“Oferecemos os insumos, orientação e capacitação para os municípios. É um grande avanço e estamos no caminho certo. Com muito trabalho e seriedade, vamos conseguir atingir a meta de redução de casos. Temos condições para isso”, assegurou Lopes, reforçando o otimismo com a nova fase.
A Vacinação como Pilar da Prevenção Primária
A diretora da Sesa enfatizou que o rastreio com DNA-HPV é uma estratégia complementar à vacinação contra o HPV, considerada a forma mais eficaz de prevenção primária. O imunizante está disponível gratuitamente na rede pública para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
A vacina não protege apenas contra o câncer de colo do útero, mas também contra outros tipos de câncer associados ao HPV, como os de pênis, ânus, uretra e garganta, além de prevenir o desenvolvimento de condilomas genitais. A cobertura vacinal é um componente essencial na estratégia de eliminação da doença.
Um alerta especial é direcionado a adolescentes entre 15 e 19 anos que não foram vacinados dentro da faixa etária recomendada. Uma etapa de resgate vacinal para este grupo estará disponível até junho de 2026, representando uma última oportunidade para garantir a proteção contra as infecções pelo HPV.






