O recente aumento expressivo nas doenças respiratórias tem gerado um impacto direto no funcionamento das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) na cidade de Curitiba. Durante o período de 1º a 21 de maio, as nove unidades espalhadas pela capital registraram um total de 80.854 atendimentos. Deste montante, uma parcela significativa, correspondente a 17.226 pacientes, buscou auxílio médico devido a sintomas respiratórios, o que representa aproximadamente 21% de toda a demanda atendida nas UPAs nesse intervalo.
Essa sobrecarga tem afetado, em particular, os casos classificados como menos graves, identificados pelas cores verde e azul no sistema de triagem. Pacientes com essas classificações podem enfrentar tempos de espera prolongados em dias de pico de atendimentos.
É fundamental ressaltar que os casos de extrema gravidade continuam recebendo atenção prioritária e imediata, sem filas, nas UPAs da cidade, seguindo rigorosamente o protocolo de classificação de risco.
No entanto, a espera para os quadros menos urgentes se tornou mais perceptível. Dados oficiais da prefeitura indicam que o tempo médio de espera para pacientes com a classificação verde, considerada de baixa urgência, atingiu 109 minutos. Para aqueles classificados como azul, ou seja, sem caráter de urgência, a média de espera foi de 86 minutos.
Reorganização do Atendimento e Orientação à População
Diante do cenário de alta demanda nas UPAs, as autoridades de saúde de Curitiba reforçam a importância de utilizar canais alternativos de atendimento para casos de sintomas leves. O objetivo é otimizar o fluxo nas unidades de emergência e garantir que os recursos sejam direcionados aos casos mais críticos.
Uma das principais alternativas sugeridas é a Central Saúde Já Curitiba. Este serviço oferece atendimento remoto para pacientes com mais de cinco anos de idade que apresentem sintomas classificados como verde ou azul. A iniciativa visa desafogar as UPAs e oferecer uma porta de entrada mais ágil para quem não necessita de atendimento de emergência.
O serviço pode ser acessado através do telefone (41) 3350-9000, funcionando de segunda a sexta-feira, das 7h às 22h. Aos finais de semana, sábados e domingos, o atendimento ocorre das 8h às 20h. Paralelamente, a campanha de vacinação contra a influenza segue ativa e disponível para os públicos prioritários em 109 unidades de saúde distribuídas pela cidade.
Identificando e Prevenindo Doenças Respiratórias
A sobreposição de sintomas entre diferentes doenças respiratórias, como resfriado comum, gripe e Covid-19, pode gerar confusão. É essencial conhecer as características de cada quadro para buscar o atendimento adequado. O resfriado, geralmente causado por rinovírus, apresenta sintomas mais brandos como coriza e dor de garganta, com recuperação em poucos dias e febre rara. A gripe (Influenza), por sua vez, é mais intensa, marcada por febre alta súbita, mal-estar e dores no corpo, com uma recuperação que pode se estender por cerca de uma semana, embora a fadiga possa persistir.
A Covid-19 exibe um espectro amplo de manifestações, desde quadros leves até formas críticas. Os sintomas mais comuns incluem febre, tosse e fadiga, mas a presença de dispneia (falta de ar) é um sinal de alerta imediato que demanda busca por atendimento médico. Outras condições, como a rinite alérgica, são doenças crônicas não transmissíveis que causam espirros e irritação na garganta sem febre. Já a sinusite, uma inflamação dos seios paranasais, pode apresentar dor facial e febre na forma aguda, enquanto a forma crônica se destaca pela tosse e alterações no olfato.
É crucial estar atento aos sinais de agravamento, como febre persistente por mais de três dias, dificuldade para respirar, confusão mental ou sinais de desidratação. Nesses casos, o retorno imediato a uma unidade de saúde é a conduta mais indicada para garantir a continuidade do tratamento e evitar complicações.
Adotar medidas de higiene e prevenção é fundamental para conter a propagação de vírus respiratórios e minimizar o risco de agravamento dos quadros. A lavagem frequente das mãos com água e sabão ou o uso de álcool em gel 70% são barreiras eficazes. A etiqueta respiratória, que inclui cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, preferencialmente com lenços descartáveis, também contribui significativamente para a prevenção. Manter ambientes bem ventilados, mesmo em dias frios, e evitar o compartilhamento de objetos pessoais, como talheres e copos, são outras ações importantes. Manter hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada e a ingestão adequada de líquidos, fortalece o sistema imunológico e aumenta a resistência do organismo.






