UFPR sedia a XII Jornada da Questão Agrária com foco em Ensino Pesquisa e Extensão

🕓 Última atualização em: 26/08/2026 às 17:48

Uma iniciativa colaborativa para mapear e compreender a riqueza territorial dos povos originários no Paraná ganhou força com o início dos trabalhos do Atlas dos Territórios Indígenas. O projeto, que se estenderá por aproximadamente 17 meses, foi impulsionado por uma série de encontros e discussões durante a XII Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão da Questão Agrária no Paraná, realizada na Universidade Federal do Paraná (UFPR). O evento reuniu comunidades indígenas, pesquisadores e estudantes em um diálogo fundamental para a construção de um documento abrangente e respeitoso.

O objetivo primordial deste Atlas é sistematizar um vasto acervo de informações já existentes sobre os povos indígenas que habitam o estado, aprofundando a análise sobre aspectos cruciais como a juventude indígena, as práticas ancestrais e a diversidade organizacional das mulheres. A proposta transcende a mera compilação de dados, visando também a produção de um material didático bilíngue, com conteúdos em português e em duas línguas indígenas, democratizando o acesso ao conhecimento.

A própria realização da Jornada exemplifica a abordagem integradora do projeto. A programação incluiu a participação ativa das comunidades indígenas em oficinas sobre temas como grafismos, pinturas corporais e cartografia social aplicada a escolas indígenas. Paralelamente, as equipes envolvidas na elaboração do Atlas conduziram atividades focadas no uso de geotecnologias e experiências cartográficas em terras indígenas, promovendo um intercâmbio de saberes entre diferentes áreas do conhecimento.

A discussão sobre as realidades do campo, da floresta e das águas foi central na Jornada, que é uma realização anual do Observatório da Questão Agrária no Paraná. Esta rede, composta por professores, pesquisadores e extensionistas de diversas universidades públicas do estado, tem um caráter itinerante, buscando aproximar-se das realidades locais e promover diálogos com comunidades tradicionais, movimentos sociais, iniciativas de agroecologia e espaços de educação do campo.

A construção de um conhecimento compartilhado e a importância das geotecnologias

O professor Jorge Montenegro, do Departamento de Geografia da UFPR e um dos responsáveis pela iniciativa do Atlas, ressaltou a importância da Jornada como um momento de socialização da construção. “Tem muita gente envolvida na equipe da UFPR e do Observatório para que o material iniciado nesse evento esteja à altura do desafio de representar com qualidade e compromisso pelo menos uma parte de toda a riqueza acumulada pela presença indígena no território que hoje chamamos de Paraná”, declarou.

A utilização de geotecnologias, por exemplo, permite uma abordagem inovadora na representação espacial e na gestão territorial. Ao combinar essas ferramentas com a cartografia social, que valoriza o conhecimento produzido pelas próprias comunidades, o Atlas busca oferecer uma visão mais completa e precisa dos territórios, reconhecendo a subjetividade e a ancestralidade envolvidas.

As rodas de conversa abordaram temas de extrema relevância, como a organização das mulheres indígenas, os desafios enfrentados pela juventude em seus territórios, o impacto do uso de agrotóxicos, conflitos e violência, e as práticas ancestrais ligadas à terra e às sementes. Essas discussões são fundamentais para que o Atlas reflita a complexidade e a diversidade das experiências indígenas.

A integração de atividades culturais, como apresentações de música, artesanato, poesia, documentários, dança e cantos indígenas, enriqueceu ainda mais a programação. Essa abordagem multidisciplinar demonstra o compromisso em abranger todas as dimensões da cultura e da vida dos povos originários.

Fortalecendo o diálogo e a representatividade dos povos originários

A iniciativa do Atlas dos Territórios Indígenas no Paraná representa um avanço significativo no reconhecimento e na valorização dos saberes e da história dos povos originários do estado. A colaboração entre academia e comunidades é um pilar essencial para garantir que o documento seja um reflexo fiel e respeitoso da realidade indígena.

A parceria entre a UFPR e o Observatório da Questão Agrária no Paraná, que engloba instituições como a Unioeste, Unicentro, IFPR, UEPG, Unespar e UFFS, além de coletivos como o Enconttra, LATECRE e Plantear, evidencia a amplitude e a força desta rede de colaboração. A expectativa é que o Atlas se torne uma ferramenta poderosa para a defesa dos direitos indígenas e para a promoção de políticas públicas mais eficazes e informadas.

O planejamento territorial, sob a ótica indígena, é um conceito que vai além da delimitação geográfica, englobando aspectos culturais, espirituais e de subsistência. A construção deste Atlas se alinha a essa visão, buscando capturar a profundidade dessas relações e garantir que sejam devidamente representadas e compreendidas pela sociedade em geral.

A continuidade dos trabalhos, com o desenvolvimento de materiais didáticos e a disseminação das informações coletadas, contribuirá para a formação de novas gerações mais conscientes e engajadas com a causa indígena, fortalecendo o diálogo intercultural e a construção de um futuro mais justo e equitativo para todos.

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