UFPR lança projeto inédito para mapear territórios indígenas no Paraná

🕓 Última atualização em: 16/04/2026 às 17:04

Um esforço acadêmico e comunitário sem precedentes no estado do Paraná está em curso para mapear, sistematizar e divulgar informações sobre os territórios indígenas. O projeto, batizado de “Atlas dos Territórios Indígenas no Paraná”, envolve uma colaboração multissetorial e visa criar um recurso valioso para a educação, pesquisa e a preservação dos direitos dos povos originários. A iniciativa busca consolidar um panorama detalhado das terras, demandas, conflitos, culturas e práticas dos grupos indígenas no estado, com lançamento previsto para o final de 2027.

A articulação do projeto reúne diversas instituições de ensino superior públicas do Paraná, incluindo a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro), Instituto Federal do Paraná (IFPR), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Essa ampla rede de colaboração é coordenada pelo Observatório da Questão Agrária no Paraná.

A proposta vai além da simples compilação de dados geográficos. O objetivo é construir um material rico em detalhes, com versões traduzidas para as línguas indígenas locais, como Kaingang, Guarani Mbya e Ava Guarani, garantindo acessibilidade e relevância para as escolas indígenas. Paralelamente, serão desenvolvidos materiais para escolas não indígenas, promovendo a disseminação do conhecimento e o respeito à diversidade cultural.

A carência de um levantamento abrangente e atualizado sobre a territorialidade indígena em escala estadual motivou a criação do Atlas. Embora pesquisas pontuais e iniciativas de pesquisadores indígenas e não indígenas já existam, um trabalho unificado que abranja todo o Paraná, com mapas e dados confiáveis, era uma lacuna significativa.

Um esforço colaborativo para a valorização da territorialidade indígena

A essência do projeto reside na sua natureza colaborativa. O Atlas não é apenas um produto acadêmico, mas um espaço de convergência e construção conjunta entre universidades, comunidades indígenas, lideranças, associações, estudantes indígenas e órgãos públicos. Essa abordagem participativa garante que o material final seja genuinamente representativo das realidades e perspectivas dos povos originários.

A metodologia prevê a realização de reuniões frequentes, visitas a territórios indígenas e atividades de formação para as equipes envolvidas. A participação ativa das comunidades é fundamental para a elaboração de autocartografias, onde os próprios grupos destacam os elementos que consideram essenciais para definir e identificar seus territórios.

A produção do Atlas se baseará na análise de dados secundários de fontes como o IBGE e o MapBiomas, além de um levantamento primário junto a lideranças indígenas e especialistas. O professor Jorge Montenegro, do Departamento de Geografia da UFPR, destaca a importância dessa consulta para a definição dos temas que demandarão pesquisa aprofundada.

A 12ª Jornada de Ensinos, Pesquisas e Extensões sobre a Questão Agrária no Paraná, a ser realizada pela UFPR, servirá como um importante fórum para a continuidade desses levantamentos. O evento promoverá oficinas, rodas de conversa e atividades culturais, reunindo atores essenciais para o avanço do projeto.

A democratização do conhecimento e o futuro do Atlas

O “Atlas dos Territórios Indígenas no Paraná” terá múltiplas formas de acesso para garantir a ampla disseminação do seu conteúdo. Uma versão física e gratuita será distribuída em escolas, tanto indígenas quanto não indígenas, permitindo que estudantes e educadores tenham contato direto com as informações.

Adicionalmente, o Atlas estará disponível em formato digital, acessível através da página oficial do projeto, e contará com uma geoweb interativa, que permitirá a exploração dinâmica dos dados e mapas. Esta abordagem visa democratizar o acesso ao conhecimento e promover uma compreensão mais profunda da história e da atualidade dos povos indígenas no Paraná.

Outro objetivo fundamental é a produção de roteiros didáticos. Esses materiais pedagógicos serão desenvolvidos para auxiliar estudantes de diferentes faixas etárias a se familiarizarem com a complexa temática dos territórios indígenas, incentivando o respeito, a empatia e o reconhecimento da importância desses povos para a sociedade brasileira.

O projeto conta com o apoio de organizações relevantes, como a Comissão Guarani Yvyrupa, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A expectativa é que um convênio com a Itaipu Binacional também fortaleça ainda mais as ações futuras. Este empreendimento representa um marco na valorização e no reconhecimento dos direitos dos povos originários, promovendo um diálogo intergeracional e intercultural.

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