UFPR lança campanha inédita de combate às violências no ambiente universitário

🕓 Última atualização em: 26/05/2026 às 16:25

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) lançou uma nova série de iniciativas destinadas ao combate e à conscientização sobre a violência de gênero em seu ambiente acadêmico. A ação, apresentada em um evento na capital paranaense com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, visa fortalecer as políticas de acolhimento e ampliar o acesso a canais de denúncia para a comunidade universitária.

A iniciativa centraliza esforços na criação de uma campanha educativa e preventiva. O objetivo é sensibilizar estudantes, professores e funcionários sobre as diversas formas de assédio e violência, promovendo um ambiente universitário mais seguro e respeitoso para todos.

A vice-reitora da UFPR, Camila Fachin, enfatizou durante o lançamento o compromisso da instituição com a dignidade e a proteção de seus membros, declarando enfaticamente que “assédio e violência não são tolerados dentro da UFPR”.

A ministra Márcia Lopes destacou que as ações da UFPR estão alinhadas ao Protocolo de Intenções para Prevenção e Enfrentamento da Violência contra as Mulheres nas Instituições de Ensino, firmado entre os Ministérios das Mulheres e da Educação. Segundo a ministra, esta iniciativa representa um avanço significativo na implementação de pactos nacionais de combate à violência.

A campanha foi concebida para abordar situações concretas vivenciadas no cotidiano universitário, utilizando uma linguagem clara e acessível. Materiais informativos e exemplos práticos, como a série “O que já ouvimos”, compõem a estratégia de comunicação.

Abordagens e Canais de Denúncia

O desenvolvimento da campanha partiu da necessidade de tratar o enfrentamento à violência como uma responsabilidade institucional contínua. A superintendente de comunicação da UFPR, Sarah Scholz Dias, ressaltou que a ação busca transformar o tema em orientação prática para a comunidade, auxiliando no reconhecimento de condutas abusivas.

A comunicação é vista como uma ferramenta essencial para dar visibilidade a práticas que muitas vezes são naturalizadas. Ao nomear situações de assédio, constrangimento e abuso de poder, a campanha contribui para que a comunidade identifique esses atos e saiba que existem caminhos institucionais para busca de ajuda.

A chefe de Gabinete da Reitoria, Gabriela Bica, integrante do comitê de enfrentamento às violências, aponta que a universidade tem trabalhado em diversas frentes, incluindo a Política Institucional de Prevenção e Enfrentamento às Violências e a criação da Ouvidoria da Mulher. Essas ações buscam tornar os canais de denúncia e acolhimento mais acessíveis e eficazes.

As violências de gênero, conforme definido pela legislação, englobam condutas físicas, psicológicas, sexuais, morais e patrimoniais. Exemplos incluem stalking, disseminação de conteúdo íntimo, ameaças e importunação sexual, refletindo um padrão de desigualdade e discriminação.

Clara Roman Borges, docente do curso de Direito e membro da comissão de enfrentamento, explica que a violência de gênero é um reflexo das desigualdades sociais e se manifesta de diversas formas, muitas vezes naturalizadas pelo sistema patriarcal. A conscientização e o reconhecimento dessas violências são cruciais para sua desnaturalização.

O Papel da Ouvidoria e o Acolhimento à Vítima

A Ouvidoria Geral da UFPR atua como um ponto de contato institucional para denúncias de violência. A ouvidora geral, Carolina Bagattolli, assegura que o órgão oferece acolhimento, registro, análise preliminar e encaminhamento das denúncias às instâncias competentes, zelando pelo sigilo e pela proteção da vítima.

Para fortalecer o atendimento especializado, a UFPR tem investido em estruturas como a Sala Lilás e a Ouvidoria da Mulher. Esta última foca no apoio a servidoras, estudantes e trabalhadoras terceirizadas que sofrem violência de gênero dentro da instituição.

A professora Tirzhá Dantas, ouvidora da Mulher, detalha que o acompanhamento envolve escuta qualificada, orientação e articulação com os setores responsáveis pela apuração. A rede de proteção às vítimas é acionada sempre que necessário, visando garantir o suporte integral.

As vítimas são encorajadas a buscar a Ouvidoria da Mulher, redes de apoio universitárias e registrar suas manifestações pelos canais institucionais. A formalização é fundamental para o acolhimento, a responsabilização e a identificação de padrões que possam subsidiar políticas mais eficazes.

A formalização de denúncias pode ser feita pela plataforma Fala.BR. Manifestações relacionadas a gênero são encaminhadas à Ouvidoria da Mulher, que oferece atendimento pelo e-mail ouvidoriadamulher@ufpr.br, assegurando um espaço seguro e de apoio para todas as pessoas da comunidade acadêmica.

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