UFPR lança campanha inédita contra violência de gênero e abre canais de denúncia

🕓 Última atualização em: 26/05/2026 às 19:35

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) reforçou seu compromisso no combate à violência de gênero com a apresentação de novas iniciativas. O anúncio, feito no Prédio Histórico em Curitiba, contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, evidenciando a relevância institucional da pauta. O foco principal recai sobre uma campanha educativa e preventiva contra o assédio e diversas formas de violência no ambiente acadêmico.

A campanha visa à sensibilização e à visibilidade do tema, buscando fortalecer os canais de acolhimento e proteção às vítimas dentro da universidade. A vice-reitora da UFPR, Camila Fachin, enfatizou que a instituição deve ser um espaço de segurança e respeito para todos, onde a aprendizagem e a convivência ocorram livres de medo.

A iniciativa está alinhada ao Protocolo de Intenções para Prevenção e Enfrentamento da Violência contra as Mulheres nas Instituições de Ensino, uma colaboração entre o Ministério das Mulheres e o Ministério da Educação (MEC). A adesão da UFPR a este pacto representa um avanço estruturante na história do combate a essas práticas.

A Estratégia de Comunicação e o Reconhecimento da Violência

Desenvolvida pela Superintendência de Comunicação da UFPR (Sucom), a campanha utiliza materiais com exemplos concretos de situações que ocorrem no cotidiano universitário, buscando tornar visíveis condutas abusivas que muitas vezes são naturalizadas. A série “O que já ouvimos” é um exemplo dessa abordagem direta.

A comunicação é tratada como uma ferramenta educativa essencial. Ao nomear de forma clara e objetiva situações de assédio, constrangimento e violência, a campanha capacita a comunidade a reconhecer esses atos e a saber que existem canais institucionais de apoio e denúncia. A ideia é transformar o enfrentamento à violência em uma responsabilidade contínua da instituição.

A chefe de Gabinete da Reitoria e membro do comitê de enfrentamento, Gabriela Bica, destacou que estas ações são urgentes e complementam outras iniciativas já implementadas, como a Política Institucional de Prevenção e Enfrentamento às Violências e a criação da Ouvidoria da Mulher. O objetivo é garantir que toda a comunidade acadêmica tenha acesso facilitado aos recursos de acolhimento e denúncia.

A violência de gênero no ambiente universitário reflete, em grande medida, as desigualdades presentes na sociedade. Essas ações, muitas vezes praticadas contra mulheres por sua identidade de gênero, expressão de gênero ou orientação sexual, podem ocorrer de diversas formas, tanto no ambiente físico quanto digital. A Lei Maria da Penha categoriza essas violências em física, psicológica, sexual, moral e patrimonial.

Exemplos incluem o stalking, a disseminação não consensual de imagens íntimas, importunação sexual e até mesmo piadas machistas ou homofóbicas. Clara Roman Borges, integrante da Comissão de Enfrentamento às Violências, ressalta que muitas dessas condutas configuram infrações administrativas e, em alguns casos, crimes, com possibilidade de responsabilização civil.

A docente explica que a persistência de um sistema de poder patriarcal contribui para a naturalização e legitimação dessas violências. Em contextos de desigualdade de gênero, o comportamento esperado das mulheres pode levar à culpabilização em caso de não conformidade, enquanto homens se sentem, por vezes, autorizados a praticar atos violentos. A desnaturalização dessas práticas é fundamental para a prevenção e o incentivo à denúncia.

Canais de Denúncia e Acolhimento na UFPR

A Ouvidoria Geral da UFPR atua como um ponto de entrada para denúncias de violência, oferecendo um canal seguro e institucional. Seu papel é acolher, registrar e encaminhar as manifestações às instâncias competentes, como a Corregedoria, sempre garantindo o sigilo e a proteção da vítima.

A universidade tem investido no fortalecimento de estruturas de acolhimento especializado, como a Sala Lilás e a Ouvidoria da Mulher. Este último é um setor dedicado ao atendimento de servidoras, estudantes e trabalhadoras terceirizadas que sofrem discriminação ou violência de gênero no ambiente de trabalho e estudo.

A Ouvidoria da Mulher oferece escuta qualificada, acolhimento, orientação especializada e articulação com órgãos responsáveis pela apuração, além de acionar a rede de proteção às vítimas quando necessário. A professora Tirzhá Dantas, ouvidora da Mulher, enfatiza a importância do registro das manifestações para a responsabilização institucional e para a identificação de padrões de violência.

Para formalizar denúncias, a plataforma Fala.BR é o canal oficial, especialmente para casos envolvendo o executivo federal. Manifestações de gênero encaminhadas à Ouvidoria Geral são direcionadas à Ouvidoria da Mulher, que atende pelo e-mail ouvidoriadamulher@ufpr.br. A universidade reforça que o primeiro passo é reconhecer o direito ao acolhimento e à proteção, incentivando a busca pelos canais institucionais para romper o silêncio e garantir a responsabilização.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *