O Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) completa 25 anos de seu reconhecimento oficial como símbolo da cidade de Curitiba. A data, celebrada em uma solenidade no Salão Nobre do Setor de Ciências Jurídicas, remonta à decisão popular de 1999 e à posterior oficialização por lei municipal em 2001. O edifício, que hoje abriga diversos setores acadêmicos e administrativos, representa um marco na relação entre a instituição de ensino e a comunidade curitibana, reforçando seu papel histórico e cultural.
A escolha do Prédio Histórico como emblema da capital paranaense foi resultado de um processo democrático e participativo. A iniciativa partiu de uma votação popular promovida pela prefeitura em parceria com o setor privado, visando definir um ícone que representasse a identidade da cidade. A mobilização em torno desta candidatura foi intensa, especialmente por parte da comunidade acadêmica.
Atualmente, o edifício é sede de importantes departamentos e órgãos da UFPR. O Setor de Ciências Humanas, com o Departamento de Psicologia, e o Setor de Ciências Jurídicas, com o curso de Direito, dividem o espaço. Além disso, abriga a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec), a Pró-Reitoria de Graduação e Educação Profissional (Prograp), a Superintendência de Educação Aberta a Distância e Inovações Pedagógicas (Seadip), a Biblioteca de Ciências Jurídicas, o Museu de Arte da UFPR (MusA) e a Sala expositiva do Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR (MAE), além de grupos artísticos.
A preservação deste patrimônio é uma preocupação constante. Recentemente, a universidade anunciou a conclusão de um plano de conservação, essencial para a manutenção de sua integridade. Esse plano define os elementos que necessitam de conservação rigorosa, atendendo inclusive a exigências de órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para futuras intervenções e reformas.
O status de símbolo oficial confere ao Prédio Histórico uma dimensão que transcende sua estrutura física. Ele representa a consolidação da UFPR como um polo de produção de conhecimento e um agente ativo na história de Curitiba. A acessibilidade proporcionada por iniciativas como o percurso histórico permite que a população interaja com a história do edifício e da cidade, fortalecendo o senso de pertencimento.
A trajetória de um símbolo oficial
O processo que culminou na eleição do Prédio Histórico da UFPR como símbolo de Curitiba iniciou-se em 1999 com o concurso “Eleja Curitiba”. Originalmente, o edifício não figurava entre os favoritos, que incluíam locais como a Boca Maldita e o Jardim Botânico. Contudo, uma expressiva campanha, liderada por alunos, ex-alunos, docentes e a imprensa, impulsionou a candidatura da UFPR.
A votação popular, que permitiu a participação de milhares de cidadãos através de agências bancárias, internet e urnas volantes, consagrou o Prédio Histórico com um expressivo número de votos. Este resultado foi fundamental para a aprovação, em 2001, da Lei Municipal nº 10.236, que instituiu oficialmente o local como um marco da capital paranaense. A justificativa para a lei ressaltava o papel da UFPR no incentivo à intelectualidade, cultura e educação, além do reconhecimento nacional alcançado pela instituição.
Sob a ótica jurídica, o título de símbolo oficial impõe deveres de proteção e conservação ao edifício. A professora Angela Cassia Costaldello, especialista em Direito Público, explica que a lei impede a demolição ou descaracterização do prédio. Qualquer intervenção, como reformas ou restaurações, exige autorização de órgãos competentes, como o Iphan. Além disso, o município tem o dever de colaborar para a preservação do entorno e a manutenção integral do patrimônio.
A dimensão simbólica é igualmente relevante. A escolha de um prédio universitário como ícone da cidade cria um forte vínculo entre o bem cultural e o imaginário popular. Essa conexão é potencializada pela participação cidadã no processo de escolha, que promove o exercício da cidadania e o sentimento de inclusão social, ao valorizar elementos que retratam a cultura, a memória e a história local.
O impacto dessa designação foi tema de pesquisa acadêmica, como um Trabalho de Conclusão de Curso que analisou a lei e o processo de votação. O trabalho explorou a importância do edifício como patrimônio e o significado atribuído a ele pela legislação para sua salvaguarda. A experiência pessoal de acadêmicos, como a do mestrando Giocondo Lacerda, destaca o prédio como um local de formação e realização, reforçando a necessidade de sua preservação.
O impacto da participação popular na consolidação de símbolos
A escolha de um patrimônio histórico como símbolo oficial de uma cidade, especialmente quando mediada pela participação popular, transcende a mera designação. Este processo fortalece o vínculo entre a população e os elementos que compõem a identidade local, promovendo um senso de pertencimento e orgulho coletivo. A mobilização em torno do Prédio Histórico da UFPR é um exemplo claro dessa dinâmica.
A campanha de votação de 1999, impulsionada pela comunidade universitária, demonstrou o poder da mobilização social em favor de um bem comum. O engajamento de alunos, professores e funcionários, utilizando estratégias como palestras e materiais de divulgação, garantiu que a UFPR se destacasse em um contexto de fortes concorrentes. O slogan “A UFPR foi a maior invenção dos paranaenses” encapsulou o sentimento de valorização da instituição e de sua contribuição para o estado.
Para a professora aposentada Ruth Eugênia Amarante Cidade, a escolha de uma instituição de ensino como símbolo foi um reconhecimento justo e significativo. Ela ressalta que a UFPR representa não apenas história e arquitetura, mas também inovação e educação, pilares essenciais para o desenvolvimento da cidade e do estado. A participação direta da população nesse processo conferiu ainda mais legitimidade à escolha e fortaleceu a ideia de que o prédio é um patrimônio de todos.
A relevância da participação popular é um ponto enfatizado por especialistas. A inclusão da sociedade na definição de símbolos que representam a memória e a identidade de um lugar propicia o exercício da cidadania e a valorização do sentimento de pertencimento. Esse envolvimento direto com a cultura e a história local cria um legado para as futuras gerações, que se sentirão mais conectadas com o patrimônio que ajudaram a escolher e a proteger.






