UFPR amplia acervo digital com registros inéditos da resistência à ditadura no Paraná

🕓 Última atualização em: 18/08/2026 às 17:01

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) lança nesta quinta-feira (20), às 18h30, um importante acervo digital dedicado à preservação da memória e ao registro dos ativismos em prol da democracia no estado. A iniciativa, que ocorre no Prédio Histórico da instituição, em Curitiba, marca a incorporação de dois materiais inéditos ao Repositório Digital do Sistema de Bibliotecas da UFPR, focados na resistência à ditadura militar brasileira, que perdurou de 1964 a 1985.

A exposição desses novos conteúdos ao público representa um marco na salvaguarda de testemunhos e análises sobre um período crucial da história brasileira, permitindo que as futuras gerações compreendam os desafios enfrentados na luta por liberdades democráticas.

A primeira adição ao repositório é a “Coleção de Audiovisuais Depoimentos para a História – DHPAZ”. Esta coleção é composta por uma vasta quantidade de depoimentos gravados, onde indivíduos que se opuseram ao regime e sofreram com a repressão compartilham suas vivências e perspectivas.

Coordenada por Antonio Narciso Pires de Oliveira, a coleção DHPAZ visa eternizar as vozes de protagonistas dessa resistência, oferecendo um material rico para pesquisa acadêmica e para a conscientização social sobre os horrores e as estratégias de enfrentamento da repressão.

Complementando o acervo, a UFPR disponibiliza o e-book “Terra Incógnita: 60 anos”. Esta publicação é fruto da exposição homônima, que foi realizada no Museu de Arte da UFPR entre 2023 e 2024, celebrando os 60 anos do golpe civil-militar de 1964.

A relevância da documentação histórica e sua digitalização

O e-book “Terra Incógnita: 60 anos” compila discussões aprofundadas a partir de três mesas-redondas promovidas durante a exposição. A organização é de responsabilidade das professoras Tânia Bittencourt Bloomfield, do Departamento de Artes da UFPR, e Caroline Saut Schroeder, com a colaboração de um grupo diversificado de pesquisadores e ativistas.

Entre os colaboradores, destacam-se Ana Emília Jung (Milla Jung), Célio Luiz Pinheiro, Fabrícia Cabral de Lira Jordão, Felipe Cardoso de Mello Prando, Leandro Franklin Gorsdorf, Luiz Gabriel da Silva, Miliandre Garcia de Souza e Paulo Roberto de Oliveira Reis, que contribuem com suas expertises para um panorama completo.

Tânia Bloomfield ressalta que a proposta do trabalho se assenta em pilares fundamentais como a comunicação, a reflexão, a interpretação, o debate e o diálogo. Para ela, a iniciativa transcende a produção artística individual, configurando-se como um esforço coletivo.

Esse esforço conjunto é impulsionado pela efeméride dos 60 anos do golpe e pela necessidade de analisar seus desdobramentos sociopolíticos no presente, reconhecendo a persistência de seus efeitos tanto no contexto nacional quanto internacional. A digitalização e disponibilização desses materiais promovem um acesso mais amplo e democrático à memória.

A preservação da memória histórica, especialmente de períodos de violação de direitos humanos, é uma função essencial das instituições de ensino e pesquisa. Ao digitalizar e tornar públicos esses registros, a UFPR não apenas honra o passado, mas também fortalece a democracia.

Impacto e legado para a sociedade

A disponibilidade de coleções como a DHPAZ e publicações como “Terra Incógnita” em formato digital amplia exponencialmente o alcance desses materiais. Pesquisadores, estudantes e o público em geral, em diferentes regiões do país e até mesmo no exterior, terão acesso a fontes primárias e análises qualificadas.

Isso é crucial para o combate à desinformação e para a construção de uma consciência crítica sobre os processos históricos que moldaram o Brasil contemporâneo. A preservação da memória é, em si, um ato de resistência e um pilar da educação cidadã.

A UFPR, ao abrigar e divulgar este acervo, reafirma seu compromisso com a produção e disseminação do conhecimento, atuando como guardiã de histórias que precisam ser contadas e compreendidas. Essa iniciativa enriquece o debate público e contribui para a consolidação de uma cultura de direitos humanos e democracia.

O evento “Memória e ativismos na luta pela democracia” serve como um catalisador para novas discussões e iniciativas de pesquisa, inspirando a continuidade do trabalho de memória e a defesa dos valores democráticos. A universidade se posiciona, assim, como um centro fundamental para a reflexão sobre o passado e para a construção de um futuro mais justo e livre.

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