A Universidade Federal do Paraná (UFPR) lança um novo espaço dedicado ao acolhimento de mulheres em situação de violência de gênero. A iniciativa, batizada de Sala Lilás, visa oferecer um ambiente seguro, reservado e com escuta qualificada para vítimas dentro da comunidade universitária, abrangendo estudantes, servidoras, trabalhadoras terceirizadas e usuárias dos serviços da instituição. A inauguração formal ocorreu durante o evento de campanha do Agosto Lilás da universidade.
O desenvolvimento da Sala Lilás partiu da necessidade de aprimorar o atendimento já existente na Ouvidoria da Mulher. A concepção do espaço físico foi pensada para refletir os valores centrais de sua atuação: acolhimento, respeito, privacidade e fortalecimento, proporcionando um local onde as mulheres se sintam seguras e confortáveis para buscar orientação.
A estrutura da sala foi projetada para garantir a não revitimização. Em vez de exigir um relato detalhado e minucioso de experiências traumáticas, a equipe focará em uma escuta empática e sem julgamentos. O objetivo é compreender a demanda apresentada, oferecer as orientações cabíveis e explorar as diversas possibilidades de encaminhamento, respeitando sempre a autonomia e o tempo de cada mulher.
Além do atendimento direto, a Sala Lilás funcionará como um ponto de informação sobre direitos e caminhos institucionais. Quando necessário, as usuárias serão direcionadas aos serviços e unidades competentes dentro da UFPR para que suas demandas sejam tratadas pelas instâncias apropriadas. É importante salientar que a sala não é responsável pela apuração ou investigação dos fatos, mas sim pelo acolhimento inicial e encaminhamento.
Qualificação do Atendimento e Protocolos
O atendimento prestado na Sala Lilás segue as diretrizes do Protocolo Presença, um conjunto de normas desenvolvido pela própria Ouvidoria para orientar o acolhimento de situações de violência de gênero. Este protocolo diferencia o atendimento de um processo administrativo comum, pois os profissionais envolvidos são capacitados para uma escuta diferenciada.
Essa abordagem busca assegurar que a mulher não precise reconstruir detalhadamente uma experiência traumática ou apresentar de imediato todos os elementos necessários para uma denúncia formal. A prioridade é criar um ambiente de confiança, permitindo que ela se sinta à vontade para compartilhar o que for possível, garantindo sua segurança emocional e física.
Para garantir maior privacidade e qualidade no atendimento, a UFPR incentiva o agendamento prévio para utilização da Sala Lilás. Contudo, o espaço permanece aberto para atender demandas que surjam a qualquer momento. O agendamento pode ser realizado através do número de WhatsApp da Ouvidoria da Mulher, facilitando o acesso e a organização dos atendimentos.
A formalização de denúncias ou manifestações, quando desejada pela vítima, será devidamente orientada. A Ouvidoria da Mulher informará sobre os canais adequados dentro da Ouvidoria Geral da universidade e sobre os procedimentos legais e institucionais decorrentes da decisão da mulher.
O Contexto do Agosto Lilás e o Compromisso Institucional
A inauguração da Sala Lilás insere-se no contexto da campanha nacional Agosto Lilás, um movimento de conscientização dedicado ao fim da violência doméstica e familiar contra a mulher. A escolha do mês remonta à sanção da Lei Maria da Penha, um marco na proteção dos direitos das mulheres no Brasil.
A UFPR reafirma seu compromisso com a criação de um ambiente universitário mais seguro e equitativo. A iniciativa da Ouvidoria da Mulher, aliada a outros projetos como o lançamento do Observatório de Violência de Gênero nas Universidades, demonstra uma atuação institucional proativa no combate e na prevenção de todas as formas de violência de gênero.






