Simepar lança documentário sobre análise do tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu

Um ano após a ocorrência de múltiplos tornados em 7 de novembro de 2025, que assolaram diversas localidades no Paraná, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) lança um documentário detalhado. A produção audiovisual, intitulada “Além do tornado: uma análise meteorológica dos eventos de novembro de 2025 no Paraná”, mergulha no complexo trabalho da equipe de meteorologistas, abrangendo desde o monitoramento prévio até as análises pós-evento.

O filme, disponibilizado no canal oficial do Simepar no YouTube, evidencia o instante em que um tornado devastou Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do estado. Enquanto a força da natureza causava destruição, meteorologistas acompanhavam a evolução do fenômeno por meio de telas de monitoramento, cientes da gravidade do cenário previsto. No mesmo dia, outros dois tornados também atingiram o território paranaense, um evento que motivou o Simepar a uma profunda revisão e aprimoramento de seus protocolos operacionais.

A iniciativa do Simepar em documentar e analisar os eventos de 2025 vai além da mera catalogação. O trabalho intenso, que incluiu a emissão de avisos meteorológicos e alertas à população antes das ocorrências, classificação preliminar, análise de campo e mapeamentos aéreos, culminou em um laudo técnico com mais de 130 páginas. Essa análise multidisciplinar envolveu diretamente as áreas de meteorologia, geointeligência, infraestrutura e tecnologia da informação da instituição.

Segundo Sheila Paz, gerente de meteorologia do Simepar, a experiência proporcionou uma evolução significativa na gestão de riscos. “Todo o processo de gestão do risco, desde o momento da identificação do primeiro sinal das tempestades, o acompanhamento e a comunicação dos eventos, foi revisto e melhorado desde então. Hoje temos processos mais conhecidos, papéis e responsabilidades melhores definidos”, afirmou.

A expertise da equipe já era notável, contando com meteorologistas com mestrado em tempestades severas, que aliavam conhecimento acadêmico à vasta experiência de profissionais com mais de duas décadas de atuação operacional. A tragédia, contudo, impulsionou uma busca ainda maior por conhecimento.

Sheila Paz e Marco Jusevicius, coordenador de operações do Simepar, acompanhados por representantes da Defesa Civil do Paraná, realizaram em 2026 uma visita a Oklahoma, nos Estados Unidos, um dos principais centros de monitoramento de tornados do mundo. O objetivo foi compreender e adaptar métodos de monitoramento em escala global à realidade brasileira. “Essa experiência fez com que a gente conseguisse trazer o método e adequar à nossa realidade”, ressaltou Sheila.

Em resposta ao aumento das tempestades severas, intensificado pelos efeitos do fenômeno El Niño, novas ferramentas e protocolos foram desenvolvidos e implementados. As equipes de meteorologistas desenvolvedores do Simepar criaram sistemas que agilizam a análise de dados de radar, satélite e estações meteorológicas, além de otimizar a comunicação de fenômenos extremos. Em 2026, sob essas novas diretrizes, o Simepar classificou 15 tornados no Paraná, sendo 13 supercelulares e dois landspouts.

Análise Aprofundada e Legado dos Eventos Severos

A classificação precisa de eventos meteorológicos extremos, como os tornados, é fundamental para diversas esferas de atuação pública. Permite que municípios afetados busquem recursos para reconstrução, embasa a formulação de políticas públicas de prevenção e adaptação, e contribui significativamente para a pesquisa científica, enriquecendo o acervo de climatologia regional.

Paulo de Tarso, diretor-presidente do Simepar, destaca a importância da colaboração interinstitucional frente às mudanças climáticas. “Nesse momento de mudanças climáticas, é importante que tenhamos no Paraná um trabalho diferenciado. População, órgão meteorológico, Defesa Civil e outros órgãos do Estado trabalhando juntos para melhor defender a população e para que as cidades sejam mais resilientes e pessoas mais preparadas para o futuro que nos espera”, enfatizou.

Os tornados de novembro de 2025 foram gerados pelo ramo frio de um ciclone extratropical. Algumas nuvens de tempestade de forte intensidade, imersas em um ambiente de alta instabilidade, evoluíram para supercélulas com características rotacionais. O cisalhamento vertical do vento e o transporte de ar quente e úmido foram fatores cruciais na sua formação.

Duas dessas supercélulas foram responsáveis pela formação de três tornados em municípios do Sudoeste e Centro-Sul paranaenses. O primeiro, originado na fronteira com o Paraguai, percorreu 75 km entre Quedas do Iguaçu e Cantagalo. Em Rio Bonito do Iguaçu, a largura da faixa de destruição atingiu impressionantes 3.250 metros, com classificação F4 na Escala Fujita, indicando um evento devastador.

O segundo tornado, derivado da mesma supercélula, causou 44 km de destruição entre Candói e o distrito de Entre Rios, em Guarapuava. Evoluiu de um F2 para um F4, com capacidade de arremessar contêineres a 150 metros e colapsar casas de alvenaria.

Um terceiro tornado, classificado como F2 e com 12 km de extensão, foi gerado por uma segunda supercélula na região de Turvo, causando danos consideráveis a matas e construções.

Importância da Análise Meteorológica para a Segurança Pública

A produção do documentário e o aprofundamento nas análises meteorológicas dos eventos de 2025 reforçam a premissa de que o conhecimento científico é uma ferramenta indispensável na proteção da sociedade. Ao detalhar os processos que levam à formação de fenômenos extremos, o Simepar não apenas cumpre um papel educativo, mas também fornece subsídios cruciais para o planejamento urbano e a preparação de comunidades.

A capacidade de prever, monitorar e classificar com precisão eventos como tornados e outras tempestades severas tem um impacto direto na redução de perdas humanas e materiais. A experiência adquirida e os novos protocolos implementados, frutos de estudos e intercâmbios internacionais, colocam o Paraná em uma posição de vanguarda no que diz respeito à defesa civil e à resiliência frente aos desafios climáticos.

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