O mês de setembro emerge como um período de intensificação de conscientização sobre duas causas significativas de mortalidade e sofrimento na sociedade: o suicídio e os acidentes de trânsito. A campanha Setembro Amarelo, reconhecida internacionalmente, lança luz sobre o suicídio, que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), supera em letalidade anual doenças como o HIV e o câncer de mama, além de conflitos e homicídios. No Brasil, os dados reforçam a gravidade do tema, com o Sistema Único de Saúde (SUS) registrando um aumento considerável nas internações por lesões autoinfligidas.
A magnitude do problema é ainda mais alarmante quando observamos a faixa etária de 15 a 29 anos, para a qual o suicídio figura como a quarta principal causa de morte. Em alguns cenários, essa proporção pode ascender à terceira posição, evidenciando uma crise silenciosa que exige atenção imediata e ações preventivas robustas.
Em 2023, as estatísticas do SUS no Brasil apontaram para 11.502 internações relacionadas a atos deliberados de autoagressão, traduzindo-se em uma média diária de 31 casos. Este número representa um crescimento de mais de 25% em comparação com os 9.173 registros de 2014, um indicativo preocupante da evolução da questão ao longo da última década.
Reconhecer os sinais de alerta é um passo crucial na prevenção. Embora não exista uma fórmula exata para prever um ato suicida, a manifestação simultânea de comportamentos como o isolamento social, alterações drásticas nos padrões de sono e alimentação, automutilação, falas de autodepreciação, abandono de planos de vida e interrupção de atividades laborais ou educacionais, deve acender um sinal vermelho para familiares e amigos.
O suicídio é um fenômeno intrinsecamente complexo, influenciado por uma miríade de fatores sociais, psicológicos e ambientais. Ele não distingue raça, classe social, idade ou identidade de gênero, impactando pessoas de todos os espectros da sociedade. Contudo, a boa notícia reside na sua prevenibilidade, que pode ser alcançada através de intervenções estratégicas e de um suporte público mais eficaz.
Saúde Mental Acessível: Universidades Públicas como Rede de Apoio
Em um esforço conjunto para mitigar o sofrimento psíquico, as universidades estaduais do Paraná têm desempenhado um papel fundamental ao oferecer atendimento psicológico gratuito. Instituições como a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) disponibilizam serviços em suas clínicas-escola, abrindo portas para quem busca suporte em saúde mental.
Esses serviços são conduzidos por estudantes de graduação em Psicologia, a partir do quarto ano do curso, sob a supervisão atenta de seus professores. A iniciativa garante que os atendimentos sejam realizados com qualidade técnica e embasamento científico, ao mesmo tempo em que proporciona uma valiosa experiência prática aos futuros profissionais.
Localizadas estrategicamente em Irati, Londrina e Maringá, essas clínicas atendem a um público diversificado, incluindo crianças, adolescentes, adultos e idosos. A oferta terapêutica abrange diferentes abordagens psicológicas e modalidades de atendimento, como terapia individual, familiar e de casal, além de plantões de acolhimento e grupos terapêuticos. Há também um foco importante na orientação profissional para jovens, com a aplicação de testes vocacionais.
O acesso aos serviços se dá por meio de um processo de triagem, que avalia as necessidades específicas de cada indivíduo, seguido por uma ordem de inscrição. Esse modelo garante que os recursos sejam alocados de forma eficiente, priorizando os casos de maior urgência e vulnerabilidade. Além do atendimento direto, as clínicas-escola promovem projetos de extensão voltados para públicos específicos, abordando temas como saúde mental de trabalhadores, mediação em ambientes escolares e ações comunitárias.
A divulgação desses serviços é realizada através dos sites oficiais das respectivas universidades, onde os interessados podem encontrar informações detalhadas sobre como agendar consultas e conhecer a gama completa de serviços oferecidos.
Paralelamente, a Segurança no Trânsito Ganha Destaque
Concomitantemente ao Setembro Amarelo, o calendário também marca a Semana Nacional do Trânsito, que em 2026 ocorre entre os dias 18 e 25 de setembro. Assim como a campanha de prevenção ao suicídio, esta semana se dedica a alertar a sociedade sobre a outra grande chaga nacional: os acidentes de trânsito. O objetivo primordial é promover uma cultura de segurança e responsabilidade entre motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
Os números do Ministério da Saúde, extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), revelam um cenário preocupante para o Paraná, que se posiciona como o terceiro estado com o maior índice de mortes no trânsito no país. Entre janeiro de 2016 e maio de 2026, mais de 27 mil pessoas perderam suas vidas em decorrência de acidentes de transporte terrestre no estado.
Os dados de 2026, com 903 óbitos até maio, já apontam para uma tendência preocupante, enquanto anos anteriores como 2025 e 2024 registraram 2.700 e 2.852 mortes, respectivamente. O ano de 2024, em particular, representou o pico de fatalidades no trânsito no estado desde 2014.
Em Curitiba, a capital paranaense, a situação não é diferente. Em 2025, a cidade registrou mais de 85 mil ocorrências de trânsito, superando as 73 mil de 2024. Uma projeção para 2026, baseada nos dados do primeiro semestre, indica que o número pode alcançar 92 mil casos ao final do ano. O impacto financeiro é substancial, com os gastos hospitalares em Curitiba atingindo R$ 37,1 milhões em 2025 para atender 9.229 casos. Contudo, o custo social total, que abrange sequelas, traumas e mortes, pode ascender a impressionantes R$ 806 milhões, evidenciando a necessidade urgente de políticas públicas e conscientização efetiva.






