A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) enfrenta desafios singulares na captação de água de aquíferos subterrâneos, especialmente aqueles localizados em grandes profundidades, onde as temperaturas podem atingir níveis consideravelmente elevados, chegando a 59°C em alguns casos. Esta situação impõe a necessidade de complexos sistemas de resfriamento para adequar a água aos padrões de potabilidade e garantir sua distribuição segura aos consumidores, além de proteger a infraestrutura de abastecimento.
A exploração de recursos hídricos subterrâneos é uma estratégia vital para o abastecimento, complementando as fontes superficiais como rios e represas. A Sanepar opera uma vasta rede de poços profundos, alguns ultrapassando 1 quilômetro de extensão, para acessar reservatórios como os aquíferos Guarani e Serra Geral.
A alta temperatura da água extraída de grandes profundidades, frequentemente entre 45°C e 50°C em municípios como Londrina e Santa Mariana, representa um obstáculo técnico significativo. Essa condição térmica exige da companhia a implementação de tecnologias de tratamento de água que vão além da desinfecção e fluoretação convencionais.
A complexidade do tratamento e os imperativos de segurança
Manter a água abaixo de 25°C é um requisito fundamental após o tratamento, em conformidade com as normas do Ministério da Saúde. O calor excessivo acelera a evaporação do cloro, comprometendo a desinfecção, e favorece a proliferação de microrganismos, tornando o líquido impróprio para consumo. Além disso, as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) ressaltam a importância da temperatura agradável da água para a aceitação pelo consumidor.
A segurança da rede de distribuição também é um fator crítico. Temperaturas elevadas podem danificar tubulações e equipamentos, causar deformações, vazamentos e prejuízos tanto para a infraestrutura pública quanto para os sistemas residenciais.
Os aquíferos subterrâneos formam uma reserva estratégica para o estado, especialmente para 178 municípios que dependem exclusivamente deles. Em cenários de mudanças climáticas e secas prolongadas, essas fontes subterrâneas se tornam ainda mais cruciais para garantir a segurança hídrica, complementando a oferta quando as fontes superficiais são escassas.
A perfuração de um poço é um processo de alta complexidade que envolve estudos geológicos detalhados e análises de imagem via satélite. A qualidade da água, a vazão potencial e o risco de contaminação por fontes superficiais são cuidadosamente avaliados para a escolha dos locais mais adequados.
A tecnologia de perfuração é adaptada à geologia local. Sistemas rotativos são empregados em rochas sedimentares, enquanto métodos roto-pneumáticos são utilizados para atravessar formações rochosas extremamente duras, como o basalto. Testes de bombeamento e análises laboratoriais determinam a capacidade de extração e os tratamentos necessários.
Riscos, monitoramento e a importância da gestão sustentável
Apesar de sua proteção natural por camadas de rocha e solo, os recursos hídricos subterrâneos não estão imunes a ameaças. O crescimento urbano desordenado, o descarte inadequado de resíduos e a perfuração irregular de poços representam riscos concretos de contaminação e de esgotamento desses reservatórios.
Para mitigar esses riscos e assegurar um fornecimento contínuo e de qualidade, a Sanepar implementa um rigoroso monitoramento. A análise laboratorial da água, juntamente com a observação em tempo real dos níveis e vazões por meio de sistemas de telemetria, permite identificar precocemente desvios e planejar manutenções preventivas, garantindo a sustentabilidade desses recursos vitais.
A gestão eficiente e a proteção dos aquíferos subterrâneos são pilares essenciais para a segurança hídrica a longo prazo. A continuidade do investimento em tecnologia e fiscalização é fundamental para preservar esses tesouros naturais para as futuras gerações, assegurando o acesso à água potável mesmo diante dos desafios ambientais emergentes.






