Projeto Meninas e Mulheres na Ciência da UFPR recria foto de Marie Curie no país

🕓 Última atualização em: 31/07/2026 às 11:24

Cientistas brasileiras se reuniram no icônico Pão de Açúcar, Rio de Janeiro, para recriar uma fotografia histórica. O evento, realizado no último dia 27 de julho, homenageia os cem anos da visita de Marie Curie ao Brasil, uma figura seminal na história da ciência. A iniciativa buscou não apenas resgatar um momento do passado, mas também gerar reflexão sobre o progresso e os desafios enfrentados por mulheres no campo científico brasileiro.

A atividade, organizada pelo projeto Meninas e Mulheres nas Ciências da Universidade Federal do Paraná (UFPR), reuniu pesquisadoras de diversas áreas e instituições. O objetivo foi emular uma imagem capturada há um século, marcando a passagem da renomada física e química franco-polonesa pelo país. Marie Curie, conhecida por suas pesquisas pioneiras em radioatividade, foi a primeira pessoa a ganhar dois Prêmios Nobel em categorias científicas distintas: Física e Química.

A escolha do local não foi aleatória; reproduziu o cenário exato do registro original. Este ato simbólico serve como um convite à introspecção sobre a evolução da participação feminina na pesquisa e desenvolvimento no Brasil, desde a época de Curie até os dias atuais.

A iniciativa visa, portanto, estimular o diálogo sobre a importância de promover, expandir e valorizar a presença de meninas e mulheres em todas as ramificações da ciência. A recriação fotográfica, mais do que um ato de memória, representa um chamado à ação para um futuro mais inclusivo.

Desafios e Legados da Presença Feminina na Ciência

Polyana Mercer, estudante de Química da UFPR, expressou a profundidade do momento, destacando a inspiração encontrada ao lado de outras 50 mulheres que moldam a ciência brasileira. Ela comparou a coragem de Marie Curie em ocupar espaços antes negados com a persistência das cientistas contemporâneas em expandir esse legado, abrindo novos caminhos para as futuras gerações.

A professora Camila Silveira, coordenadora do projeto Meninas e Mulheres nas Ciências, ressaltou que a recriação da fotografia é um resgate histórico e um convite à reflexão. O encontro celebrou a existência, a resistência e a competência das pesquisadoras, registrando a representatividade de mulheres dedicadas à produção de conhecimento e à promoção da justiça social.

Edneia Cavalieri, pró-reitora de pós-graduação da UFPR e cientista da área de biologia molecular, descreveu a experiência como única e emocionante. Ela enfatizou o orgulho da UFPR em suas cientistas, especialmente em áreas ainda marcadas pela predominância masculina, como a sua.

A presença de mulheres em posições de destaque na academia e na pesquisa tem sido um campo de estudo e debate constante. Embora avanços significativos tenham sido feitos ao longo do século, barreiras estruturais e culturais ainda impactam a trajetória de muitas cientistas, desde o ingresso na graduação até o alcance de posições de liderança.

A discussão sobre equidade de gênero na ciência abrange temas como o acesso a recursos, o reconhecimento profissional, a conciliação entre carreira e vida pessoal, e a superação de vieses inconscientes. A falta de representatividade em certas áreas pode criar um ciclo vicioso, desmotivando jovens mulheres a seguirem carreiras científicas.

A Necessidade Contínua de Incentivo e Reconhecimento

Iniciativas como o projeto Meninas e Mulheres nas Ciências desempenham um papel crucial na visibilização de conquistas e na inspiração de novas vocações. Ao destacar mulheres que hoje fazem a diferença, cria-se um espelho para futuras cientistas, demonstrando que o campo científico é, sim, um espaço para todos.

A celebração da visita de Marie Curie, uma das maiores mentes científicas da história, serve como um lembrete poderoso do potencial ilimitado quando talentos diversos são acolhidos e incentivados. A recriação da fotografia centenária, portanto, transcende o ato de rememorar; ela é um marco na contínua luta por uma ciência mais representativa e equitativa.

A continuidade dessas ações e o apoio a políticas públicas que promovam a igualdade de gênero são fundamentais para garantir que as próximas gerações de cientistas brasileiras possam trilhar seus caminhos com ainda mais oportunidades e reconhecimento, honrando o legado de pioneiras como Marie Curie e tantas outras que vieram depois.

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