Um significativo ato público em prol da liberdade religiosa e do combate à intolerância está agendado para o próximo sábado em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. O evento, que se configura como uma das maiores mobilizações do gênero na região Sul do Brasil, tem como objetivo central a valorização das religiões de matrizes africanas. Mais do que uma manifestação de fé, a iniciativa pretende reforçar a importância do respeito à diversidade e a defesa dos direitos constitucionais que garantem o livre exercício de todas as crenças.
A realização deste evento ocorre em um contexto social particularmente sensível, marcado por um alarmante aumento nos casos de racismo religioso no país. Comunidades de Umbanda, Candomblé e outras tradições de origem africana têm sido alvos frequentes de discriminação e violência, evidenciando a persistência de desafios estruturais para a plena cidadania desses grupos.
Dados oficiais indicam um crescimento notável nas denúncias de intolerância religiosa registradas por canais governamentais. As religiões de matriz africana figuram entre as mais afetadas, sofrendo desde agressões verbais e preconceito até atos de vandalismo contra espaços sagrados e ameaças diretas aos seus praticantes.
Essa realidade demonstra a urgência de ações contínuas para promover a conscientização, o diálogo inter-religioso e o fortalecimento de uma cultura de paz e respeito mútuo, pilares fundamentais para a coesão social.
A proposta da caminhada é clara: congregar não apenas seguidores das tradições afro-brasileiras, mas também simpatizantes, acadêmicos, ativistas sociais e cidadãos de diferentes credos. O intuito é construir uma demonstração coletiva de respeito às múltiplas expressões de fé existentes, promovendo o intercâmbio cultural e reconhecendo a profunda contribuição histórica dos povos africanos na formação da identidade brasileira.
Um Convite à Unidade e ao Respeito
Jorge Kibanazambi, um dos idealizadores do evento, enfatiza que a iniciativa não possui qualquer caráter de oposição a outras confissões religiosas. Pelo contrário, a procissão é apresentada como um convite aberto ao respeito e à dignidade. A mensagem central é que todos têm o direito de professar sua fé livremente, sem receio de preconceitos ou violência.
Ao defender as religiões de matrizes africanas, os organizadores argumentam que estão, na verdade, defendendo os preceitos da Constituição Federal, os direitos humanos e a rica diversidade cultural que caracteriza o Brasil. Trata-se de uma reafirmação dos valores democráticos e de igualdade.
O cronograma do dia promete ir além da procissão, incluindo apresentações culturais vibrantes, momentos musicais e espaços de confraternização. Estas atividades visam celebrar a ancestralidade e consolidar o compromisso com a salvaguarda e a disseminação das tradições afro-brasileiras para as futuras gerações.
A expectativa é de uma grande afluência de público, consolidando este evento como um marco na luta contra o racismo religioso e um polo de referência nacional na promoção da liberdade religiosa.
A organização estende um convite irrestrito a toda a sociedade, independentemente de suas convicções religiosas, para que se unam a este movimento de celebração da diversidade e de afirmação da paz e do respeito às diferenças.
Serviço e Detalhes do Evento
A Grande Procissão de Zé Pilintra, Maria Navalha e Miguel Camisa Preta da Lapa está marcada para o dia 4 de julho, com início previsto para as 18h. O local escolhido é a Mansão Gard, situada na Rua Pedro Ossoski, nº 31, no bairro Santa Gema, em Colombo, Paraná.
A participação no evento é gratuita, reforçando o caráter inclusivo e acessível da iniciativa. O encontro se propõe a ser um espaço de união e celebração, aberto a todos que compartilham dos valores de respeito e tolerância.






