Diante da iminência de eventos climáticos extremos intensificados pelo fenômeno El Niño, a Defesa Civil do Paraná tem intensificado o treinamento de seus servidores. Recentemente, 55 agentes de todo o estado participaram de uma capacitação focada na condução de veículos 4×4 em cenários de terrenos acidentados, alagados e com inclinações acentuadas. O objetivo é garantir a capacidade operacional em situações de desastre.
A formação, realizada em Tijucas do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, abrangeu tanto a teoria quanto a prática. Os participantes foram instruídos sobre as melhores técnicas para navegar em condições adversas, cenários frequentemente encontrados durante vistorias e atendimentos em situações de calamidade.
O tenente-coronel Daniel Lorenzetto, chefe da Divisão de Gestão de Riscos e Desastres (DGRID), destacou a importância da iniciativa. “Esses exercícios permitem que nossos servidores compreendam em detalhes o comportamento dos veículos em situações que fogem da normalidade”, afirmou. A pista de treinamento simulou obstáculos realistas que os profissionais podem encontrar ao avaliar áreas afetadas ou de risco.
“Precisamos garantir que nossas equipes consigam chegar ao local da ocorrência sem colocar a si mesmas em perigo ou comprometer o atendimento”, acrescentou Lorenzetto. A capacitação visa maximizar a eficiência e a segurança no deslocamento em condições off-road.
A Defesa Civil Estadual conta atualmente com 175 funcionários, sendo metade composta por militares de diversas corporações, além de militares estaduais inativos convocados voluntariamente. O treinamento envolveu equipes dos Núcleos de Atuação Regional (NAR), que cobrem diferentes áreas do estado, e colaboradores da sede em Curitiba.
Solange de Carvalho, contadora que participou da atividade, relatou uma experiência transformadora. “Tive que superar alguns medos, mas foi muito gratificante. Estou mais confiante para auxiliar em campo se um dia for requisitada”, declarou, demonstrando a eficácia do treinamento em superar desafios pessoais.
Gerenciamento de Riscos e a Nova Realidade Climática
Profissionais como geólogos e engenheiros, que frequentemente se deslocam a diversas regiões para avaliações técnicas, enfrentam rotineiramente áreas de difícil acesso. Daniel Sentone, engenheiro, ressaltou o impacto das chuvas intensas em áreas afetadas por deslizamentos e erosões.
“Com as ocorrências ligadas ao El Niño, o grande volume de chuva torna muitos locais de difícil acesso”, detalhou. “Essa preparação trará maior segurança para todos nós acessarmos os locais, especialmente nessa época com grandes acumulados de chuva.” A expertise técnica é fundamental para a emissão de laudos e o acompanhamento de obras emergenciais.
A geóloga Caroline Haluch, especialista do Centro de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cegerd), realiza viagens semanais para atender demandas de municípios. Seu trabalho em parceria com outros colegas da Defesa Civil abrange áreas de risco remotas.
“Quando estamos em campo, não temos como prever o que vamos encontrar. Não podemos nos tornar mais uma vítima; estamos indo para prestar assistência, precisamos estar preparados e ajudar de maneira eficaz”, explicou Haluch, sublinhando a responsabilidade inerente à função. A capacidade de adaptação e resposta rápida é crucial.
Adicionalmente, a equipe participou de um treinamento sobre o Sistema de Comando de Incidentes (SCI) e atendimento pré-hospitalar. Essa capacitação abrange noções gerais para o manejo de emergências com vítimas, visando otimizar a organização interna e a condução de ocorrências. O aperfeiçoamento contínuo busca agilidade e assertividade nas ações de resposta.
Preparação Integral para Cenários de Crise
A capacidade de resposta de uma Defesa Civil é diretamente proporcional à preparação de sua equipe. A condução segura de veículos em terrenos desafiadores, como os observados em situações de desastres naturais, é um dos pilares dessa prontidão. Treinamentos práticos que simulam condições extremas preparam os agentes não apenas para a tarefa em si, mas também para a tomada de decisões sob pressão.
A integração de conhecimentos teóricos e práticos, aliada à familiarização com as capacidades dos equipamentos, minimiza riscos e maximiza a eficiência no socorro. A importância de superar barreiras psicológicas, como demonstrado por Solange de Carvalho, também é um aspecto valioso do treinamento, fortalecendo a resiliência individual e coletiva.
A constante atualização sobre sistemas de comando de incidentes e procedimentos de emergência é igualmente vital. Tais conhecimentos asseguram uma coordenação eficaz das operações, permitindo que múltiplos agentes e equipes trabalhem de forma sincronizada e estratégica em cenários complexos. Isso se traduz em um atendimento mais rápido e efetivo à população afetada.






